domingo, 31 de março de 2013

Há Sempre




Há sempre um vulcão em erupção
Em lava de alma
Retida na implosão
Há sempre um silêncio de trovão
Querendo electrizar
O desassossego de um coração
Há sempre uma febre
Rebentando em excitação
Sem saber onde para e começa a razão
Há sempre uma improbabilidade
Uma atracção em desigualdade
Um vinco na irregularidade
Manchado de insaciedade
Há sempre a força de um sentido
Crescendo em tudo que neste universo é permitido
Recusando promessas do que já se sabe
Alimentado o fogo que apenas se abre
Em explosão a tudo que lhe é desconhecido!

Sarah Moustafa

sábado, 30 de março de 2013

Quero




Quero desesperadamente deitar-me.
Deitar-me num canto qualquer, plano, disposto a receber-me.
 A mim e ao meu corpo atribulado.
Quero reclinar-me na fraqueza do ser, na fragilidade permitida , fugindo de um compromisso que não consigo conceber.
Quero entregar me a qualquer coisa que me aceite, á menor compaixão e misericórdia de uma alma incapaz de se ter.
Quero apenas deitar-me neste desespero de ferida que sangra sem doer, numa mágoa fechada que a a todos faz sofrer.
Quero um leito que me acolha ao derradeiro segundo querendo apenas padecer.
Quero tanto a única coisa que a vida me recusa oferecer.
Quero esquece-la, crucifica-la na cruz onde apenas a mim me posso ver.
A luz queimava-me a sensibilidade de uns olhos cegos a luz que jaz pálida aos uivos do anoitecer.
A estrondo de um carro no acidente que me fez acontecer, o eco imperceptível de vozes enfim a suspender...
Talvez tivesse acontecido, talvez o descanso se realizasse no final da corrida que nunca tinha conseguido vencer.
Mas os olhos cerrados voltaram a tremer e abrir-se na lição de um novo amanhecer, que lecciona mesmo sem o aprender.

Sarah Moustafa

quinta-feira, 28 de março de 2013

Quando Ninguém Vê




Quando ninguém vê
É quando se passa tudo
É quando se grita o silêncio mudo
Quando se escuta o ruído surdo
Desfaz-se a barreira de todo um escudo
Porque Quando ninguém vê
Resta o fluxo de entrega á nossa mercê
Abandona-se a frente
Escreve-se páginas que ninguém lê
Interrogando a necessidade de um Porquê
Fitando no espelho um desembaraço do Eu
Inexplorado e Perdido mas Seu
Parte de Luz radiante no Breu
Dissolvendo a Sombra que Sobreviveu
Transcendendo a vida sem a verem
Acreditando fiel que não morreu!


Sarah Moustafa

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sabia



Sabia que a noite vinha
Mas que importava
Se a noite sempre foi minha?
Sabia Do que Fugia
Cobrindo o Dia
De um Sol que me Mentia
Troçando de um esgar que não Sorria
Sabia que a Verdade
Era Mártir da Realidade
Concebendo um Mundo só de Autenticidade
Sabia o que era a Fraqueza
Caixa aberta de Surpresa
Jóia Resplandecente de Beleza
Sabia o que era a Morte
Trevas da Própria Sorte
Declamando nela o meu Porte
Sabia que a noite Vinha
Mas que Importava
Se da minha Posse
Já eu a Tinha?

Sarah Moustafa

Diário dos Arruinados- XVI





O reflexo dos olhos que ainda jazem nos meus, procurando, encontrando-me nessa desmedida busca de sinergia completa na repartição mais do que incompleta. 
Fugimos dela. Fugimos e não sabemos para onde fomos.
Não sabemos de onde nos evadimos, onde quebramos a corda e de que lado pendia a maior culpa, e  agora não importa. De culpa e arrependimento nos vale tudo menos a chance.
A chance de regresso a casa, de um caminho que se faça devido a esse regresso.
Somos moribundos de identidade conferindo apenas significado numa extensão que em mim começa e só em ti pode acabar.
E não sei se acaba, não sei se saberei dizer que amo só por seres tu, amo porque somos os dois.
Somos o encaixe do vazio mutuo que nos corrompe, somos danificados na exacta medida do mesmo reparo, somos os passos da mesma estrada , aquela por onde partimos e que por onde apenas e só nos iludimos.
Conhecer-te foi conhecer-me, Tocar-te foi amar-me, Dar-te foi Perdoar-me.
E todo o conforto do mundo é vão, caduco da fertilidade e possibilidade que o Eu em Nós pode ter.
Por isso corro, volto atrás, os olhos teus que me seguram a chance, a respiração tua que me sopra o ar em continuidade de ti a mim. 
E corro, corro num desenfreio de força que me dás, da energia que apenas um alimento maior que toda esta vida me podia dar.
Seguro-nos apenas mais um pouco, pois corro ,corro tudo e mais ao quanto tenho, corremos de volta um ao outro, corremos de volta a nós mesmos.


Sarah Moustafa

terça-feira, 26 de março de 2013

Por trás de um Olhar




Escondido por trás de um Olhar
Está um Sorriso Retido
Uma Força por Explorar
Escondido por trás de um Olhar
Está um espelho de Água Rasa
Desenhado numa Íris por Extasiar
Escondido por trás de um Olhar
Está a memória de toda uma Vida
Inanimada por Reencarnar
Escondido por trás de um Olhar
Está a noite Cerrada
Sem Ponto de Luz a que se Guiar
Escondido por trás de um Olhar
Está uma floresta Recôndita
De obstáculos a ultrapassar
Escondido por trás de um Olhar
Está o Conto de Existência
Projectado em tanta Arte que Sonhar!

Sarah Moustafa

segunda-feira, 25 de março de 2013

Diário dos Arruinados - XV




Gosto de lapidar os diamantes embrutecidos.
Gosto de aperfeiçoar, o que a campainha interior, me desperta a fazer.
Não como uma reparação num brinquedo estragado mas como uma elevação da beleza que no estrago vejo.
Não sou critica em maldade, bem pelo oposto, a alma bem o sabe que o quando o faço, o que destila é vontade, sim uma frenética compulsiva vontade de fazer melhor!
Se há uma mancha, ali todos os dias a repugnar com a sua invasão, porque não devemos fazer de tudo e mais além ao nosso alcance por a exterminar?
Devemo-nos resignar com o que nos é dado de bom ou mal? 
Ou exactamente tentar supera-lo nas catarses de momentos que nos preparam?
Não é bom estar preparado? Informado? 
Ser útil em quase qualquer função viva que possa existir?
Porque eu estou viva, e só de mim me faço vivida quando sou útil.
 Quando ajudo, quando vejo a pata do rouxinol curada, quando o vejo de novo na máxima capacidade que sei que ao seu propósito emprega.
Quando disponho os pratos na mesa, até ai no banal do quotidiano básico me sinto feliz por o fazer.
Não sei ser exagerada, não sei ter arroubos de coragem insana , não sei não ter as inseguranças que me seguram, mas sei um segredo.
Um único tremendo segredo.
Se não houvesse quem depurasse, quem separasse o trigo do joio, quem cuidasse do manejo das tarefas que a todos suportam como básicas e adquiridas como viveríamos?
Posso viver rodeada de caos mas organizo-me nele, não o posso fazer desvanecer numa estratosfera longínqua, que a ousadia por minha conta permitiria mas posso e devo mante-lo na forma mais positiva que a alquimia nos revela.
Sou eu a alquimista, sou eu que seguro, discrimino e produzo o melhor do pior que possa haver.
E digam-me o que fariam sem alguém que comportasse de bom grado a servidão de se servir de si mesmo?
O que fariam do sentido de um diamante sem o brilho que lhe notar?



Sarah Moustafa

domingo, 24 de março de 2013

Adeus




Escorre  a Lágrima
Iluminando o breu de uma Dádiva
Molha-se o Lábio
Sabe-se o Sal
Diz o Sábio
Que depura qualquer Mal
Abre-se Rombo o Peito
De emoção Desfeito
Escreve-se o Adeus
Aquele que não se intenta aos Seus
Mal se Respira
Em soluços de vida que se Expira
Chorando o Diluvio Visível 
Só nos versos desta Lira!

Sarah Moustafa

sábado, 23 de março de 2013

Os Dias de Saudade




Todos os Dias de Saudade
São mistos de Dor e Felicidade
Sentimentos de Ambiguidade
Feridas de Alma e Privacidade
Todos os Dia de Saudade
São dias Cinza de Piedade
São passeios solitários na Cidade
São Recantos Secretos na Personalidade
Todos os Dias de Saudade
São Lágrimas Molhadas de Generosidade
Na Força desvelada em passos de Continuidade
Todos os Dias de Saudade
São Noites ausentes de Luminosidade
São Cadências de Brilho na Singularidade
Todos os Dias de Saudade
São Acréscimo de Morosidade
Um abraço vazio na Visibilidade
O Peito Aberto apartado de Amizade
No Vácuo de mais um dia de Saudade
....

Sarah Moustafa

sexta-feira, 22 de março de 2013

Palpitação



A Palpitação
O Corpo de uma Emoção
Que nos assola na índole
Colérica de uma Explosão
O sangue corre Quente
Desenfreio vivo do que Sente
Ousando a Batalha
De Dúvidas em Mente
Cortejando a Vontade
Do querer Imediatamente
A Palpitação
A que abre os Sentidos
De todas a vibrações
A todos Desconhecidos
Na perseguição Reconhecidos
A Palpitação de uma Paixão
Electriza-se na pungancia da Insatisfação
Satisfazendo-se
De oferta em Bandeja
Á sua Bênção e Maldição

Sarah Moustafa

quinta-feira, 21 de março de 2013

Poesia É...



Poesia é  viver muito Além
Da Linha ao Sentir de Outrem
Poesia é um pouso de Moradia
Pousando num Lugar Novo
Ao Sol Crescente de Cada Dia
Poesia é uma Barca de Ilusão
É o sangue jorrante de um Coração
É sentido da Dor em Vazão
É propósito do Caos na Orientação
Poesia é júbilo de heresia
É o Bálsamo de Maresia
Herança do Sonho e Utopia
Poesia é alma de desassossego
É a Criatividade no seu Emprego
É Obra de um Altar
É a Prova do Amor a que Amar
Entre Letras de mel que Contemplar
Poesia é amarga Doçura
Entre o Libido e a Candura
É Almejo de Perdura
Poesia são os Sentidos
De fortes e Adormecidos
De Passados Esquecidos
E Futuros Prometidos
Poesia são pétalas em Aval
Desabrochadas entre o Bem o Mal
Coloridas de tanta Primavera Imortal
...

Sarah Moustafa


quarta-feira, 20 de março de 2013

Suspensão




Ardia um Fogo
Queimando a Floresta Do seu Todo
Decepando a arquitectura de um jogo...
Chamava-se a Salvação
Alheia á Fortuna
Empregue em Cinzas e Destruição
Clamando Direito sem o Ter
De uma Bóia em Comiseração
Flutando cómodo num Perdão
Resconstruindo uma Arcada
Em material de Negação
E a morte Suspendia
A liberdade de Afirmação
Agendada a mais um Dia
Penitência á Vida
Sem vida em Resolução!

Sarah Moustafa

terça-feira, 19 de março de 2013

Era




Era uma Tela Pintada
De Cores por Pintar
Era o Pincel Gasto
De talento por expressar
Era o Sonho de Estrela
E a Luz sem Brilhar
Era a música da Voz
Sem a Cantar
Era as Curvas de um Corpo
Sem as Revelar
Era o Presente do Futuro
Sem asas a que Viajar
Era a Emoção Contada
De um Livro por Terminar
Era a Jóia de Reino
Minha sem a Usar
Era devota Amada
Sem ao amor se entregar
Era tanto de o Ser
Em vida ao Morrer
Sem ser Achada no Perder
...

Sarah Moustafa

A Inconsciência Consciente




Sabiam que sabem até o que pensam não saber?
Confuso?  Deveras!
Mas é uma verdade que Impera.
Sabem quem são, sem o saberem de facto.
Pensado que a autonomia totalitária de uma conclusão absoluta se opera de forma automática e imediata.
Garantida pela adjectivação, ou falta dela, no ambiente de infância e das suas repercussões na caracterização que se consegue ultimar como única e fundamental.
Deduzindo então que uma parte subjuga o Todo, resultando em conflitos internos, opostos no prejuízo acima descrito, como um rascunho da obra sempre por escrever.
Saber quem somos, de verdade, é uma descoberta de etapas.
Etapas de ciclos demorados, atribulados nas suas funções físicas ou psicológicas, ou ambas.
Porque é através das mais profundas crises que nos descobrimos na verdade de essência e não no catalogo de família, englobado o conceito de família á identificação exterior maior a que nos projectamos primariamente.
E mesmo diante de crises, o processo não é de todo um término garantido, não é de todo uma iluminação repentina accionada á rapidez que gostaríamos que fosse, mesmo depois de um vislumbre rápido do sabor que sente a alma, continuamos a falhar. Continuamos a fugir das sombras e do seu abraço, continuamos a querer optar pela facilidade de um caminho já fabricado. A diferença é que pela primeira vez, o fazemos de forma realmente consciente.
Porque quando mergulhamos no poço que nem sabíamos carregar, não nos erguemos iguais, e a marca deixada pelo inconsciente que se revela e clarifica não volta jamais ao seu estado anterior, promovendo-se de inconsciência a consciência preponderante.
Mesmo forçando-a a um meio termo, a denominada sub-consciência, tal não passa da tentativa em medo de nos prescrevermos ao conhecimento menor que possuíamos  rebelando o ser a mais um conflito, a mais uma crise que irá gerar o quê?
Mais um ciclo de conhecimento. Mais uma viagem fenomenal na roda da vida. Mais um continuidade deitando abaixo as suposições definidas e definitivas.
Continuam achar que sabem só o que pensam saber?


Sarah Moustafa

segunda-feira, 18 de março de 2013

Vi-te




Vi-te em Linhas
Na Palma da mão
Desenhei o Nome
Em código de Letras
 Incrustrado ao Coração
Em cifra que consome
A que nada
Mata esta fome
De querer
O que se pode
Sem poder
O caminho Deter
Mas vi-te o Rosto
Ao fim de um Dia
Ao encanto de um sol Posto
Vi sem Fugir
Vibrei com o Sentir
Esse mesmo de Verdade
Sem mentira a que Redigir
...
Sarah Moustafa

Diário dos Arruinados- XIV




Deveria de passar a dor.
Diziam que o tempo assim funciona, lavando-nos dos seus malefícios e venenos profundos, dos restos de mortalidade pendente no que se quer bem vivo. 
Sim o tempo curaria tudo...
Depositam a esperança em horas de fio que tecem a mesma teia.
O tempo não cura nada.
Os ponteiros ajudam sim a relembrar o cronometro de sofrimento que assinalamos ao tique taque de mais uma hora passar, sem nada mudar.
É injusto incutirem uma esperança dessas a alguém fragilizado, crédulo da mesma, sem o ser.
O tempo passa e o entranhar nos órgãos acontece.
Já não anda só ali a flutuar como nos outros dias agora sente-se no direito de ali se firmar.
Arreigando as Raízes da profundidade dolorosa.
E firma, sustido de forças do além , sugando a medula aos seus confins, drenando as lágrimas de uns olhos que do dia á noite, já nada resplandecem.
É isto que melhora com a passagem desse tempo, melhora o que se consegue piorar.
E agora diriam que os factos advém de uma incapacidade de superação, de um pessimismo extrapolado á limitação usuária do mesmo?
E eu responderia negativamente, não é a incapacidade que está ausente pelo contrário mas a verdade de o sentir.
Sentir é um processo de brumas. 
Sentir á nota pessoal, individualizada é incapaz de ser percebida de real forma a outrem, porque é o meu sentir. 
Meu, meu, meu...unicamente, propriamente, independente, ausente de qualquer outro termo de comparação.
Na Primavera de tantas outras horas, eu vi a Luz da generosidade, ela sorriu para mim no desabrochar dos seus compassos, pois no deleite da visão ela deu-me a sua mão.
Tocamo-nos, Sentimo-nos, Nutrimo-nos.
Eu sei o que representa a grandiosidade de uma fé optimista e do poder que nela se desenvolve, ela é me completamente familiarizada, sendo esse o verdadeiro problema.
Eu vivi na Nuvem dissolvida. Eu cai na Queda Esquecida . Eu sobrevivi de Orientação Perdida.
Mas como se atenua a dor de uma verdade Resolvida?
Conferindo-lhe um sentido? Um propósito de aprendizagem?
Claro que sim. Sempre.
Mas isso torna a dor menor? Atenua, adormece no cobertor de Magia envolta?
Claro que não. Nunca.
A dor tem que piorar muito antes de melhorar.
Muito mesmo.

Sarah Moustafa

domingo, 17 de março de 2013

Chave






A chave de um Corpo
É atingível e  fácil
Como uma Nau 
Atracada ao Porto
Achada e Explorada
No Nevoeiro Abraçada
 Simplesmente Frágil

A chave de uma Alma
É de Raro Alcance
Velada em Baú
Em preciosidade e Suspense

A chave
A única que abre
As portadas
Sem sangue
De Prata em Sabre
Está algures
Numa milha
Entre o Céu e a Terra
Num ponto de Estrela
Brilhante e  Dourada
Aguardando para Sempre
A história de ser Encontrada
...

Sarah Moustafa


sexta-feira, 15 de março de 2013

Qualquer Coisa




Havia qualquer Coisa
A carne que se Perdia
As loucuras a que se Acometia
Em Consequências que bem Sabia
Não importado
Querendo a tentação
 De mais um Dia
Havia qualquer Coisa
Uma magia de Quimera
Sustida em Contos 
De uma Longinqua Era
Aventura de Espada e Fera
Havia Qualquer Coisa
Um fragmento de Coração
Uma Desfeita de Alma
Um vortex de Sina 
Em Turbilhão
Havia o ardor
De Corpo Quente
Química e Louvor
Mas tambem e Sempre
Havia a Dor
De Punhal e Sóror
De uma Vida e Destino
Sempre ausente 
Do Verdadeiro Amor!

Sarah Moustafa

Utópica




Sou uma apaixonada...
Pela vida e todo o circulo que a compõe, todos os pequenos detalhes que lhe conferem uma beleza intransponível, inigualável,  distinta de qualquer outra forma de ser e crer.
As formas que crescem da terra, que brotam de matérias únicas e perfeitas, que nos concedem sensações sublimes, que nos oferecem tudo o quanto precisamos, nos teste cépticos a que nos submetemos de uma natureza crente na descrença humana.
As formas que se modelam em mãos, que se talham em talento, em serviço ao bem estar á beleza de arte que se encontra nos seios perfeitos de uma escultura, na fragilidade de um papiro na imponência de uma pirâmide além fronteiras...
Todas as matérias visíveis, ou não, a olho nu apaixonam-me, arrebatam-me na quase sobrenaturalidade que lhes vejo, que lhes leio, que lhes crio...pensando em como é possível termos o que temos em mãos, em redor e não estar apaixonado!
Pensando em como de tão pouco nos realizamos, na consciência de divindade exposta nas paredes do quarto, na montra da rua, no parque da cidade em tudo por onde caminhamos sem andar...
Anseio a paixão maior, aquela que transmute barreiras capitais, que nos atrasam, que nos delegam e cegam a tarefas obrigatórias sem terem que as ser.
Porque temos de pagar pela água do copo e a carne do prato se nada é nosso, se a natureza na sua grandiosidade nos doa os seus mais preciosos materiais, não seria isso suficientemente capaz de nos gratificar  e evoluir ao poder da doação?
Aquela visão nobre, utópica e despropositada da realidade... de uma irmandade verdadeira no sentido colectivo da palavra?
Não penso ser Sonhadora ou Alienada,  pois creio que a realidade é uma consciência de alma e não a ditadura proferida de outrem.
Cada um tem e sente a sua realidade e deveria de poder vivê-la sem outorgar linhas de menor esplendor ao que em si irradia.
Penso ser uma apaixonada, sem duvida uma apaixonada pela Vida semeada há muito, muito tempo atrás e que continua mais presente do que nunca.
Quero o mundo que permita aos pés seguirem pelo caminho da verdade do coração e não aquele que nos coage a ir pela estratificação absurda de valores de humilhação.
Quero para mim e talvez, ainda mais, quero-o para todos.
Quero Muito.

Sarah Moustafa

quinta-feira, 14 de março de 2013

O Dia de Menos Um Dia




Os músculos retesam, o coração descompassa, sustem-se o oxigénio que resta e ergue-se!
 Puxa-se os lençóis para trás e orquestramos uma falhada tentativa de acreditar num positivismo de dia, num código de linguagem que não utilizamos.
Forjamos a realidade, a vida patente das nossas emoções e...Bora lá.
Bora lá a mais um dia pleno de insatisfações acumuladas, num deposito sem fim, num acréscimo de só mais um dia sem o ser!
Bora lá entupir o corpo com mais nefastas composições de raiva dissimulada, de gritos em freios, da comunhão de bem ser e bem parecer aos restantes que não assistem mas subsistem!
Não podemos sair de um emprego estéril porque ele nos alimenta!
Não podemos pensar em divorcio afinal o que seria de mim agora sozinha, e os miúdos?
Não podemos dizer não ao sim, porque este mecanicamente programado, dispara, ejecta-se com uma facilidade que só custa sentir...a noite.
No quotidiano passado de volta á mentira, as lágrimas caem, as vezes sem se verter. 
O estômago incendeia-se, temos azia de nós mesmos.
O coração tem arritmia, tem vergonha de nos pulsar.
Porque vivemos esperando morrer, se nessa mesma vida a morte já está assegurada e não a sua antítese?
Que imagens passarão na tela de um olhos gastos do que nao fez, no derradeiro segundo?
Se partirmos embaraçados na teia que não desenvolvemos como pensamos que o regresso a uma nova vida sucederá?
Melhor?
Ou ainda com mais cicatrizes por emendar?
Os músculos repuxam a carne, o coração descompassa...a gritar nas linhas das suas emendas a mudança, a mudança de atitude muito mais feroz do que apenas aquela que ousamos pensar.
O estômago arde em sinal do lixo que se engole todos os dias e porquê engolir o que se pode deitar fora?
E porquê deitar fora o que se pode degustar com todo o dever?

Sarah Moustafa

Amante




Fervia o Fogo Quente
Em Lume Alto
Jus ao que Sente
Crepitante
Chama 
De um Amante
Anel em Dedo
Vestido de Diamante
Cantava Diletante
Em silêncio de poema Gritante
A Alma Junta
De amor e medo
Em rasgo Dilacerante
Separação e Junção
De dois Corpos
Partilhado Coração
Ornamento de uma Mutação
Genética Longínqua
Inalcançável
Horizonte de Paixão

Sarah Moustafa

terça-feira, 12 de março de 2013

As Manhãs da Noite




As manhãs da noite existem
Numa só partícula subsistem
A da vontade ao Ser
Contágio de Essência Maior
Maior que a propria existência
Determinando Mudança na Consistência
Questionando a Verdade de uma Consciência

As manhãs da Noite são reais
De pouco a nada a tanto
Quotidianas e Banais
É o som do Trompete
Queda de Pedestais
Danças de sincronicidade
Olhos postos em Sinais
Dia e Noite
Luz e Trevas
Bíblias de Rituais

As manhãs na Noite
São mais do que Cantigas
São alimento ao sonho Malignas
De véu cobertas mas Fidedignas
São jóias Escondidas
De um Prefácio 
De um Epilogo
Concebidas...


Sarah Moustafa

segunda-feira, 11 de março de 2013

Medo




Havia o medo da Noite
Da escuridão 
Sem estrelas ou Lua
Que guiasse o Coração
Havia o medo do que faltava
Da Subtracção de horas 
Em que menos vida se pagava
Havia o medo
Da perda Imensa
De carência em Nó
De Posse e Pertença
Sem o Ser 
Sendo Sentença
Havia Medo de Tudo
Tudo o que pode Ruir
Num abalo Mudo
Na viragem de um Segundo
Havia o Medo de ter Medo
De acordar Tarde
No dia que se pôs Cedo
Na ansiedade de Desassosego
De não ter Rumo
De ser um corpo em Despejo
Havia Medo
O que o Há
O que o Foi
O que não Volta
O que Retorna
Em trilho de Circulo
Ciclo da mesma Volta!


Sarah Moustafa

domingo, 10 de março de 2013

Is it?





Is it alright to not want to settle ? 


To want more? 

More than expected, more than enough ,more than the self could bare?



Is it a curse to have an unstoppable thirst for the unkown and beyond?

And if it is so, could i dare to think it shall pass? 


 The urge would just vanish if I wish it hard enough? 

Does the safety of choices make it alright?


Or does it make it worse?


The emptiness grows deeper and deeper, while this battle spreads the pain of opositions that sould've been put together as whole as  the unity long lost ago, and is it so?

Is it the answer no one could give me besides myself ? 


Is it the calling for forgiveness, the path of making amends with a past I can't even remeber the way to live through today? 


Healing the present and future soul?



Is it so?



Sarah Moustafa

sexta-feira, 8 de março de 2013

Nós e o Mundo, O Mundo em Nós




A percepção da realidade interior é tão ou mais significativa da realidade exterior, porque é através do mundo uterino que alimentos todas as funções básicas existentes.

Rejeitamos?

Amamos?

Odiamos?

Desconfiamos?

Atraímos…

Sintomas de mundos caóticos, incompreendidos, mal resolvidos da psique humana, bem humana, com que nos cruzamos diariamente, sem nos apercebermos da vastidão de história contada aos olhos de quem apenas as lê e relê, sente e revive como suas.

No fascínio que nos transporta, comporta e eleva a fasquias facilmente desvalorizadas mas notavelmente espalhadas nos circuitos das relações humanas.

A viagem da divisão humana em linhas projectadas entre o bem e o mal, o certo e o errado, o julgamento e sacramento diminuindo o propósito das circunstâncias maiores em pedaços, retalhos de vida incompletas, vazias, que nessa mesma desfragmentação ainda redescobrem o poder do acreditar.

Acreditar no quê?

Acreditar unicamente no poder que nos coroa á individualidade magnânima como alquimia divina, o reconhecimento das capacidades em prol das enfermidades.

Acreditar no auto-conhecimento como ferramenta de cura na jornada que nos sucede.



Sarah Moustafa

quinta-feira, 7 de março de 2013

Dissolvência - Capitulo XI ( Chama Incógnita)


Capitulo XI

Chama Incógnita


Perdera a noção do tempo, na designação colocada á mesma palavra, na ordem suposta que se demarca ao ínfimo milésimo de segundo, como um lembrete, um temporizador da vida, uma ampulheta modernizada que para uns poderia ser bem rotineiro e para outros terrivelmente assustador. Ameaçador.
O curso de vida cuja areia parecia chegar aos derradeiros grãos ultimados de alento, de esperança de um ressurgimento á existência de até então.
Que existência? Que vida? Que alento?
De palavras e rezas vãs se enchia para quê? 
Não seria melhor assim, que ela partisse enfim para o sossego da inquietação cronica que a fizera precisamente ali estar? 
Entre a vida e a morte, numa batalha estupidamente iniciada, qual o propósito de lutar com o fim há tanto tempo redigido?
Qual o sentido de alimentar uma dolorosa ilusão tendo a percepção do devaneio em si?
Porquê?
Porque isto tinha de acontecer….Porque tinha que chorar as lágrimas de um fado consumado?
Débora sobressaltou-se com o som da porta do quarto de hospital abrir-se de onde se formou a imagem de uma madura enfermeira, reticente em delinear o que ao comando do seu serviço competia.
A hora de visita, os minutos da mesma, escorriam num curso agonizante que aproximava a verdade dos factos, o consumar do terrível evento que mais dia menos dias iria ter lugar, o cessar da vida artificialmente produzida. O ponto final nas Infindas reticências.
Agarrou na mala saindo com uma velocidade precipitada quebrando-se num choro de perda eminente assim que os pulmões sorveram o exterior da noites frias de Janeiro.

Tacteou nervosamente no interior da mala pelo seu maço de tabaco, praticamente cheio, havia reduzido progressivamente o consumo do malefício  mas a culpa…a culpa corroía as entranhas em busca desses pequenos facciosos minerais, ao que ao apelo correspondeu de forma mecanicamente positiva.
- Precisa de lume? – Ofertou-lhe em educada consideração um homem que se aproximou da sua figura nervosa, calmamente. Esta relançou um olhar de surpresa imediata agarrando o isqueiro prateado silenciosamente.
Acendeu o cigarro e deixou que o fumo a absorvesse em instantes de conforto profundo, instantes esses rapidamente desvanecidos na neblina da sua expiração e retorno aos momentos presentes.
- Obrigado. – Agradeceu-lhe ciente do rosto que provavelmente se encontrava esborratado de lágrimas secas e maquilhagem derramada. 
Pouco lhe importou, estando num hospital tal deveria de ser no mínimo compreensível, advindo do facto de que nem sempre passadas as horas de espera devidas e tratamento adequado á camuflagem de um qualquer sintoma, saiam pela porta aliviados de volta á rotina, de volta ao lar expectante entre quatro paredes pelos seus conhecedores e familiares ocupantes. Paredes essas que uma hora ou outra iriam ser redescobertas por uma toda outra remessa de vida nova. Nova gente a que acolher.
Nova gente a aprender como sobreviver.
- Porque fuma ?- questionou lenta e subtilmente o Homem que a auxiliara na sua falta de objectos incandescentes, esta escandalizou-se com a pergunta despropositada confrontando-o mais atentamente.
- Porque come, porque bebe... porque faz as coisas que faz? Apenas por necessidade fisiológica  Tem fome come, tem sede procura o que lha mata correcto?
Este assentiu silencioso com um certo brilho entusiasta a provir-lhe da provocação incitada. Débora sentiu-se insultada na frágil sensibilidade que surtia naquele momento de vida, outrora teria reagido, sentido as coisas de uma forma totalmente avessa, divertida e provocante posicionando-se na felicidade de encontrar talvez o flirt da noite. Reflectiu com a frieza que possibilitava e devolveu-lhe o isqueiro.
- Muito Obrigado. Boa Noite. - Educadamente afastou-se em direcção á viatura algures perdida no estacionamento nocturno sentindo um súbito pânico, um medo atrofiante, inexplicável ás contendas da razão.
Voltou-se e percebeu que o estranho individuo já havia desaparecido, mas ainda assim o alivio não aconteceu.
- Eu não estava a julgar por fumar, queria apenas perceber o que mascara essa necessidade, esse impulso de o fazer... - Débora petrificou ao constatar que ele se encontrava atrás de si, recuou tentado aproximar-se da área mais movimentada do exterior hospitalar. Absorveu o máximo de discrição física que conseguia do possível perseguidor, só percebeu que era loiro, alto além da média, e estranhamente estranho...
- Não podem desligar as máquinas... - Isaac manteve-se no mesmo sitio olhando-a com pacificidade, esperando o seu comportamento, esta sentiu o corpo a disparar em horror.
 Como era possível ele saber?
Abanou o rosto incompreensivelmente ouvindo a velocidade de uma ambulância aproximar-se.
- Não deixes que desliguem as máquinas... - repetiu para seu pavor vendo as luzes vermelhas e azuis da sirene reflectidas no seu rosto duro. O veiculo de emergência estacionou celeremente no meio de ambos atarefados com os processos de quem transportavam para mais uma desgraça eminente de acontecer. Ou não.
Débora respirou fundo ao dar a volta e concluir que ele já havia sumido, como o mistério improvável das vidas assim sugeria.
Continuou a respirar fundo apoiando a mão nos joelhos tentando negar com toda a lógica o sentido que incutira ao que ouvira.
Não podia ser..estava a delirar, Jade estava mais que morta. Ou quase mais que morta sustida pela fabricação do mundo moderno.
Mas e se ...
Se não estivesse?



Sarah Moustafa



Anjo



O anjo Caído
Em dor de um Sorriso
Sorria Descomprometido
Ao dia e a Noite
Foragido
Caíra Apenas
Num Campo de Açucenas
Abraçado ao Momento
 Longe de Sensações  Amenas
Intensidade ao deleite de Viver
Degustando o fim da Hora
A contagem de Padecer
Á Fragilidade se Entregou
Aprendizado do Sublime
O revelou
Segredo eterno Bafejou
Em força de fraqueza ressuscitou!

Sarah Moustafa



quarta-feira, 6 de março de 2013

Mar



Sou Mar
Cântico de Fado
Sou Mar
Nas profundezas Gerado
Sou Mar
De lágrima Regenerado
Sou Mar
De alma azul Pintado
Sou Mar
Em angustias Dilacerado
Sou Mar
Berço de História Amado
Sou Mar
Onda de Sonho Alado
Sou Mar...
Sou o Lar
Frio e Assombrado
No assombro 
De ser
Ser Mar...


Sarah Moustafa

segunda-feira, 4 de março de 2013

Percentil




Percentil
De Fragilidade
Teia em Ambiguidade
Remoinhos de Verdade
Cega, Surda, Muda
Honestidade?
Percentil de Saudade
Lago gelado
Hino em Frivolidade
Caixão encerrado
Cemitério de Amizade
Percentil de Liberdade
Bandeira hasteada
Cores á Desigualdade
Viagem enfim
Carris em velocidade
Estações de longinqua Equidade
Véu que cobre a Responsabilidade
Percentil de Ansiedade
Alma de Particularidade
Segredo
Na Complementaridade
Sem Percentil Algum
Apenas Serenidade!

Sarah Moustafa

O Mesmo



Dissera tanto ao tudo que pudera
Acariciara, Cuidara
Tudo quanto Coubera
Barca imensa
De emoção turbia
Poço de intensidade
Intensa
A dúvida
Sua partilha de Lar
Sua Sentença
Peso de Respirar
Oxigénio sem Ar
Sufoco de Gostar
O tudo, O mesmo
Sem saber como se faz
Como se entregar
E o cuco canta
Em horas sustido
Se refaz
As horas que ama
São tudo
Sua Paz
Ama mesmo 
Sem Saber Amar!

Sarah Moustafa

sexta-feira, 1 de março de 2013

Rasgo




O Corpo em Degelo
Escorre Tormentos
Silêncio de Águas
Mudas ao Apelo
Pele Fria
Solidão 
De Mais 
Horas no Dia
Vazio de Luz
Noite que Seduz
Desagua o Sofrimento
O incumprimento 
Morte ao Sentimento
Declamado ao rasgo
 do Firmamento
Leva a linha ao horizonte
Caminho Desfeito
Queda da Sua ponte
Sufoco de Esporas no Peito
Jaz Viva 
A Morte do seu Leito

Sarah Moustafa