segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Não sabemos, já ?





Vá lá ...já sabemos melhor que isto.
Já tivemos o tempo, que nunca se tem, para o perceber.
Para desenvolver as certezas da finalidade que não se define.
Para arrombar as portas que não existem mas insistem em denunciar a entrada.
Para reconhecer o paladar irreconhecível dos dias que não existem quando é a noite que nos uiva.
Para desenhar as imagens secretas que nos assaltam os pesadelos que queremos sonhos.
Vá lá , já sabemos que nada temos.
Nada resta do vazio que nos enche o corpo de falsa vida.
Somos estranhos, seremos sempre estrangeiros na pátria que um dia julgamos nossa.
Somos tiranos do poder que jogamos em perversidade aberta, na esperança de torna la menos assustadora, mais normal á anormalidade que nos veste.
Já sabemos que nunca saberemos.
O gosto de um conforto abraçado, de um beijo entrelaçado da diária dose de paixão que nos prende como se nos permitíssemos, selvagens espíritos, por ela dominar.
Porque dançamos sem música?
Vá lá.
Já sabemos que nunca vai resultar.
Já sabemos que devemos avançar.

Por isso, pára de tentar....o que já conseguimos.

Já devíamos saber, por esta vigésima quinta hora, quando parar.






Sarah Moustafa.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Oposição.




Esta sombra
Luz em vida
Que me guia
E desnorteia
Que me liberta
E refreia
Esta oposição de sentidos
Que tentam por tudo
Nada sentir
Quando aprendo a lição
Que só se aprende
Quando se aceita a linguagem
Do coração?
Os partos que me restam
As mortes que me levam
As horas que não me sossegam
Quando, Quando?
Me levam elas
Ao caminho...do horizonte
Que me habita toda esta insatisfação?

Tenho o paladar de tudo
E por isso nada me saciará.

Paz, quem a faz ?
Quem me a trará?




Sarah Moustafa 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Burn.Burn.Burn.



Queima-me.
E eu gosto.
Dói-me.
E eu peço por mais.
Afunda-me
E sinto-me tão leve.
Sufoca-me.
E nunca respirei tão bem.
Prende-me.
E sou tão livre.
Deixa-me.
E nunca estive tão perto.
Cala-te
E nunca falei tão alto.
Pára.
E sempre começa.
Arde-me.
E eu impero.


Estou doente.



Mas nunca me senti tão saudável .




                             


                   

Sarah Moustafa 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

São sempre as mãos.






Sei que são as mãos. 
São sempre nas mãos que começam e terminam a extensão das palavras que nos arrancam e devolvem, repetidamente, a paz das trocas que não confessamos.
São sempre elas que se tocam como se conhecessem os milénios que nos separam, como se pudessem devolver ordem ao caos que trazem.
Não podem, mas insistem que sim.
Não sei se gostam apenas de nos mentir ou se acreditam numa ideia com tanta intensidade, que resvalam a loucura lúcida, do dia essencial em que foram criadas.
Gosto de apostar na mentira, é mais fácil.
E o facilitismo entendia-me.
Não passa tudo de uma estratégia diabólica para nem sequer pensar no assunto.
E resulta.
As vezes.
Nos intervalos acontecem momentos destes.
Momentos que me enchem de adrenalina, daquela mesmo, que vicia, devora, rasga, trespassa, um corpo que é apenas humano. 
Que é apenas um corpo em constante queda diante da rajada de emoções.
Já não bastariam aquelas que lhe são inerentes, ainda existem aquelas que gostamos de puxar.
De atrair até nós na irresistibilidade da dor, que dói tanto, e nunca aleija.
Nunca o suficiente.
Por isso sei. 
Sei que são as mãos, como as minhas, que não conseguem parar, que não conseguem apagar o que lhes foi escrito nas palmas e que sobrevive , sempre por pouco, neste coração.

Malditas.

Sabem o seu lugar.




Sarah Moustafa 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Denial - Heart Notes #10


Im not.
Even tough my blood starts to pump faster at the sight of your name
Im not.
Even tough your breath haunts me in the dreams im forced to have.
Im not.
Even tough im burning since we first met.
Im not.
Even tough i cant hide. 
I cant run. 
Im frozen in the time where the moon stands
I cant lie.
I cant deny
But im not
In love
Im trapped
Kidnap in the sights
Of a whole new world 
I can not confess.

Please stand back.
We ll sooner or later

Regret.

                      

                    




Sarah Moustafa




Faces da Lua #6


                        


     

              Nós vivemos no presente...mas nunca no agora.










                                                             Sarah Moustafa 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Faces da Lua #5



Nascemos e morremos sozinhos.
No intervalo descobrimos a falsa sensação de que não.
Que temos a companhia verdadeira de alguém nesta caminhada e que por termos é tudo o que necessitamos para nos validar.
Para nos dizer que temos valor, que somos uma pessoa no meio da selva que nos rodeia.
Quando nesse intervalo rapidamente descobrimos que o nosso amor próprio, nunca se desenvolvera dessa forma, começam todos os problemas e todas as soluções.
Porque comecas a ser tu para tudo e tudo por ti.
A bem, a mal.
Com risos e lagrimas.
Com dores ou suavidade.
Com amores ou rivalidades.
Es só tu.
E não precisas de mais nada, ainda que esse nada insista que sim.
O tudo também está em ti.
Nao é a solidão... Mas a importância de assumires que es só.
Ainda que rodeado, ainda que amado e acarinhado.
E eu não acredito em verdades absolutas.

Bem excepto...talvez, por esta.

Acredita.




                         



                                                         
                                                                Sarah Moustafa 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A velha, nova, história .



Sentindo que sim, sem espaço para poder acontecer.
Como se a teimosia ditasse o resultado das minhas afirmações.
Como se houvesse verdadeira escolha nas partes que não dependem de mim.
Se tudo dependesse, estaria tão mal.
Sou a minha inimiga, o meu carrasco maior.
Nas escolhas que faço onde não devo e nas que deixo de fazer por medo, culpa e ressentimento.
Chegou uma novidade mas a velha história não parte.
Não parte nunca, pois não conheço o sentido tão necessário e saudável de uma despedida.
Seguro. Retenho. Reservo.
O mal, o bem , as partes que me compõe a incerta certeza que algum dia a memoria cada vez mais longínqua foi real.
Restam-me sempre as palavras e a neblina num cigarro de uma noite reanimada.
Restam-me sempre as gavetas, o baú, as divisórias que tentam mas não separam nada.
O que é um ex?
Senão um extra sempre na bagagem, na linguagem, parte de nós para qualquer nova viagem.
Que deixa de ser, continuando a ser.
Gosto de pensar que não me proíbo a felicidade mas antes que a limito em prol do egoísmo de não me querer largar do que um dia foi querido e vivido como um para sempre.
Talvez o para sempre seja isto, a venenosidade de todos os dias.
Todos os dias.
Todos.
Que sempre algo muda, sem nada mudar.
Sinto que sim, chegou ou está a  chegar.
Mas a nova história é  um eco da glória que não é, não foi e nunca será.

E sei lá eu... me entregar.




























Sarah Moustafa 

A lista.





As Palavras.
Linhas.
Linguagem.
Noites frias.
Dias quentes.
Abraços inesperados.
Beijos Ardentes.
Surpresas.
Histórias.
Família.
Romance.
Sensibilidade.
Conhecimento.
Adormecer sem me aperceber.
Acordar sem ter que me levantar.
Escrever como quem fala.
Contar com os olhos, como quem cala.
Silêncios ruidosos.
Viajar internamente.
Paixão.
A despedida Outonal.
As lágrimas nos lábios.
O sorriso nos olhos.
Euforia.
Melancolia.
O véu.
A transcendência.
Perguntas.
As respostas .
O Preto.
O Corpo.
O profundo .
A Boca.
A imaginação.
O cheiro .
O mistério.
A utopia.
A dificuldade.
A sombra .
O poema.
A Lua.
A hora extra.
A convulsão.
O medo.
O grito .
O êxtase.
A cama.
O segredo.

As palavras.


Sarah Moustafa 




domingo, 19 de janeiro de 2014

A (In) Verdade


Sou uma romântica irreparável e essa é a minha bênção e a minha nota de auto-destruição.
Sou e não há nada fazer, excepto por tudo aquilo que ainda existe, e que ainda tento.
Relacionar romance com corações cor de rosa é a maior das ironias que o sarcasmo em si lançou na sua geração.
Eu apostaria no continuo descarrilamento de uma montanha russa, que sempre no derradeiro segundo, se salva de volta á trajectória assolapada da mesma.
Eu apostaria na voltagem eléctrica que nos descarrega a vida e traz a quase morte.
No corpo alienado da sua vontade ou estrado de independência.
Nos gritos que não se ouvem abafados pelos majestosos fogos de artificio numa esplêndida noite de magia.
Nas irregularidades que a mais delicada das texturas esconde.
Nas areias movediças subitamente aparecidas na calçada de uma cidade.
No percalço, no acidente, no pressentimento, no arrepio, na estranha obsessão que algo tão belo nos pode assombrar.
No medo exorbitante de ser feliz e perder.
Na obra prima , eternamente inacabada, trágica e misteriosa, suspirada pelos escombros de séculos e história.
Na flor que alguém abandona no vazio de uma estrada, imobilizada, completamente apaixonada com o perigo que esta nova visão lhe permite absorver.
Com a chuva que o sol inesperadamente convida a entrar, recolhendo-se num anormal compasso de cumplicidade.
Sou uma romântica no termo mais profundo que existe.
E é tudo menos doce.
E é tudo menos bonito .

É verdadeiro.



              







Sarah Moustafa 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Heart Notes #9



Every beauty needs its beast to know... she's not that beautiful.
Every beast needs its beauty to know... he's not that bad.







 ( Tale as old...as time. )






Sarah Moustafa 

As horas que nos roubam o tempo.



Queria já ter tido o tempo que ainda não chegou.
Puxar a inevitabilidade nas rédeas das minhas mãos e segurar as circunstâncias de um futuro desconhecido que aterroriza o próprio medo.
Queria já ter beijado as bocas que ainda não tenho para beijar,
Amar as curvas e melodias de cada corpo que me trespassa as entranhas de ferro, fogo e paixão.
Queria já ter chorado as lágrimas que ainda não me caíram no canto sujo que as aguardam, ressequidas de sede e perdão, mudança, limpeza e catarse de emoção.
Queria, sim, já ter pronunciado todas as despedidas, todas as mortes e nascimentos de uma linha de vida de conhecimentos.
Queria poder fazer batota, num jogo que nunca é limpo.
Como se o destino se fizesse de justiças e longevidade no seu traço de vida e palma de mão vigente.
Como se as escolhas fossem dele ou nossas.
Como se os símbolos do amanhã se abrissem ao presente .

Queria poder ter o tempo que não sei se tenho e se é suposto ter.



Mas queria..., queria poder ter tudo o que inunda de sabor a estes pequenos nadas.



                             

                         







Sarah Moustafa



Eu, que não sou.



Escrevo me para ser inteira no fragmento que me projecto ao nome de uma vida.
Pois a totalidade é uma parte dispensada de todas as outras , mas ainda assim, uma parte.
Escrevo me para resolver o insolúvel, onde entendo as motivações que me levam em primeira instância a fazê-lo.
Escrevo me para me ler, sabendo que se de facto o soubesse fazer deixaria de me poder ... Ser.
Porque me importam a profundidade dos meus buracos negros e a forma das constelações de um universo inteiro que me compõe a alma ?
Porque me importam os danos, as lágrimas, as fracturas e o sangue derramado à ascensão de um sentido criativo que me materializa a existência ?
Porque me me importam as questões inquestionáveis?
Respiro perguntas.
Inquiro metamorfoses ininterruptas, doces e violentas que eclodem internamente e se extriorizam ao que me rodeia.

Porquê ?

O que tem esta palavra de especial para seja a única que transcreve a verdade essencial... de um nome ?


Eu.



                     



Sarah Moustafa


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Odeio te.




As vozes que te falam na escuridão escondida dos dias que me brilham, que te abriga, na orbita dissimulada da evasão.
Só te evades para que ganhes espaço de invadir mais. 
Odeio te.
Porque não percebo o imperceptível tom da voz cerrada que continua a sussurar.
Odeio te.
Porque não sei diferenciar a lágrima grossa da leveza da gargalhada que me satisfaz e sem contigo saber,destroça . 
Odeio te , por tudo o que não sei e já devia de saber.
Como este ininterrupto olá a cada silaba do adeus.

Odeio te.

Tanto.


                     






Sarah Moustafa.  

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Estranho.


Estranhas são as sensações de um mundo tão perpétuamente novo naquilo que o torna velho.
Estranhas são as intenções do corpo tão concretamente materializado na realidade que não o compõe.
Estranhos são os culminos de um vulcão que adorme a erupção da sua intensidade.
Estranhas são estas palavras que se escrevem como se se podessem ler.

Não podem a textura estranha embebida nos átrios comuns, perceber.
Não a podem sequer, ver.




                   
                 





 Sarah Moustafa