sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Há algo de "errado" comigo ? Sim. Tudo o que está "certo" em ti.



Importam as escolhas que não fazemos.
As palavras que não dizemos e as emoções mais ocultas que se escondem de si mesmas.
São essas profundas, intensas, viscerais que nos dão a verdadeira cor do mundo secreto em que todos vivemos sem habitar.
É essa lua negra que nos aufere o mais genuíno brilho.
É essa que potencializa a essência mais pura e desvinculada da realidade material.
Descer ao esgoto privado que fazemos  questão de esquecer que temos, putrefacto por essa  mesma tentativa destrutiva de o apagar.
A dor, o ressentimento, a raiva, a culpa e a vergonha que se reduzam e se infiltrem no organismo até que dêem cabo dele.
Até  que não  seja mais possível brincar, ao está  tudo bem comigo e tudo errado contigo e com o mundo.
Até que o centro do tornado se torne mais irresistível do que a tentativa de fugir dele e da verdade de nós.
Dói mais não estar presente com a nossa dor do que estar com ela.
É impossível embarcar numa visão mais  positiva sem antes integrar as mais dolorosas, negras facetas de nós.
Não, para quem tem negatividade na forma de pele.
Mergulhar na água  perfeitamente límpida  e sair dela com todo o lodo a emergir na superfície.
E não é limparmo nos dele mas antes reflectir como esse lodo, esse nojo, também é parte da água, parte do corpo, parte de ti.
E consegues deitar uma parte de ti fora?
Que serias tu sem ela?
Ao redor dizem te que sim, vai de encontro alegria de viver, esquece a dor, esquece a memória e o passado.
Basicamente estão a pedir que te esqueças de ti e atestar que tens algo de errado.
Mas como pode haver algo de errado contigo se fazes parte desta realidade e ela de ti?
Se somos todos parte do mesmo.
Resistir é o que causa a identidade fragmentada.
Resistir aos pensamentos absurdos que não queres ter, porque são perversos, porque são duvidáveis, porque nem sequer deviam existir.
Ou porquê é que vou deixar ,  permitir , sentir emoções se só me deixam vulnerável, exposto e pronto para ser magoado ?
Estamos sempre a resistir e é isso que nos provoca a nossa miséria, não permitir que tudo flua como parte do mesmo.
Não procurar integrar as polaridades que de opostas pouco tem.
É fácil? É bonito? É limpo? Tenho um arco iris a minha espera no final?
Não.
É rápido? Indolor? Faço uma vez e já está ? Feliz para sempre?
Ainda menos.
Tens te a ti mais presente em ti mesmo e na verdade do que és.
Não sei mas .... Não daí que a mesma beleza nasce?
Que a abundância e nutrição de amor-próprio floresce?
Um livro de auto ajuda nunca te vai ajudar.
Lê a própria palavra auto-ajuda.
Lê mais uma vez.
E outra.
E outra.




Just saying.



                         
     


                                                             



 Sarah Moustafa  

O não sei , que passe a saber.


Não sei como aconteceu.
Não sei se importa o como e o quando e o porquê.
Não sei que relevância acresce a procura de factos quando o facto maior já está, há que tempos, a gritar por evidência e eu recuso me a ouvir.
Quero os detalhes mais que o alcance de uma perspectiva maior.
É assim que funciono nas linhas que permitem o próprio funcionamento.
É desgastante e inútil buscar a minúcia em tamanha subjectividade , mas eu só sou produtiva no que é difícil.
Aconteceu, não chega.
Foi assim, nunca vai chegar.
Há sempre um véu tão fino de acontecimentos, acasos e momentos em cadeia que simplesmente não sei ignorar.
Se esta ali tão  perto , a brilhar no fundo do seu enigma é porque é suposto alguém o agarrar.
Tentar descodificar o quase indecifrável, sim porque enquanto for quase é ai que o foco vai estar.
O inatingível logo se vê.
O não há respostas para tudo que se encontre.
O não há coincidências que se aprofunde.


Eu vou lá estar. 



                       



   




Sarah Moustafa 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Weirdo.





Os sonhos caem nos dias que não se levantam


As camas entorpecidas que acordam sem despertar


A vida parada no tempo


O espaço demasiado curto


O contra relógio acaba sempre por ganhar


O propósito, o caminho em vida ou falta dele.


Cansaço riscado nas palavras


Gargalhada do diabo


Imagens do oculto sempre a espreitar


A inocência do velho


A sabedoria da criança


O avesso dos passos


O contrário dos supostos


E a linha recta sem os seus pontos para traçar


Um choro sem poesia


O profeta sem mensagem


A musica ausente de melodia


O papel amassado no chão


Os ventos frios arrancam folhas


Prenunciam um nova estação


Falta a novidade


Sempre previsíveis


Na falta de excitação


Não se abre a falha


Não se quebra a regra


Somos nós


Incoerentes


Acreditamos no azar


Nunca na sorte


Não tentamos jogar


Não sabemos o que fazer com que já está feito


E não queremos saber.


Afinal tudo se resume , antes, ao que está desfeito.


A inquietação não quer ser tua amiga


Quer que te faças a estrada que ainda não foi construída.






E como tal muito poucos, vão entender um centésimo que seja do que estou aqui a dizer.






Não faz mal.






Acham que eu sei ?



                 






                                                        Sarah Moustafa  

domingo, 7 de setembro de 2014

Um novo tipo de céu





Não sabia que o corpo me pedia,


Alma sedenta de si


No mar revolto de um final e inquieto dia


E o nome suspenso


Na prata de luz das noites que te prometia


A chegada de um amanhã


Que o presente sempre me escondia


E romance arrumado nas prateleiras


Que nunca vendia


Não.


Não sabia que tinha um mundo maior


Que no peito a imensidão cabia


E o medo de perder


E a força de ganhar


Além do que a sina previa


Uma mulher perdida na multidão


Um homem feito da mesma canção


A paz parada no meio da histeria


E a voz da vontade


Erguida na pátria sem geografia


Um momento


E deixamos de ser profecia,


Outros momentos mais...


E deixamos as pegadas


Na história que o tempo queria.


E sol já não nasce.


E o dia já não parte.

Há um todo novo tipo de céu

Pintado da nossa arte.



                    






                                                     Sarah Moustafa