domingo, 20 de julho de 2014

Lusco-Fusco





A noite amanheceu de madrugada e eu não sei em que ponto o breu se pintou de luz dourada...
Sei que as noites já não são as mesmas.
E o único porto seguro se modificou á forma manifesta desta súbita transformação.
São as trevas que sempre me sopraram palavras de alcance a uma outra dimensão de mim.
Foram elas que me acolheram nas quedas de corpos transfigurados a bruta realidade...
A ferocidade veloz dos acontecimentos que trespassam a alma ,sem cuidado de lhes almofadarem os buracos de incompreensão, onde as respostas só formulam mais perguntas.
Onde o ponto nunca é final senão diante da finalidade.
Sinto a escuridão a desvanecer se na luz que me invade violenta na sua doçura.
Sinto os pensos rápidos a serem me arrancados do âmago e expostos ao sei lá o quê, e ao não sei onde de uma voz clara que apenas me permite a dissolvência e o silêncio.
E por isso as palavras secam-me onde proliferavam no desassossego certo do meu manto de invisibilidade nocturna.
Não temo que morram mas antes que sobrevivam.

Eu sei.

Os dias também nunca foram iguais.













Sarah Moustafa

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