domingo, 27 de novembro de 2016

Desculpa, não voltarei a escrever-te.




Rendo-me.
A vitória é tua.
Sou culpada, finjo-me de morta.
Desapareço, eclipso-me.
Está demasiado frio.
Não sei se sobrevivo a este Inverno.
Preciso de ir, encontrar rápido um sitio onde possa adormecer
Hiberno, não quero mais saber.
Vou esquecer o teu nome, apagar o trilho desta história
Prometo nem mais uma palavra a ti escrever
Tentei reanimar-te nas paredes desta casa
A que voltei pela esperança incandescente
Que palavras têm importância, têm poder
Que fiasco.
Desculpa, todo e qualquer incomodo
Não quis aceitar a hipótese
Que a nossa ligação não te diz nada
Sou demasiado teimosa.
Não sei aceitar as evidências menos idílicas
Era tão óbvio...
Tiveste a tua vingança, já partilhei com o mundo a minha poesia ridícula.
Quando amas alguém, deixas a pessoa ser livre, deixa-la ir
Não é assim?
Já me deixaste há tanto tempo.
Sempre me recusei a desistir.
Não consigo mais.
Rendo-me

A derrota é minha.






Sarah Moustafa

sábado, 26 de novembro de 2016

A realidade de uma história de amor.




Eu sei que te importas ( ... ) Eu sei que te adoro em absoluto.
Habitualmente, não sei de nada. 
E tu sabes muito.
Agora existem os espaços entre estas duas excepções.
Faríamos disto um bom romance ?

Premissa :
Duas personagens que se amam mas ,ainda assim, escondem uma faca atrás das costas.

E não a largam nem por nada.

Consegues imaginar, quantos leitores contestariam que não, isto não é amor ?
Consigo ver o teu sorriso irónico perante tal ideia, temos um fraco pelo que suscita polémica.
Não sei se estou preparada, tenho saudades da tua voz a guiar-me, és capaz de tudo.
Tenho mesmo saudades da tua voz.

Escreve lá o raio do livro , existe sempre mais sal para por na ferida .






Sarah Moustafa

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Boneca de Luxo



Sou nova demais, bonita demais, inteligente demais, sonhadora demais , intensa demais, misteriosa demais, insegura demais, calada demais, indecisa demais, séria demais...
Pensei que seres integral, crua , nunca fosse demais.
Afinal quanto mais se soma mais se multiplica.
Eu sempre fiz questão de ser rica.
Ainda assim não foi suficiente , o rodízio de de sabores deixou-te confuso.
Entendo.
Procuras pela conformidade , jogas pelo seguro, escolhes baunilha.
Queres menos.
A serio ?? Ok...
Deixa estar querido, esta conta pago eu.
Podes seguir caminho.
Obrigado mas dispenso.
Posso estar só mas sou completa.
E só me seduz a ambição desmedida por mais alma, sangue e fogo,
Não voltes com as tuas subtracções , as fugas evasivas acobardadas de quem não tem peito cheio para enfrentar destemido qualquer desafio.

É isso que fazes de melhor, desistir.

Não tens fundo de maneio,

És pobre demais e eu procuro pelo melhor da vida.


You could never afford me, I'm after the real stuff.







Sarah Moustafa 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Fases da Lua #4




Entristece -me , nem todos os sonhos se cumprem.
Nunca planeei isto, nunca soube sequer que existias na dimensão dos meus ideais.
Continuo a tentar voltar ao exacto momento em que isso aconteceu, onde abriste uma porta e como eu não vi .
Porquê é que não te impedi ? Porquê é que não estava suficientemente desperta?
Porque é que não me preservei ?
E não consigo...
Agora só desejo um eclipse total no meu subconsciente.
Tenho medo de adormecer.
Não quero sonhar mais.

Eu não quero lembrar -me que foste o maior de todos.
E eles eram tantos.
Porquê ?

Porquê, tu ?







Sarah Moustafa

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Intimação




A mesa está pronta, o cenário perfeitamente decorado.
Os factos colocam-se por ordem
Os copos enchem-se , certamente não será de água ,
Uma pequena ajuda para quando a garganta seque
Esta reunião não faz sentido sem uma boa oratória
O parlapié sempre foi o teu ponto forte
Visto-me a preceito sempre tive uma queda pela imagem profissional
Nenhum de nós gosta de perder tempo,
É uma simples discussão de negócios, mantém a formalidade
Pára de olhar para mim, foca-te no alvo principal
Acho que ambos queremos o mesmo, cessação de contracto.
Quero lá saber se este não foi feito á medida das leis humanas
Somos os melhores advogados, estou certa que arranjamos algo
Uma solução manipulada ao problema da nossa imagem
Não dá para entender a tua falta de pontualidade.

Está tudo muito bem pensado e sabes que somos mesmo bons naquilo que fazemos .

Aperta a minha mão.

Let's close the deal.









Sarah Moustafa 

terça-feira, 22 de novembro de 2016

P.S - ( ... )






Tenho milhares de papéis soltos 
Quis tanto que  os lesses
Só a ti senti vontade de os mostrar, pioneiro
Confiei .
  Julguei que fosses capaz
Claro que tinham que acabar por ser cartas de amor
Agora sim , posso ser considerada poeta
Afinal só existimos numa pulsação romântica
O que é que faço com elas ?
Entrego-as ao mundo?
Escondo-as no lugar mais tenebroso e profundo?
Porque não as abres mas seguras cada envelope ?
Lacro-as, mas não confirmas mensagem recebida , 
Porquê ? Porquê? Porquê ?
Guardas -as na gaveta 
Ou em qualquer outro lado que quiseres
E segue no trilho da vida 
Eu não me importo com o final delas.
Só que precisam ser entregues.

É isso, são arranjos de palavras.

Elas só querem ser lidas.









Sarah Moustafa

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Moon Prints #2



You said you could stare at me every minute of everyday...
Hard pill to swallow, You meant it.
So why did you look away ?
A lifetime is passing by... I'm frozen on the time the moon stands
Where are your eyes ?
Do they still watch me?
I can't see them.

I can't fucking see them .




Sarah Moustafa 


domingo, 20 de novembro de 2016

Dilúvio




Quando chove eu páro.
A pausa seca lágrimas , gotas que contam a história de uma vida inteira.
É bom fechar os olhos e entregares-te ao fenómeno que te espelha, que te parece misteriosamente entender .
Albergo-me na atmosfera, desapreço por dias, acompanho-te sorrateira.
Entre sombras , nuvens carregadas onde nada é preto ou branco, tantas áreas, corredores, cruzamentos de tons cinza, textura dual, complexa mas acetinada...
Lembras-te da sensação do toque de duas mãos magoadas?
A água entranhada aos ossos, leito de um rio que corre pelo corpo abaixo.
Quero dançar debaixo dela provar do milagre destas águas , consegues sentir o mesmo gosto ?
Lábios gretados de tanto sal.
É tudo meu, é tudo para ti .
Oh... sabe bem parar e deixar a natureza espalhar a poesia do meu pranto.

E há tanto, mas tanto, para contar.

Talvez de nós escrevam outro evento de proporções bíblicas.







Sarah Moustafa

sábado, 19 de novembro de 2016

É tão frágil, porque é que não se parte ?




Entreguei-te a Deus e tu atiraste- me ao mar
Não há mais nada a fazer 
Porque é que continuam milagres , com o nosso nome , do céu a chover  ?
Como permanecem neste imenso oceano os nossos vestígios , sem parte alguma naufragar ?
Por favor, leva isto tudo, faz com que tudo desapareça.
Tens uma mão cheia de problemas e para todos encontras uma saída, uma oportunidade, a solução!
Menos este , menos este, menos este.
Não é justo ( meu bem a vida nunca é )
Nem forças acima ou abaixo nos resolvem .
Porque não existe nada mais forte e inflexível que nós.
É absolutamente terrível.
Tu esfaqueaste-me, mais vezes , do que consigo contar e eu abandonei-te , deixei-te a mercê, sem quaisquer mantimentos com que pudesses sobreviver.
Não voltei atrás e tu nunca me pediste para ficar.
Então... não podemos contar com o tempo, a lei da vida e da morte, ou o apoio da mãe natureza.
Quão mais resistente isto consegue ser?

Como é que matamos isto ?

Mergulha , estou algures cá em baixo.



Ajuda-me e eu abraço-te.




Sarah Moustafa

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Finito.


São efémeros os dias de recordação , envolvem-me num remoinho doce 
A brisa intempestiva que nos abraça mas não nos deixa tocar
Que nos segura de embalo sem nada cantar
Vão e vêm , peões trocam de lugar  mas não acertam , 
Não percebem o que está em jogo , não lêem as regras , não mudam a sorte
Está bem... aceito, somos corpos em decomposição
Nada permanece do que foi concreto , estamos a a sete palmos debaixo de terra
Eu fechei o teu caixão.
Leste a linha inscrita na palma da minha mão , não me chegaste a contar o que dizia
Era assim tão mau ?
Maldita sina.
As saudades são areia movediça que me impedem de dar novos passos
Estou a tentar ainda assim dá los, convenço-me que estás feliz
É melhor não acordar os mortos.
Então porque me vieste visitar ?  Denunciaste a tua presença
Os passos cuidadosos quando volto costas
E paro com um arrepio na espinha
Um grito feroz
Sei o que sentes , és parte de mim
Almas malditas que se reconhecem em qualquer espaço ou tempo
Telepatia ?
Aproximaste -te , desculpa mas não fui capaz de me voltar
Não és real, Não és real, Não és real
Engoli em seco.
Fuck... a tua voz...

Só um minuto, deixa-me ficar aqui.





Sarah Moustafa

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Não , não tem piada.



Respira fundo, conta até já não existirem números, vá lá tu consegues, sempre foste eximia a inventar formas de extrapolar o que aparentemente tem limite.
Usa alguma das tuas magnificas teorias, são tantas, alguma terá de funcionar.
Estás de olhos abertos, fisicamente presente, espírito para onde te evadiste ?
Piloto automático?  O quê? Sem condutor?
Veste as roupas do avesso, calça sapatos ao contrário e agora anda...
Estou profundamente desagradada , seja com que isto for, nunca gostei de circo , ou fã de trapalhadas que se resolvem com humor.
Dispenso comédias , adolescência retardada sobretudo com quem tem o dobro e triplo da minha idade .
Para o diabo com , os pais sabem o que dizem e só querem o teu melhor, ou grandes mestres e professores que partilham conhecimento repetitivo e formatado de geração em geração e dizem ser transportadores da luz e salvação, hey estou com o dedo no ar há uma vida posso falar ?
E tu , meu amor leva os 45 anos e faz um update ao sistema, algo de muito errado ai se passou , és só mais um deles, que continua a correr em círculos atrás das saias de alguém que te salve e te faça melhor .
Não sou perfeita, ninguém é perfeito, mas também não me vendo sendo mais do que aquilo que sou, não magoo porque não sei crescer á imagem da minha responsabilidade.
Sabes tipo limpo a minha própria m****.

uggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggh

Calem-se todos.

Não suporto mais este recreio. 







Sarah Moustafa 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

1 + 1 = 2



Não há nada que não consigas fazer sozinha , o amor próprio sustenta e é chave para a tua verdadeira felicidade, todos nós nascemos e morremos singulares num ponto de interrogação isolado, o que estamos aqui a fazer?
Mas ...
As parelhas, a soma, a dupla  ( holly partner's in crime ) a dança, os pratos desalinhados desta balança,  o ponto e virgula, preenchem um pouco desse nada com um grande tudo.

Não é que seja preciso, que seja necessário, não é uma questão de dependência, não é uma muleta carente, uma projecção de mommy and daddy issues, é simplesmente ... uma sobremesa que torna toda a refeição mais especial , um semelhante á tua imagem que torna isto de ser humano menos estranho, afinal há outros por ai como eu, a estrela no topo de uma árvore natal que já brilhava sozinha, o guia de viagem que te aponta para direcções e paisagens que nunca terias , tão distraído, visto.

Dizem me que vejo pessoas como jóias mas que nem todas valem esse apreço.
Talvez seja verdade mas também talvez nunca ninguém lhes tenha dito que elas têm valor , que elas reluzem mesmo quando estão baças , talvez elas nunca tenham tido casa...oportunidades e meios para superarem profundos traumas e desafios, talvez nunca tenham sido acolhidas, nunca lhes tenha sido uma mão estendida sem julgamento ou á espera de algo em troca .
Talvez nunca ninguém lhes tenha dito, tu estás bem como és, podes largar as malas , a bagagem tão pesada e dormir aqui.
Podes ficar, podes ser, podes vencer...

Eu vejo a ferida de onde sangras e é ai imediatamente que vou mexer, alguns odeiam e contorcem-se de medo outros adoram e continuam a voltar por mais.

Desculpem pela inconveniência e maus modos.

As vezes não consigo estar parada , ver um problema por resolver e não fazer nada.



Estou a aprender a pedir licença.




Sarah Moustafa

domingo, 13 de novembro de 2016

Pegadas Lunares



Um momento de pausa, uma reflexão ponderada
Um minuto de silencio por tudo o que foi perdido, a ampulheta roda e soterrou-te no tempo.
Um minuto de gratidão  por tudo o que inesperadamente foi ganho, tornados são violentos mas deixam de pé apenas a verdade do sentimento.
Estou em desalinho com isto, já está? já foi embora? já acabou?
Não dói mais? Já se transformou? Já se desapegou?
O meu trabalho ficou feito ?
Vozes, guias, mestres endiabrados , remetam-se por uns dias ao silêncio.
A lua está cheia quero namorar com ela, suspendam as dúvidas no ar , façam delas algo útil, uma nova constelação? Um brilhante caminho de estrelas?
Não tenho que pedir desculpas porque quero parar ( acho? ) ( devo ? ) ( mereço ? ), ou porque tenho saudades de adormecer de real cansaço de um dia bom, pleno e cheio, de um dia em que acho que sei o que é isto de viver.
Talvez volte a entrega aos meus sonhos idílicos, consiga voltar a interpretar planetas e seguir na órbita rumo ao fantástico, obras perfeitas inscritas nas minhas mãos.
Apelo ausência momentânea de tudo que não é poético ou belo!
Deixa estar o sono de descanso do guerreiro ou encantamento da bela que se sente adormecida.
Quem somos nós para ditar quando estes devem acordar?
Tiro os sapatos e a roupa que bem sabe andar descalça entrar no oceano onde o corpo flui e a companhia é só este reflexo lunar.
Será o banho cósmico que me irá ajudar a renovar, será este momento pelo qual tanto que tive de lutar?
Não importa, o mar e a imaginação não tem interesses pessoais, são para desfrute e comunhão.
Não era amor que querias?

Aproveita , é momentâneo, e o que somos senão momentos entre um mundo de guerra e um mundo de paz?





Moon Prints #1



You pull the strings and I play along

But...

Darlin' Darlin' , 

How  would you walk this earth without my song ?






Sarah Moustafa 

sábado, 12 de novembro de 2016

Sem- abrigo




Já não me importa para onde vou daqui em diante, que planos traçar, que palavras cuidadosamente arranjar.
As listas, as tarefas, as penalizações , a fotografia mais bonita de um retrato que nunca foi meu.
Não há tréguas, a paz é forma distorcida e manipuladora de outro ângulo da perversão!
Entrego os recursos que tenho, pago as minhas dividas e esvazio tudo o que existe dentro desta casa.
Não consigo olhar para mais nada que ainda aqui está.
Rasgo em violentos impulsos este papel de parede, onde tantas vezes nos encostamos, tem o vulto das nossas silhuetas por toda a parte e o bom gosto que denuncia a forma como dois corpos também criam arte.
Não quero mais saber da classe , todo este tempo... e o poder esteve sempre nas minhas mãos, Esmago com as mesmas os cacos daquilo que fingiste não partir, fingiste tão bem com a tua voz melodiosa,  eu vou só ali...
Claro que nunca mais voltaste, deixaste-me sozinha na bela mansão, sabias que sem ti toda ela iria definhar, tentei, tentei mesmo a sério preservar tudo... mas há tanto que um mero mortal possa fazer contra forças do mundo sobrenatural.
Permaneceu este templo assombrado onde ninguém ousa entrar onde, até então, eu jamais poderia sair.
Eu nunca acreditei em nuncas , essa é a minha benção e a minha maldição, quem é que dita o que posso ou não fazer ?
E então se fores o homem da minha vida ?
E então se me deixaste aqui a morrer enquanto seguiste divertido para a tua próxima aventura?
E então se não me pedes desculpa ou dás qualquer tipo de explicação ?
E então se nos perdemos para sempre e tudo foi em vão ?
Vai para o raio que te parta e leva todos os apetrechos que aqui ficaram.
Estou a regar gasolina em tudo e tenho um fosforo aceso na mão.
Sempre acreditaste que eu era parte de um fenómeno raro da natureza.
Guess what ?
Estavas certo.
Apenas a antecipação de largar esta pequena chama e ver tudo , enfim, arder deixa-me em êxtase,orgasmo redentor de liberdade !
O fim está finalmente próximo .
Posso ficar sem tecto, andar milhas neste longo e desconhecido trajecto, posso passar frio, fome, ser vitima de qualquer horrendo crime.
Não tenho nada e por isso nada tenho a perder.

Mas o mundo agora é meu.








Sarah Moustafa 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A graça da nossa morte



Talvez eu seja a única que permanece agarrada a uma chama extinta, talvez regue flores mortas e queira acreditar que lhes posso mudar o destino.
Devia era por me andar e seguir para Norte, ao pico mais alto que neste mundo existir e lá sozinha para sempre, residir.
Longe de memórias, de pessoas, de circunstâncias vãs, tantas horas roubadas e oportunidades desperdiçadas.
Talvez um homem possa ser uma ilha só e viver apenas de si e para si, sem distracções, sem partidas injustificadas, mortes impotentes nos seus braços , assistir a um mundo inteiro a ruir e sentir exaustivamente que é tão pequeno, e que nada pode ser feito !
Aqui em baixo na Terra concreta é o Golias quem vence.
Talvez devesse ser cobarde, isolar-me para sempre e por completo, porque se calhar tudo em que acredito são sonhos desfeitos em papel e contos de encantar á beira da cama da menina que nunca fui.
Devia doar tudo , arrancar de uma vez todos os apegos , ainda que implique deixar de ser EU.
Que importa quem sou? Quem fui ou irei Ser ?
Que importa que tenhas desistido e o meu coração permaneça partido, coitadinha de ti...
Que importa que o amor seja real, se não foi essa a escolha e a consequência é este fim.
Atiro tudo os céus, entrego-te a Deus.

Vou partir mas ... se algumas das flores voltar a vida, grita á tua volta como foi ver um milagre nascer.
Não deixes outras almas abdicarem da fé no outro, em prol de si mesmos e dos espaços que deixaram incompletos.
Dá a tantos quanto possas a prova do que não chegarei a ver,


Era só isso este tempo todo, uma pequena prova.







Sarah Moustafa 


Arritmias #32



Sei que estás preso ás conversas mudas entre a tua consciência e a tua poltrona.
Mas ...
Não importa , a coroa que sustinha o teu reinado já tombou há muito tempo.
Veio cair aos meus pés , é isso que te transtorna  ?


Acaba lá com os debates morais , não estão nada adequados a ti.
Não te ficam bem.

E eu gosto de te ver vestido, como deve ser.






Sarah Moustafa 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Um pouco de dó, nenhuma piedade .




Vá lá, confessa-te
O mesmo que te fazia num segundo aumentar de tamanho
Logo de seguida fazia -te recolher numa figura tão pequena
Diminuída á vulnerabilidade das tuas verdadeiras carências
Dos teus , não tão secretos , desejos
Pensaste que serias menos homem ?
Tremeste, correste em círculos e acabaste de onde tentaste fugir
A teia voraz desta dependência

Vá lá, para quê tanta penitência?
Nós sempre fomos fiéis devotos á mesma bíblia
Não estás a seguir os mandamentos
Estás a conformar-te , pequenas doses, potenciais entradas gourmet
Mas tu és velha guarda, só ficas bem com desafios maiores que tu
Precisas da refeição toda

Vá lá , exorciza-te
A insatisfação crónica de apetites não colmatados
Deixam-te doente, estás a arder em febre
E depois sou eu a diabólica
Está bem, continua.. procura por mim mais um bocadinho.
Eu gosto de brincar ao quarto escuro.

Vá lá, que culpa tenho eu ?
De achares que encontras o segredo do universo ( entre as minhas pernas )
Golpe baixo,  demasiado sujo ?
Não é este o verdadeiro reflexo? 
Estás confuso ? 
Não existem verdades absolutas, mas algumas são eternas 

Eu não te acuso dos meus pecados.
Garante-me a mesma cortesia.
Já há muito tempo que me pus de joelhos e rendi.
O Diabo não é misericordioso.
Amén.

É por isso que o adoramos.






Sarah Moustafa 

Ups #12





Nada pessoal 

...


Excepto que comigo... tudo é pessoal. 





Sarah Moustafa 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Grand Finale




Estou a espera nesta sala de cinema vazia e tão escura
Que apareças , há um ano que quero usar estes bilhetes
Que te sentes comigo e em silêncio apenas observes
A imagem, o som, a paisagem, a performance
De uma história perfeita mas tão mal realizada
Não julgues, Não desapareças , isto não é só sobre o que sentes
Vê comigo as falhas conjuntas neste roteiro
É demasiado, reconhecer ?
E dizer apenas... Desculpa. Sei que podíamos ter feito bem melhor.
Não precisas de palavras, a sala tem as luzes apagadas
E eu sei reconhecer o que confessam os teus olhos .

Sabes tu dos meus?








Sarah Moustafa

domingo, 6 de novembro de 2016

Oh... Fuck it.



Desculpa só conseguir escrever sobre ti ( = sempre a nós ) , não é como se não tivesse outras experiências que expressar, afinal a minha vida quase dava um filme, mas... tu  trouxeste-me de volta a casa.
E eu odeio-te, tanto , por isso.
Agora fujo para onde ?
Desresponsabilizo-me com o quê ?
Foste e serás sempre só um estranho , certo?
Um forasteiro, pássaro livre sempre a procura da sucessiva novidade, da próxima maratona.
Foi isso?
Não acreditaste na sobrevivência do meu fôlego ?
Vês... já me estou a  desviar da linha que comecei por estipular.
Lá estou eu a tentar a delimitar espaços e fronteiras entre o que é e não é aceitável.
Será que me julgas? Será que te enfurece? Será que te é indiferente ?
Será que degustas cada palavra com a indulgência com que sempre saboreamos o corpo um do outro?
Será que está tudo exactamente ao teu gosto ?
I don't fucking care !
Consegues sempre por me em causa sem qualquer tipo de efeito, porque eu deixo...
Why is that ?
Boa pergunta, porquê ?
Será a minha sabotagem? Será que no fundo quero ser réu e júri de um espaço que secretamente condeno ?
Será que quero ser vitima , mártir que se abnega em prol de uma ilusão chamada de amor ?
Será que faço isto tudo para receber de ti cada vez menos, afastar-te por completo ?
Será que te quero, só por não te poder ter ?
Schhhhhhhhh
Desculpa, as vozes tomaram conta , roubam-me sempre a certeza de Ti.
Eu não preciso da certeza ... casa-te , vai te embora , não respondas, não olhes mais para trás.
Já nada te liga a mim.
Não me leias, não me vejas, não me imagines , não me sintas, não me mintas.
É assim?
Quantas vezes exaustivas repetes isto para não cederes ao que crês ter fim.
Oh... Fuck it.
Estes Domingos são sempre críticos.
Vou experimentar um pouco do teu remédio.
Não somos assim tão diferentes, talvez funcione e esta maleita enfim se cure e  eu deixe que um outro corpo comigo se deite.
Foi assim tão fácil?

Desculpa que te use para chegar ao fundo de mim.

Prometo depois parar.


Mas isto nunca vai parar , pois não ?







Sarah Moustafa

sábado, 5 de novembro de 2016

Um núcleo de fogo, Uma máscara de gelo






O Inverno continua a querer permanecer no caminho.
A gigante montanha de gelo e o teu perpétuo estado de hibernação.
Sempre acreditei que as labaredas , onde a paixão arde continuamente , fossem mais fortes!
E que o Monte Evereste, também derrete !
Mas apenas eu adiciono achas á fogueira e este fogo não só de mim é feito.
Estão a cair flocos de neve e ela enfraquece.
Tento aquecer as minhas mãos a pele ainda queima , denuncia que está adoecer, e para me preparar , noites cerradas são decoradas ao tributo de tantas mortes.
Quebro de joelhos e choro.
Pensei que a força de um homem só ditasse a sua sorte !
O cansaço solitário do nosso mútuo abandono reserva neste espaço melancólico uma vã esperança, companheira da nossa miséria .
Tem mesmo que ser eterna ?

Estás ai , estou aqui.

Dita-me o que fazer com a pequena chama , está a morrer .
Deixo-a simplesmente desistir ?
Sou péssima com decisões .

Sempre foste a voz profeta.


Não está certo, não deixes o teu lugar.





Sarah Moustafa 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Arritmias #31




Ignoramos a sinalização que advertia eminente perigo.
Capotámos como previsto, eu gritei para que reduzisses velocidade.
Não me deste ouvidos.

Agora não te queixes das mazelas, do que ficou partido.

Está tudo errado, foi um mero acidente de percurso ?

Cala-te.


As estrelas continuam a iluminar- nos ainda que só as vejas de pernas para o ar.







Sarah Moustafa




De Lá (...........a..........t..........é............) Aqui .




Não há muito para falar , a vida seguiu em frente , deixei-te seguir caminho .

( ...................................................................................................................................... )

Que bom samaritano  !

Só os corpos avançaram , as almas permanecem penduradas .

Eu adoro suspense mas certos mistério tem que ser desvendados para que outros mais nos possam intrigar.

Senão tudo se torna um mero cliché, e que fim detestável para dois espíritos de vanguarda.

Queres transformar isto num filme de terror ?


Vendo bem o meu peixe ?


( .......................................................................................................................................... )

Há tudo para dizer, o que chamas de vida parou , e não... NÃO me permitiste ir a lado nenhum.

E ainda assim,


Está  tão escuro, não faço ideia de onde estou.

Sabes , tu ?

Ajuda -me, então .


( ........................................................................................................................................... )


Não rodeies , aparece... VEM .






Sarah Moustafa


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Fases da Lua #3





Ficamos sempre na dúvida, por excesso ou defeito,  se estariamos á altura !

Como é possivel? O reflexo esteve sempre tão evidente.

E agora ? A nossa liberdade não começa onde a do outro acaba.

Espelho meu, Espelho meu ... Quem é ele , quem sou eu ?

A nossa voz, é  uma.







Sarah Moustafa 

Tradutores sem dicionário





É fascinante como costumava ser tão fácil comunicarmos, terminar as frases um do outro com um olhar , colocar os pontos no i's num disfarçado auxilio enquanto desfolhávamos mundos entre lábios.
Em que momento deixamos que essa ajuda se voltasse contra os seus criadores ?
I mean... Estávamos perto de criar toda a raiz de uma nova linguagem !
Quantos caracteres estão inscritos na nossa pele, quantos dialectos foram exaustivamente praticados?
Como é que se tornou tão difícil receber informação ? Como acabamos moribundos á procura de um tradutor que nos estenda a ponte de encontro ?
Fecho pela enésima vez a mesma enciclopédia.
Cansei me de procurar respostas através de outras vozes e ecos de experiência.
Vou chegar á falha do sistema e desculpa se só o consigo fazer através de ti.
Mas tal como eu criaste uma obra prima sem querer.
Os acasos assinalam os pontos do sentido destinado.

Sei que tanto foi perdido na falta de tradução , existem sempre dois lados da mesma história, o que me dizes não fazes sentido nenhum e etc etc etc ...

Mas...

Talvez tudo que seja preciso seja um grande par de coragem, deixar que o perscrutar da alma ,assinale a devida mensagem.

Seja ela qual for,


Vamos lá por isto em pratos limpos.










Sarah Moustafa 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Doce ou Travessura ?


     


Tantas perguntas sem resposta , bato a porta tão insistente
Que idiota .
Tantas respostas á procura da correcta questão .
Foges , ergues enigmas para não confrontares o que sentes.
Não sabes descalçar esta bota.

E se não forem palavras que nos podem clarificar ?
O submundo é a nossa verdadeira casa.
Sei que os teus olhos conversam no escuro
E eu não tenho coragem de os enfrentar
Somos farinha do mesmo saco.
Mas...

Talvez tenhamos algo que nos possa ajudar.
A vela está gasta mas ainda acesa.
Desafio - te , vem comigo e a mesma vamos , de uma vez por todas, apagar !
Deixarei um último toque , deixarei o vestido cair.
E enquanto me apertares nos braços da tua incerteza
As muralhas colapsarão e tudo que ainda nos liga
Acabará simplesmente por ruir.
Não é isso que precisas ?
De nos matar ?

Mas desta vez fá-lo de forma competente.



Desafio-te







Sarah Moustafa