sábado, 15 de fevereiro de 2014

Toca e Foge


Gosto de brincar com o fogo.
Mais precisamente, acho que, ele gosta de brincar comigo.
Não é desresponsabilização mas ele tanto é meu ini (amigo) que me faz crer naquilo que almejaria ser, consumisse eu as labaredas tamanhas da acção que não me engrena.
Se calhar reconhecemo-nos, talvez vejamos um no outro a falta e tentamos somar os acréscimos, os complementos das diferenças que abarcam o mesmo rastilho de uniformidade.
Não sei o que escrevo por aqui, devaneios alagados de uma mente sedenta de apaziguamento?    
De um corpo lânguido onde repousar nas fornalhas da vivência apaixonada.
Eu sou uma apaixonada ardente, mas travada.
Talvez seja essa a nossa diferença essencial, o fogo não pára, não quer saber do arraso, do dano, da imensidão de cinzas que possa deixar na sua convulsão.
Não ele não quer ser nada que senão essência bruta, demoníaca, vil, lembrando nos da pureza mais majestosa da criação.
A vida que tem que ser vivida, lambida a ultima gota de recurso, ao ultimo sopro de ar no peito, ao derradeiro batimento cardiaco.
Talvez vivendo desta forma livre, egoísta durasse menos.
Mas não o fazendo também serei sempre um saco de ossos.
Uma carne desmerecedora do seu prazer.
Que parto é feito se morremos sem nunca pensar em nascer?
Os sentidos fervilham.
Querem se mexer.

Agora. 

Amanhã ele volta a querer brincar
Certamente tentarei renunciar
Lesse ele estas palavras que são a única forma que encontro de com ele compactuar.

Tomasse ele um gole do vulcão que neste corpo repousa sem acordar.


                      




                                                           Sarah Moustafa 


Sem comentários:

Enviar um comentário