segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O bicho.



A larva resiste a mudança .
Não a crê ainda que sentido cheiro
Ainda que vendo cores
O bicho gosta de ser bicho 
Estar escondido nas entranhas da terra
Onde ninguém lhe pousa olhos
Onde ninguém se repugna com a ausência de beleza
E a lassidão do corpo mole, frágil, 
em sério risco de a qualquer momento, ser menos vida do que já é.
Ela só gosta de penetrar no fundo de si mesma
Onde na sua segurança, imagina rasgos de céus violetas
Onde nunca irá chegar.
Onde bate delicadamente asas que consegue criar.
O imaginário fértil do bicho que só quer ser bicho alimenta 
A transformação.
E a carne fende-se de dores de parto e cicatrização
Ela sabe que está a morrer
Ela sabe que chegou altura de partir para o outro lado
De si mesma.
Desmembra se e dói .
Tanto.
Concentra se e sai de si.
Cá fora existe o ar de que ela não se lembrava
Precisar.
Cá fora
Ela abraça o que de si foi e agora é
A borboleta gosta de ser borboleta
Estar envolta das possibilidades
Que acabam onde o infinito começar
Só não sabia que gostava de gostar.

A borboleta vai voar
E vai receber tudo o que tem para dar.
E vai largar tudo o que tem para perdoar.
E vai amar tudo o que existe para amar.


O mais impensável do que ir... é ficar.






Sarah Moustafa 

1 comentário:

  1. Uma poesia maravilhosa, linda! Gostei muito ! Excelente para uma boa reflexão...
    Beijos.

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