sexta-feira, 31 de maio de 2013

Equilibrium




Equilibrium

Ter a palavra certa
Na frase incompleta

Equilibrium
Segurar a caneta
Feita de rastilhos 
De um cometa
Ser só
Um profeta

Equlibrium
Transbordar sorrisos
Feitos de Lágrimas
Letras de Juízos

Equilibrium
Ser Nada
E ser tão Pouco
Encavilhada numa palavra
Desdobrada
A alma e tanto
Equilibrium
Entre o Diabo e o Santo

Quanto peso tem
O encanto de um
E o pranto de nenhum ?

Existe
Equilibrium
Algum ?



Sarah Moustafa



quinta-feira, 30 de maio de 2013

Declaração II




Não existem razões no mundo que cheguem em suficiência, para comportar o tamanho, de como errado tu és para mim.
És um erro terrível, tremendo estupidamente irresistível dentro do próprio horror que me causas.
Tenho medo.
Tenho tanta certeza de todas as incertezas que neste corpo podem caber.
Tenho todos os motivos que ultrapassam qualquer contabilidade possível e numérica que me o mostra e não tenho um sequer algarismo que me defenda na sua precária posição.
És inteiramente errado para mim. Ponto.
Não és a pessoa certa.
Parágrafo.
E de todas as péssimas decisões que já tomei nesta vida, esta vai provar ser a pior delas.
Mas eu não lamento.
Não lamento que os nossos caminhos se tenham cruzado.
Não lamento que na morte dos meus dias tu foste a fonte de vida em que me embriaguei.
Não lamento uma reticência da exclamação peremptória em que me afirmei.
Não peço desculpas às previsões que neguei e ás cartas que não joguei.
Não peço desculpas porque me apaixonei.
Ponto.
E continuam a não haver razões plausíveis, merecedoras de uma sequer síntese de toda antítese posta na mesma história.
E continuam a não haver motivos compreensíveis, dignos e desculpáveis a um amor tão errado como este. 
Ponto.
Por ser tão certo.
Final.




Sarah Moustafa

quarta-feira, 29 de maio de 2013

E se ?





E se eu não quiser acordar? 
E se eu quiser permanecer neste mundo que sendo o meu , é perfeito?
O mundo que não me exige a humanidade á sua imagem, a pessoa que não consigo ser.
E se eu quiser resignar-me á surrealidade mais real em que alguma vez estive?
E se quiser continuar a beijar-te, mesmo sem lábios, se vibro com o teu beijo como nunca antes alguém beijei?
E se quiser continuar ausente de um presente suposto, e quiser viver neste paralelismo, que me faz mais feliz, do que qualquer outro tempo em que já vivi?
E se quiser continuar adormecida, se assim me sinto mais desperta e acordada do que em qualquer manhã que o fiz?
E se não quiser ser o propósito que não reconheço mas o de um universo silencioso que grita mais alto do que qualquer outro som que já ouvi?
E se quiser simplesmente , por uma vez, querer-me?





Sarah Moustafa 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Que idade tens tu ?



Que idade tens estranho viajante
Tão estranho de seres de ti mesmo
O grande amante ?
Que tempo por ti passou
E passa ainda, entre os ponteiros
Que a carne te assinalou?
Quantas vidas tiveste
E quantas lágrimas trouxeste
Entres sorrisos e palavras 
Que não disseste?
E quantos corações roubaste
E a qual deles
Desferido de coragem
Te entregaste?
Quantos anos tem a tua felicidade
O teu orgulho e espontaneidade
Que te inebria de Imprevisibilidade ?
As horas reformuladas
Surpresas reinventadas
Onde estão em ti entranhadas?
Que idade tens tu 
Lapidado Diamante?

Sarah Moustafa

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Escolher-te





Eu vou sempre escolher-te
Sim Tu
Tu que não queres e não me deixas
Conhecer-te
Que foges ao primeiro raiar 
E voltas ao ultimo suspiro do luar
Sabendo como vou receber-te

Vais ser sempre Tu
E sempre é só infinito
E mais além houvesse
Dimensão de homem bonito
Que não é belo
Mas nos seus olhos eu me fito

Eu escolherei sempre
O pior do teu melhor
E trarei á luz a tua dor
Porque é com ela
Com que faremos amor
Eu vou sempre escolher-te
Sim
Tu que não existes
Tu que só tens alma
Corpo por onde te evadiste?
Vagante
Errante
Menino perdido
Eterno Viajante
Diz-me porque me sorriste?

Sarah Moustafa


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Segredo





Queria contar-te o meu segredo
Esse que se conta
Entre a vontade e o medo
Queria mas não posso
Ditar-te ao que ainda é cedo
Pois o meu segredo
Já não o é
Guião desvanecido
Do seu enredo
Entre cada passo vivido
Como o primeiro infante
Do seu berço trazido
Espantado com tudo
O que lhe é conhecido
Queria contar-te
Sim como queria
Mas seria tomar-te
 A brisa da maresia
A surpresa infinda
Do segredo que se revela
Entre o poente e nascente
Sol de cada dia!
Mas como queria
Segredar-te
A fonte de onde bebia
E bebo esperando
Um encontro onde nos meus lábios
O meu segredo posso Dar-te!

Sarah Moustafa

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Declaração






Dizer-te como és bonita é pouco. 
Tão Pouco de muito que quero dizer.
Do que se pode dizer, tão longe daquilo que se consegue ver, quando realmente o estamos a fazer.
E fazemos deslumbrados com o nível de alienação, que apenas algo, cuja beleza seja de tão extraordinário que o fenómeno evoque verdadeira magia, mas que só ali, se efective porque se comprova em instantes arrebatadores, a sua abstracção que nos esmaga sobremaneira, que se torna concreta.
Não há suspiro que arranque, beijos que lance, olhares que alcance que perpetuem, o conteúdo na forma que caído de joelhos, abismado, estarrecido, embebido de sublimidade reconheço.
Não existem palavras suficientes, teorias e práticas abrangentes, musicas benevolentes e justificações inteligentes que suportem o tamanho daquilo, que por falta de melhor, no papel inscrevo.
És de tão única, de tão singular que nessa medida desconheço o que partir dali, desse instante tremendo, deixou de ser.
Danças os sete véus e cada um que deixas cair é mundo que cai comigo também.
Desabo-me e ergo-me mais forte a cada queda.
O mais lindo disto tudo é dizer que é essa beleza que me faz querer morrer. 
Desfalecer continuamente , perdida, apaixonadamente, uma e outra vez, só porque assim sei de facto como é viver.
Quando cai o ultimo véu fica o que de melhor um Homem pode desejar nesta Terra, um pedaço de Céu.
Sim és um pedaço de Céu na Terra. 
Sempre Tu e Eu. 
O mesmo pedaço de um todo.
O Horizonte.
Dizer-te como és bonita é pouco, porque não o és.
Sou eu. 
Eu que testemunho, eu que engrandeço, eu que faço a arte onde te capto e largo no mesmo segundo.
Eu que sou a inspiração que inspiras.
Que sei quantos segundos de ar respiras e respiro contigo olhando longe a mesma mira.
Quem está do outro lado?
Eu.
Sempre Eu.
Dizer que te amo é pouco.
Porque o que amo é o que em ti sou.

Sarah Moustafa

terça-feira, 21 de maio de 2013

Códices



Os códices secretos
Apontados nos ossos
Velados entre sonetos
Tatuados
São Tesouro aos nossos
Relíquias Bem Guardadas
Aos olhos lavados Encontradas
Esses códices incertos
Nos peitos fechados
Oráculos de acertos
São dividas e promessas
Ciclos de Recomeços
Portais Na alma abertos
Escancarados os Mundos
De tantos palcos e enredos
Divinos e Imortais
Pelos seus mesmos segredos
Como nos Desabrocha
A magia do que esta Vida Suporta
Gravadas as letras por toda a parte
Apagadas, Tingidas
Perceptíveis na sua Arte!
Essa oculta ao fundo das costas
Espinha Dorsal
Passagem Desnuda ás suas portas
De tantas encerradas
Abertas ás cegas 
Sentidas no enigma 
Consoladas!

Sarah Moustafa



sábado, 18 de maio de 2013

Desígnio



Almejo a simplicidade
Um desenvencilhar continuo
Desta teia em ambiguidade
Pedia a simples verdade
Que tremesse o chão
Da minha vontade
Empregue, Eu Sei
Em Cada Alma 
A Humanidade
Sou Materna
Nutrida de Fraternidade
Pois é desse Berço
Que cresço e meço
Aos anelos 
De toda e qualquer
Universal Autenticidade
Respostas são Múltiplas
Altares de Votos e Súplicas
Mas
Uma única
Eu quero
A que quedou
Como nas Ruínas de Nero
Á Efígie Aniquilada
Carne Aberta Dilacerada
 Na Paz e seu Império
Engolidos em Chamas
Ao Destino 
Imperador do seu Mistério!

Sarah Moustafa

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Toque





Um Toque
É o quanto basta
Um toque
 Que a Alma arrasta
Aos abismos
Em busca do tudo ao nada
Que nos aproxima e afasta
Um toque 
É tudo quanto é preciso
Ao Terror e Lirismo
Rompido o Corpo
Fendas da Terra
O nosso privado
Sismo
Um toque apenas
E o Universo Revolve
Adiante a sua Cena
Uma caricia
Ténue amena
Um toque
Arrepiado
Aos ossos quebrados
Caídos
Enamorados
Um toque
Quase tocado
Ainda não foi
Mas reside 
Entre duas peles
Camuflado
Um toque
Agora
Por Fora
Cá dentro
Só Um
Toque
Apenas

....

Sarah Moustafa


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Obsessão





Não se explica.
Não se complica mais do que já é.
Já basta esta sensação espartilhada, que consome o oxigénio, a cada batida que falta e está a mais, no intervalo de uma arritmia, que de quase tão mortal que é, é tão eficaz á vida estendida no seu rastilho.
Não sei se devo somar ou subtrair dividendos da euforia e quota parte de histeria, a essa turbina de sensações impenetráveis,  de tanto, que penetram. 
Fundo.
Convalesce á simples aragem de um olhar cruzado que se despem bem antes de se quererem nus.
" Ok isto passa."
O pior é que não passa. 
Fica.
Assombra. 
Arromba.
Amplia-se o desejo que só o prolongamento devido consegue provocar.
Quando se entranha a inquietação ávida, frenesim quente tão quente, que nos escalda a ideia ao próprio ideal, não há volta a dar.
Consome.
Pulsa por Fome.
Agrava a já grave, bem grave, situação.
A malícia e perícia da propria é essa, precisamente.
Ser o que é, sem ter que o ser.
Sem ter como não o ser.
É assim que nos deita, bem deitados na sua cama.
Entre o vai e o já foi, daqueles que tão bem engana.
A cama é o inicio, o portal a  muitos outros espaços, altares devotos, máculas da sua chama.
Faz da sordidez e vulgaridade de expressão a mais invulgar, insólita, exótica língua que nos abre e proclama.
Entre o embate no chão, a escada, o carro e o acidente de contra-mão, a mesa e a parede indigitadas no fundo do mesmo, a mesma perturbação.
O vicio que nos tira e dá vida aos poucos.
Mas quem diz , por pior resultado que venha a ter, que não ousa perder anos de vida , bem ganhos, por uns minutos de estouro na sua mão?

Sarah Moustafa

terça-feira, 14 de maio de 2013

Dialogo- II




-Quero que fiques....
- Eu não consigo Ficar!
- Consegues...
- Tu sabes que isso não é verdade
- Sei, mas ainda assim sei que consegues.
- O que te faz ter tanta certeza disso?
- Precisamente pelo que insistes em dizer.

( Silêncio)

- Fica.


Sarah Moustafa

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Deita...



Não sei que te dizer
Sendo que o digo na mesma
Sem te saber
Aos olhos que deito
No colo
Repousado feito
Sem saber como o faço
Sentido na mesma
O conforto do teu regaço
Não sei como te escrever
Escrevendo na mesma
O que entendo sem te entender
Dormindo sobre fugas
Fugidias 
Nas sombras das mesmas Luas
Escondidas Encontradas
No momento em que se fitam
Reclinadas
Não sei como explicar
Coisas que não se explicam
Na forma que tocam
Sem de facto se tocar
Mas os olhos Prostrados
Falam tanto
Que apenas lhes sigo
O tom em canto
Arrebatado
No Deslumbre Deitado
Que Deita
Mesmo sem Deitar
Que Fica
Mesmo sem Ficar
Aqui
....

Sarah Moustafa



domingo, 12 de maio de 2013

Poderia Vir





Poderia vir o Oceano
Inteiro De música
Em Profundeza
Embalada
Sem piano que Tocar
Até aos Ossos Enamorada
Poderia vir o Mundo
Inteiro Num pedaço Só
A mim guardado
Na forma de segundo
Desvelado sem Nó
Poderia Vir o Luxo Todo
De uma Vida De Enlevo Deitada
De Seda Perseguida
Entre Jóias e Pérolas
Na concha Protegida
Que não viria
Nada do que vindo
A mim me queria
Sendo o Segredo
Que não se toca, cheira ou mostra
Que me faz querer
Viver mais um Dia
Sublime de Quimera
Deslumbrada
No reino da sua Fera
Que brilha aos olhos
Postos na sua Morada!

Sarah Moustafa

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A Mesma Linguagem




Se pensas que conheces
O que nem a mesma 
Por onde anda sabe
Digo-te já "esquece"
Apaga a memória
De uma vindoura hora
Júbilo de Glória
Não penses que sabes
Um pedaço só desta história
Se te pensas resilente
Alta manutenção
Pedra e Cal Suficiente
Lamento quanto será Indiferente
Aconselho Não Vás por aí
O embate será insolvente
Se sentes certeza
De amor extrapolado
Ao centímetro da minha Beleza
Vai-te embora
Pois é a incerteza que a faz
E lança no caminho
Da vil Tristeza

Se assumes que desconheces
O que também não sabes
Andar só e apenas anoiteces
Ergo o semblante ao quiçá
E a Lua Negra que tragas
Sem hora mas Já
Se pensas a dificuldade
Impossível de probabilidade
Telhados de Vidro
Estilhaços de Similaridade
Grito-te Vem!
O corte será
Sarado na pele de quem é
Sendo Ninguem
A paixão aliciante
A que comunica entre a Miragem
Ideal curvado agravante
Fiel só na mesma Linguagem

Sarah Moustafa

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Pela Metade



Não foste a metade 
Inteira do que poderias ter sido
De Verdade
Foste dela tão pouco
Desataste a insanidade
Jogaste a carta do Louco
Partiste a Indocilidade
De uma aragem livre
De fatalidade
Foste o Fatal
Que marca todo
E qualquer Mortal
O sangue escorrido 
Na Lâmina de um Punhal
Foste nada do que poderias ter sido
Nos lábios deixados perecidos
Murchos empobrecidos
Pobres dos sonhos 
Que não foram consumidos
Mas arderam nas chamas 
De peso fundidos
Grilhões arrastados 
Pela metade que faltava
Á intimidade Embevecidos
Porque não foste inteiro
Na metade que poderias ter sido?

Sarah Moustafa

Dissolvência- Capitulo XII Ascendência




Capitulo XII

Ascendência



Do que nascemos? Que matéria única e especial nos permite uma impressão digital única, extremamente única, irrepetível em todas as outras milhares, zilhões, de impressões em vida, numa vida que se extrapola em diferença na junção?
Que material nesta Terra é capaz de ser tão individualizado, tão particular que nos alcança na colectividade?
Que poder será esse que comporta tanta expressão, chegando a todos, num aprimoramento tamanho de uma constante evolução?
Que força é essa que nos matiza a pele e marca os ossos, num esqueleto que nos sustenta no seu indecifrável mistério?
Que olhos são os nossos, e que vitrais resplandecem, numa entrada e saída, numa câmara secreta, subterrânea que nos molda ao fascínio da exaltação, numa miríade sobrenatural presente nesses olhares?
Há um grito que eclode no momento que nascemos e nos abre á sua imagem.
Há uma fotografia que é tirada num instantâneo perpétuo, numa tatuagem sem tinta, nas golfadas de ar de um universo que nos baptiza o corpo, sem de imediato se revelar.

***
Estava mais uma vez sozinha, encarcerada entre paredes incógnitas, entre uma vida que continuava a sua espiral de repetições constantes, circundando o corpo nos seus anelos cada vez mais apertados.
Percorrera todos os cantos daquela mansão e mesmo assim tinha a certeza que não tinha visto tudo, jurava que, se não estava demente, a percepcionava a aumentar á medida que caminhava pelos sombrios corredores.
 Não sabia o que a fazia ter essa percepção, provavelmente o tempo de reclusa e a falta de ar puro nos pulmões, seriam uma explicação aceitável, mas sentia-o, e aprendera que do mal ao menos as suas intuições eram fortes.
Talvez por isso não estivesse de novo apavorada, talvez por isso não custara assim tanto a ausência de Isaac naquele espaço. Custava-lhe mais a curiosidade, a insaciável necessidade de ver as suas questões respondidas e a sua não obtenção, a sua recusa em dar-lhas causava-lhe apenas um frenesim tamanho.
Ter demasiado tempo entre os ponteiros que assinalar prejudicava-a, apenas a fazia adensar as dúvidas e os pensamentos sobre essas mesmas incertezas.
Pensava em Débora e Nicole, mesmo evitando fazê-lo, pensava em Gabriel e na morte que ainda não lhe assentava, pensava na sua tentativa de lhe ir ao encontro e como ali tinha acabado… num mistério que abria as fendas da terra e a submergia numa queda cada vez mais profunda.
Chorar já não conseguia. 
Gastara o canal lacrimal na totalidade das últimas 48 horas, que já deviam ir a caminho de tantas outras, sentia-se moribunda, exausta necessitada de um sono que não sendo perpétuo teria de ser seu semelhante. Precisava do silêncio que aquele Homem sombrio lhe aludira, precisava apenas de se reclinar no regaço de algum conforto.
O choro miúdo despertou-a da letargia em que encetara. Olhou em redor tentado perceber de onde este poderia vir.
Caminhou confusa sentindo o pranto agonizar-se num suporte que não conseguia conceber.
Sentia as convulsões da ansiedade apossa-la no desenfreio em que ia abrindo porta atrás de porta, sem nada encontrar.
Sentia-se prestes a ensandecer á medida que as lágrimas lhe vertiam o sufoco da exaustão.
A trovoada eclodiu lá fora exteriorizando o pânico que o momento insurgia, relampejou iluminando em brevidade toda a gigantesca cúpula e nesse instante em que se voltou notou a forma de algo no canto do chão disposto, quieto na pacificidade mórbida em que o choro moribundo se silenciara.
Jade manteve-se estática puxando os cabelos para trás negando a si mesma uma nova possibilidade de terror. Não podia suportar mais peso além daquele em que já se afundara.
Preencheu-se de coragem caminhando vagarosamente na direcção do que pensava ter visto.
Sentia a força da chuva grossa que desaguava lá fora, o sibilo intenso da mesma plenificava o vazio por onde ia.
Sentia medo do que poderia ver e sentia-o também na probabilidade de nada ser, atestando-lhe a demência que esperançava não reconhecer.
Limpou rapidamente o rosto molhado tentando por tudo despertar-lho da névoa que mal formaria o que queria, ou não, limpidamente ver.
Os joelhos cederam sem dificuldade sentindo a dor ténue mas perceptível do choque em declínio entre o chão e o embate que sentiu na alma.
Afastou a coberta do mistério e previu toda a sua plenitude a estreitar – se no reflexo dos olhos que a expectavam de volta.
 Viu-se no pressentimento e confirmou-o no grito aterrador do horror que a valia. Era ela, o corpo frágil de quem acabara de nascer e matar a própria mãe no processo. Era ela no símbolo dos olhos mergulhados que apenas a sua contiguidade poderia alguma vez reconhecer.  
Afundou-se no grito mútuo que as sucumbiu na história de um passado identicamente presente.
A inconsciência apossou-a de memórias impressas que nunca quis ler. Petrificou olhando apenas no breu o eco dos seus próprios olhos e a sombra do seu corpo dividido.
Fechou-os e sentiu que ela os fechara também como uma despedida pronta a um novo recomeço.
Voltou a gritar e quando os abriu já não era a ela mesma que contemplava mas o absoluto vazio do nada que Isaac diante de si protelava.
Não se sobressaltou ao despertar da sua conspecção fantasmagórica. Como poderia ter medo do pesadelo se fora dele que fora criada?
- Bem Vinda Jade….
Percepcionou as palavras que ele proferia, sabendo que este sabia o pico da ascendência e decesso em que voltaria a desfalecer.
Isaac segurou-a como se apenas de uma pluma se tratasse, olhou-a completamente embrenhada num sono pacificador.
O peso já não a segurava mais.


 Sarah Moustafa








quarta-feira, 8 de maio de 2013

Quantos São?



Quantos são os dias 
Sem dia que nos pesam o coração?
Quantas são as noites
Cujos pontos de luz
Ardem na alma em açoites?
Quantas são as histórias
Permanentes no Tempo
Riscadas de Inglória?
Quantas são as Vidas
No esqueleto suprimidas
Mortas Esquecidas?
Quantos são os Lutos
Encerrados na Terra
Presentes nos seus Vultos?
Quantas são as letras
Escritas de fome
Ardidas que a carne penetra?
Quantos são os amores
Vazios de Enchentes
Sismos dos seus Terrores?
Quantas são as sombras
Carregadas Sem Asas
Na candura suposta das níveas Pombas?

Sarah Moustafa

terça-feira, 7 de maio de 2013

Limiar



De um lado ao outro
Dois lados
Um que Sublinho
Dignificados
Entra a costa e o seu Mar
Embalso o trilho
A linha divisa
Serpenteada no Limiar
Contorno o Equilíbrio
Desequilibrado de Ensino
Feito de Almas
E não de Escrutínio
Pendendo sem Pratos
O Eixo do seu Desatino
Propósito exaltado
Do seu Destino
Impera
Sem Imperador
No seu domínio
É preciosidade
Encontrada
Só no seu Alinho
De Fronteira 
A Outra
Duas
Uma Companheira
A Verdade Ilustrada
Na minha Ombreira
De uma Vida
Cujo Sentido
É
Alma e Espírito
De Intelecto Sentida
Optimizando Vivida!

Sarah Moustafa

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sono



Vontade Sonolenta
É a vontade
Deveras
Que nos apoquenta
Não tem fibra 
De ser o que é
Sendo vontade febril
Aquela que não assenta
Que nos seus remoinhos 
A mesma inventa
Não
Esta tem sono
Letargia
Da sua forma no abandono
Está cansada do seu cansaço
Sufocada no seu abraço
De sono e passividade
Boceja a vontade
Suspirando a imobilidade
Gretada de impulsividade!


Sarah Moustafa

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Derretido




Os Joelhos Tremidos
Sistema Complexo
Suporte a Desfavorecidos
Que favorecem
A emoção sem nexo
O Chão Sagrado
Em que pernoitam
Os Adormecidos
Os joelhos Caídos
Aos Sorrisos
Romances Embevecidos
Roubam Suores Enaltecidos
Ao Vislumbre
Quase Concretizado
Fantasia de Apetecidos
Os Joelhos Atraídos
Sem Força Conseguidos
Rastejam Escravos
Enegrecidos
Entre Vales Floridos
De Campos Sortidos
E Abismos Sucedidos
Ah... Joelhos Sofridos!

Sarah Moustafa

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Create the Criation




I want to create
Much more
Than I could do as a mate
No
All Alone
Between emptiness and wholeness
As a soul flashing line holiness
I'll incinerate
In Flames embraced 
I'll truly
Procriate
The creation born
Not to soon as not to late
With any kind
Living the whom
Drunk sour lips
Death and life
Bitter sweet 
Swept of my feet
It shall not
Imprision
Obligation
Oblivion
Tamed as a nation
With no vision
But the one and only
Being so full and lonely
Free and meaningful
Showing respects 
To an universal calling
In you, and me and all
Falling in my tiny giant 
Heart to liberate
Spread Words and Whispers
 Accelerate
Blood and Spirit
Brothers and Sisters
We must create
The creation
Blissful 
Truthful 
To an individual path as a generation!

Sarah Moustafa

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Diário dos Arruinados- XXI





Sou mais um demónio na Terra.
Sou mais um, daqueles que dá a mão, e a estende á sua palmatória.
Que a mesma bate e embate a cada gesto furtivo, movido a maldade.
Sou bandido que faz do mal a sua oratória.
Sou mau e não o nego. Tenho até alturas, em que essa maleficência venero.
Abro feridas propositadamente, sem razão qualquer, que a deflação de um certo tipo de dor ao prazer me dá, a sério, demoradamente observar.
Antever o aperto e o sufoco de uma dor que se exterioriza aos olhos do seu mestre.
O pesar é reflexo desse poder, que alma me emprega, tragos de sadismo, estupros de sentimentalismo.
A Dor é gémea do Amor.
Governa-se como a ovelha negra da família, quase defunta, esfomeada de momentos intensos, salgados de sabor, ao qual água alguma, chega e sacia, o leito e rio em permanente seca.
A marca que deixo é marca de brasão em chamas, enterradas na pele á força, que queimo repetidamente.
E o cheiro de carne queimada precipita a excitação.
É inato. Puramente Impuro.
Não renego a minha natureza. Sou o que sou. Sei o que faço aqui.
Venho a este mundo, dar o prazer da felicidade.
Sim a infeliz que se opõe perfeitamente á minha medida.
A irmandade dividida na unificação.
Onde há a minha dor, há por igual todo o meu amor.
Onde vive a minha mágoa, vive também o sentido da sua alma.
Onde correm fracções de Lágrimas, incorre o diluvio de dádivas.
Os demónios não são dignificados na beatificação, mas são eles que a clarificam, naquilo a que esta humanidade concedem.
 Sabor.
Os santos são pecadores, e pecadores santos dos mesmos valores.
Sou mais um Demónio e Anjo na Terra, vestido da profundidade e verdade bruta onde se eleva.

Sarah Moustafa