quarta-feira, 21 de maio de 2014

Purgatório



Não posso acreditar na solitude da alma que não se convence.
Não posso crer que seja só isto que acontece, que continua até que um dia desaparece.
Não posso mesmo, desculpem, acreditar nessa assunção de vida como não posso na mesma medida acreditar na morte.
Tudo o que me convence é o ideal da eternidade.
O problema é que um ideal também não me chega. 
Só quero alcançar a dimensão de uma verdade que me sirva. 
Respiro por uma verdade miseravelmente absoluta ,sabendo que esta, absolutamente não existe.
Como sinfonia perfeita tocada aos sopros do pior instrumento, a mágoa acidifica me o julgamento.
Estou tão cansada de procurar um equilíbrio nesta disfunção que me compõe.
E ainda mais cansada de não conseguir por nada, abdicar dela.
Parar de pensar o remoinho de pensamentos que eclodem a todo e qualquer acto quotidiano de vida como humana. Estou cansada desta batalha por uma humanidade , que se algum dia também foi minha, desapareceu.
Estou cansada dos meus anjos e demasiado apaixonada pelos meus demónios .
E a paz que só me chega no cerne da mais intensa confusão.
Estou cansada de ser o que nem sei que sou.

Sobretudo...



Porque tem que ser tudo sobre mim?





                          








                                                         Sarah Moustafa 

Sem comentários:

Enviar um comentário