domingo, 1 de dezembro de 2013

A Calamidade.



Estou acostumada a imprevisibilidade abrupta dos acontecimentos na minha vida.
São sempre bruscos, intensos, impensáveis.
Talvez por isso ninguém entenda como é para mim difícil acreditar na permanência intemporal de uma estabilidade em qualquer área da minha vida.
Costumo brincar e poetizar sobre a minha instabilidade estável, mas é tudo menos brincadeira e tudo menos poesia senão versos da verdade arrancada dos meus dias.
De tempos em tempos lá vem o tsunami devastador que me traz pessoas e leva outras
De tempos em tempos lá vem o terramoto aterrador que engole o que é me querido e estimado e me deixa a presença desconhecida de um John e Jane Doe, com que tenho que aprender a conviver, aprender para crescer um pouco mais.
De tempos em tempos lá vem o vulcão que me expele sem aviso de volta para a terra e me deixa a ferver em convulsão derramada pelo chão com a minha própria solidão.
Estou mais do que habituada a tudo isto , desde o minuto zero da minha humana condição.
E por estar não é a chegada do trovão que me assusta no temporal, mas ausência do seu grito nas horas que colapsam essa libertação.

Sei que ele está a chegar.
A electricidade impregnada na corrente do meu corpo avisa me.

Só não sei se aguento mais esperar.

Preciso de com ele gritar.









Sarah Moustafa 

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