segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Entre o encanto e o engano.




Peixinho de Aquário , perdido nos mistérios desse grande Mar
A Curiosidade não mata só o gato,
A morte é demasiado misericordiosa ,
Aqui o jogo é a sedução lenta até que alguém entenda se tem algo a ganhar
E o que escapa como água entre dedos,
sereias deslumbrantes presas , escondidas.. nas caudas dos seus segredos...
Terra á vista?
O que está desse lado ,
Vale a pena sair de um todo profundo oceano ?
Caminhar , pretender que também somos meros humanos?
Ah..Dualidade , tramada.

Dizem que por trás do véu é onde está acontecer toda acção .

Devíamos consultar os nossos oráculos ,

Ou ...  deixar o enigma...
Se revelar .

Melhor, não ?






Sarah Moustafa 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

São as horas que quiseres... no tempo que não trouxeres.


E Senão existir distinção entre a vida ou a morte?
Se esta fronteira vil, apenas separa almas na ilusão de um tempo
Que ainda que valioso, não preserva ou ajuda ...
Não cura,  não necessariamente nos amadurece
não nos faz aproveitar nada...
Nunca  dá o soro da felicidade por inteiro, 
Corremos maratonas á procura do próximo grande momento
Píncaros, altos e baixos, adrenalina 
queda livre, um orgasmo ...
Um ano de celibato!
E nada chega ...
Para te satisfazer, para te aplacar os medos
E terríveis anseios , que por trás da máscara feliz
De malabarista e palhacinho, se esconde
um sorriso esborratado , quase sem vida própria
Tão triste, esmorecendo enquanto o tempo passa
Porque o tempo dita como as coisas são
Os Deuses têm a mão maior
Nunca os homens e a as suas invenções,
Não temos coragem, de sermos um todo
Criamos varinhas de condão
E toda a humanidade está dopada
Neste feitiço das horas, 
E dos ponteiros que não mexem porque não querem
Ou não param, porque não se atrevem.
E agora perdemo-nos! Onde deixamos a pedra filosofal?
Ainda sabemos encontrar de volta o caminho a casa, onde está o coração ?
Estende o mapa, caça ao tesouro !
A minha alma ainda está viva num grão de areia,
dourado neste imenso deserto...
Existe ali,
Existe aqui,
Gota no oceano,
Mera estrela de tanto universo !
E tu dizes-me que o quê acabou?
Que quem te deixou?
Por debaixo das tuas peles,
está o mundo do impossível e do intemporal ,
está o que sobrevive a quinhentas encarnações
Os poetas, os músicos, os visionários
foram sempre apedrejados e chamados de tolos
Passados tantos séculos,
" E o tempo que tudo apaga, "

Continuam a espalhar a mensagem ,

Que amar é a única tragédia que suplanta a nossa mortalidade.


Não é isso que todos queremos? 
Continuarmos na corrente da existência, depois de já não sermos senão pó ?

Então...


Por favor, tornemo-nos em carne ainda, todos eternos !








Sarah Moustafa 







terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Morre, de uma vez.




Não te convidei.
Forçaste a entrada.
Não te deixei.
Partiste nas sombras da madrugada
Procurei por um bilhete,
O papel que por descuido deixaste cair
tem a textura de esperança vã
Criada a partir de um sonho, que entre o sono, era nada !
Diz-me, porquê?
O que fiz...
Para não ter em mãos uma única palavra?
Entreguei-te milhares de poemas,
Quase a totalidade da minha alma...
Não é justo.
A vida nunca é.

Dizem, tem calma, a calma também é um super-poder.

Mas eu só quero destruir isto tudo de uma vez.

Maldição que sobrevive á própria morte.

Não morre, não renasce

Deixa-me em paz.

Deixa-me em paz...

Já é tão, tão tarde....




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Bela .



Levanto -me 
Ainda mal aprendi andar
Tento , o meu melhor
Caminho descalça,
Preciso de sentir cada momento na pele
Só o abraço do meu corpo
E o mundo das suas descobertas
me desenlaçam da prisão de ti.
Sei que sou bonita, 
e não é a beleza desenhada no meu rosto,
Ou as perfeitas proporções ,
De um mosaico que todos os dias muda e envelhece !
Abro as cortinas , deixo a luz levar-me
Tenho em mim tudo o que procuro
E pensei precisar de encontrar ,
Tenho o amor de milhares de corações
que se expandem num só
Pudera as arritmias e os atrofios !
O sangue fervilha, a paixão é a minha musa
Preciso da corda bamba e o deliro ,
E tudo quanto adiciono á minha história,
é escrito a sangue ,
Bradam temerosos cavaleiros , 
Que empunham espadas ,
em nome da fé e da alma !
Que ganhas-te a batalha
Feriste-me e fiquei não sei quantas estações,
assim derrotada, estendida ...
Desejei tanto que me visses por dentro,
E em silencio os teus olhos confessassem , 
Todos os porquês , todas as longas e profundas reticências
O jogo da advinha, e a arrogância palpável
Do porque me julgas garantida.
Perdi.
Mas esta Guerra nunca foi tua .
Atiras-me para as sombras da Lua.
Aqui , a soberania é minha. 
Recupero o meu poder, estou em controle!
Sem precisar de nada dominar.
Ou de infligir em outrem a dor da mágoa que carrego em mim.

Dizem, se queres olhar-te ao espelho entrega-te ao reflexo.


Despe-te .












Sarah Moustafa

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Persona non grata


Nunca precisei de muito,
Mas precisei de ti.
E não estavas lá, nunca estavas lá.
Sei que devia ter sido mais ambiciosa
E de ter aprimorado esta capacidade de cálculo
Crente na percentagem mais improvável!
Esta esperança quase me mata,
esfola-me viva
Escama a verdade
E o que é?
O que dói ?
O que resta?
O que sempre ficará ?
És tu mesma , és tu mesma.
Menos é mais.
E eu sou muito mais.
Abro os braços ao que não me deste.
Tola, menina sonhadora ,
Tenho um mundo inteiro á minha disposição.
Intrigante, mulher misteriosa

No fim de tudo ofereceste-me de volta a mim mesma.
Inteligente ...
Serei eternamente grata.
Continuo a ser aquela pérola generosa,

Mas agora, é hora.

Sai.






Sarah Moustafa

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

My precious.




My hands are tied
But
My heart remains open, it  roar's free .
You can taint it , smash it, 
the same way it breaks, it bleeds
It expands magnificent ,
ready for another shot, another attempt
to properly see if you can defeat me.
You can't . Oh , but you try.
This heart of mine, is a jewel
a music box , and you dance to the sweet tune.
the eternal misery that breathes hope,
your secret desire to return to the truth of love.
So take my hands, take
 my body
put it in that cell ...
Punish me,
Let me starve ,
My soul will nourish me 
The mouth is dry and thirsty
My tears will fall
And the flood will clear
The debris of sickness
Your selfishness and tyranny
consumed my body with.
And this body may die ,
And you may win ,

But you'll never reach my forever beating heart.

I will never stop caring,
I will never stop giving,
I will never stop believing.
That even you , 
A hurt boy dressed in the clothes of self made man
A dreamer, turned cynical
A fallen angel pretending to be the devil,

even you ,

Are worthy of love .


This is what drives you mad,


My soul is intact.






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Queda sem chão .



Detesto estes dias.
Nada chega, nada preenche o vazio solitário
forjado lamentavelmente á extensão do teu nome.
Nome que sobrevive neste borrão de palavras,
abominavelmente sentimentais, repetitivas
Já chega ! Já chega ! Já chega!
Acho que estou mesmo doente.
E quanto mais tento a cura mais veneno me preenche
Existe um abismo sem fim,
Nunca mais aterro
e me estatelo morta nesse sagrado chão.
Talvez sobrevivesse, sem memória
completa limpeza de histórico
Alguem me puxaria pela mão
E mostraria como é bom voltar a realidade
Da simples existência do amor,
Detesto estes dias,
que temo a eterna ausência da tua voz
O eco da rejeição
Com que ainda me embalas diariamente,
O apagar das linhas do teu rosto,
onde se desvanecem detalhes,
Areias movediças
que te apagam no tempo.
Devia celebrar,
Não estamos destinados,
Porque haveria de querer alguém tão pequeno como tu?
Nunca foste meu amigo ou amante.
Uma miragem , um devaneio
Uma personagem que só ficou aquém
do que artisticamente criei,
Secalhar é isso...
Fui eu que te dei vida.
E carrego-te como cruz,
Claro que sinto falta de ti,
Levaste um bocado de mim.
Eras meu .
Mas eu nunca poderia ter sido tua.
Não eras real .

Detesto estes dias,
Em que converso entre lágrimas 
e enfraqueço...

Dizem o dilúvio é uma limpeza.

Depois deste tempo todo ?

Ainda me poluis.

Detesto-te.







Sarah Moustafa 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Não sou nada




Conta até dez
E diz -me
Devagar...
Quantas vezes 
acabaste rendido aos meus pés ?
Eu não sou nada,
Ainda assim ,
arrastas-te á redenção do altar do meu nome.
Eu não sou nada.
Mal menina, péssima mulher.
Diz-me que pérolas ancestrais
São essas 
Com que queres decorar o meu corpo?
Como gostaria de me puder ver
através da perversão dos teus olhos
E julgar-me soberana de um reinado
Que não sei governar !
Mas adormeço uma vez mais neste pântano,
Cada vez mais escuro,
Não tenho medo ou vergonha
Do que é profundo
E tantas vezes sujo...
Não sou nada
Talvez um breve raio de luar
Que te observa quando diz já não te amar
Conta até dez...
Prometo da tua mémoria me apagar
Mas grita ...
Rápido!

Como é a mim desejar ?






Sarah Moustafa 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Quem semeia vento, colhe ...



Não adoras a forma , 
como o raio desce dos céus
E violentamente nos separa?
Dizem que o Universo é inteligente,
tem um plano maior para o que acaba.
Das duas uma,
Ou fomos postos á margem , cães abandonados , 
desorientados nesta longa estrada
ou...
Somos , nós mesmos, a partícula da tempestade.
Não adoras cair continuamente da graça de Deus ?
E ser a esta missão sempre chamada ?
As asas estão só rasgadas..
Destrói, reconstrói, destrói.
Dói !!!!
Não admira que ninguém goste de nós,
Carregamos o dia, sufocamos o sol
evocamos o medo,
Os vidros estremecem, a luz vai abaixo...

Ouves esta canção de amor ?


Lá vem trovoada...






Sarah Moustafa 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

De carne e osso




Tu deixaste-me ir.
E nunca mais olhaste para trás.
Não tens o direito,
Não levantes o dedo
Porque queres uma oportunidade,
e é inadmissivel não te a dar.
Lamento, se não é tudo sobre ti,
Mas.
Tu fizeste isto,
Eu esperei por ti todos os dias.
Anda sim, chega o dia, 
E a espera nunca acaba....
A  noite é tão longa ,
E a fonte secou os milagres.
Consigo sentir-te a despir outro corpo,
A procura da minha pele.
A procura do mistério de mim.
Mas eu não sou um ideal , ou fantasia.
Sou uma mulher como qualquer outra.
Carne cheia de cicatrizes, ossos enfraquecidos
Não me procures mais nesses lençóis.
Porque tu não fazes ideia do que estas a procura,
sempre foste um homem mais que (im)perfeito,
sempre gostei de ti, por seres mesmo assim.
Enquanto não me vires.
Não batas mais a porta.
Não fazes mesmo ideia de quem sou.


Talvez seja por isso que esta história não tem fim.


Sarah Moustafa


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Maligno




Tudo deixa uma marca.
um trilho que nos guia de volta ao primeiro pecado original.
E como gostamos de pecar.
Sei que está aqui, algures ...
Não consigo encontra-la ,
Porquê?
A nódoa que deixaste foi bem negra
Porque não aparece ?
Mas ainda está dorido...
Faço do meu corpo um mapa ,
De uma estrada sem fim
Foi por isso que desapareceste?
Gostas de saber onde as coisas começam e acabam ?
Desculpa, não tenho culpa nenhuma.
Trago este símbolo do infinito
Como amuleto da sorte!
Devias tê-lo aproveitado...
Tornar te ia imortal.
Agora aguarda, aguardas, aguardas...
Sabes quando for...
Será apenas um beijo,
A tua sentença da morte !
Morde uma vez mais,
O antídoto é arrancar o mal pela raiz
O que é que ainda esperas?
Alvo fácil,  sou vitima ao dispor de qualquer crime
Que queiras orquestrar,
As coisas que eu sei, que ainda gostavas de fazer comigo...
Tira de uma vez, o penso rápido,

Preciso de encontrar a maldita marca,
Algumas mazelas só se curam ao ar livre.

Há que deixa-las sangrar...

Gota a gota,

tudo o que precisarem sangrar.










Sarah Moustafa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Flor de Lótus





Estou farta de me auto disciplinar com este cruel, Não importa...
Importa.
Importa mais do que alguém gostaria de admitir,
Mais do que parece humanamente possível suportar .
Dói.
E ainda assim ...
é a fatia mais tenra e capaz de transcender a crueldade,
De uma realidade que não pede licença para ser o que é.
Prova,  aqui podes saborear devagar...
O que não têm qualquer relevância é se importa para ti também,
O meu amor não depende do teu.
Esse é o truque e a magia.
Não preciso de ti para nada...
Preciso da dimensão deste todo que me devolve á imagem
Da pureza manchada neste lodo,
Estende-se o pântano misterioso e um corpo que não deixa de ao seu ritmo dançar,
Por aqueles que não o receberam e trataram bem.
Sei limpar as minhas próprias feridas.
Ainda bem, que me ainda importa ,
Sou eu que mais sofro,
Mas também sou eu que mais Vivo e Cresço.

De Verdade.











Sarah Moustafa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

2 de Fevereiro.



Existe algo , sabe se lá como, que continuo adorar em mim
E esse amor apenas cresce por saber que certamente ,  tu detestarás
Esta particularidade da memória que assinala datas
Que traz ao presente o júbilo das comemorações amargas !
Hum... como o destino nos tramou e lhe chamou acaso.
Até me ofereceste boleia...nenhum de nós percebeu que logo ali,
Mordemos o isco,
Era só mais uma experiência, um novo interesse,
O cosmos e as suas aprendizagens
Bom fim de semana !
Já não interessa, vasculhar estes cantos
Mas quem decide isso sou eu !
Apetece-me trazer este dia de volta a vida
Embriagar-me na repetição de cada momento
Até que perceba o detalhe que ainda me escapa.
Lá estou eu a tentar encontrar significado para tudo.
Eu sei, foi por isso que fugiste, 
Boa viagem, amor !
Sei que envelheces, estás tão cansado
E eu aqui com toda esta vida para explorar...
Malditas desculpas, difíceis de mastigar
Vives bem com a minha ausência
Gritas , SAI !
Mas hoje sou eu que bato pé
E digo, NÃO.

Olha-me bem fundo, lá naquele sitio onde chegaste a saborear o poder da tua alma.

E diz-me que não queres brindar comigo.

5 anos já passaram desde que esbarrei caminho com a minha sina.

Isto merece , o mesmo número de copos.

E talvez para ti, o licor que baste sejam estas palavras.


Cheers.







Sarah Moustafa