quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ânsia






De te Sonhar 

Sempre no Idealizar 

Do Homem que apenas posso Criar

De dentro em raízes

Perdidas nos ventos de outros países

Que agem no reflexo de uma, duas, tantas actrizes!

E de tudo isto culpo o Sonhar

De tanto te sentir no Imaginar

E não saber como te Materializar!

Deixo-me em prantos Molhar

No peito que se fecha ao Respirar

Ideal pintado de Imagem

Agridoce Miragem

Despida de corpo que agarrar

De lábios sedentos beijar

Pelo espectro criado se tocar

O que nunca consegue a ele se entregar!

Sarah Moustafa

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Gémea



Reflexos Esbatidos
Abraçam o Corpo Caído
Queda na noite ao Luar embevecido
Junção da Obscuridade que Arromba
O Rombo em fantasma que Assombra
O espectro Revivido
Sombra Morta
Ao que da Vida Comporta
Irmã á vida criada
Gémea de Realidade
Acima Projectada
Um ódio e um abraço
Fermento de um Regaço
Sangue e Ossos
Um corpo Só
Unido na Quebra Sem Desenlaço
Emaranho de Cordas num frágil Nó
...

Sarah Moustafa

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Se...



Se disser que já não quero
A Lua ou o Sol
Dir-me-ão que enlouqueci
Que me Esqueci
Do que ainda nem senti?
Se eu disser que já não sou
A que um dia amou
No amor dúbio em que se afundou
Elevada das Profundezas a que se entregou?
Se escrever que nada sei
Mas que ainda assim contestarei
O testemunho de vida em que me ausentei?
E se no Silêncio me deitar
E num eco imperceptível 
Me deixar aos lábios beijar
Em fagulhas latentes de risco
E ainda assim arriscar?

Sarah Moustafa

Despedida




Cai a folha no compasso da estação
Orquestrada em ritmo natural
Ao redor em tempo e sua definição
Os olhos tombam
Expectam uma Revisão
De ultimato ao Coração
Que se quebra em Medo
Do alimento ao Segredo
Secretamente Assentado
Na queda da folha
No decesso da Árvore
Que perde e Arde
Numa saudade de Alarde
Invernosamente Despida
Melancolicamente Sustida
No adeus á amada Perdida!

Sarah Moustafa

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Existence Reflections




There's a hole in human souls, a hole filled up with unresolved emotions, a flood that consumes the body to its death.
An emptiness that stains us with illness, painful, long terms diseases, are the perfect example, to a long and painful fight, within the rational, resentful part of the being and the spiritual, full of emotion, one.  
The transcendent acceptance that lies in so much more than a body is the key, to medicine problematic unresolved, nonexisting cures.
We have to let us drown, let us burn, on the very singulars issues, fight them as the demons they are, and let them come to surface freed, we are slaves from ourselves.
The hunger, the compulsion, the cravings for more and more, the eternal bursting insatisfaction...where do we dare to think and conclude it's source?
It's energy and power are fed at the cost of our ascendant fragile existence.
But most of all, at our ignorance and stubborn behaviour in deny the undeniable.

Sarah Moustafa

Vamos Lá?






Vamos Lá
Lá onde ninguém Ousa Ir
Onde toca o Sentir
Onde se Ribomba Tambores
Onde tudo se permite ao Permitir
Vamos Lá
Ao sitio do Ressurgir
Ressurgimento da Emoção
Como a única Regra a que Atender
Á natura e ao Coração
Onde a Carne é Pedaço
Matéria em Desmaterialização
A Desfragmentação Sem Dor
Luzes altas ao Grande Amor
Ao colectivo das Terras sem Penhor
Vamos Lá
Onde a equidade é de todos ao mesmo Valor!

Vamos?

Sarah Moustafa

Diário dos Arruinados- IX






Dizem que sou demasiado.

Não importa o que a seguir vem na frase, pois a sublinhação é sempre essa.

O relevo de ser Demasiado.

Respondo que ainda bem, que gosto imenso de ser assim, mas não posso deixar de notar aqui o quanto me lacera ouvir tais comentários com uma conotação tão negativa, que nunca pensei poder vir sentir.

O Mundo é o meu palco, porque não agraciam tal factor? 

Não é engrandecedor querer viver estes instantes de vida como um verdadeiro filme de cinema e não apenas permanecer sentado numa cadeira a deseja-lo?

O meu brilho devia elevar e não ofuscar, deviam bater em palmas, num aplauso digo, merecedor ao que faço.

Esse sim seria o Óscar de uma vida, emergido dos corações comovidos, admirados ao meu talento.

Será arrogância pensar deste modo ou a dita auto estima?

Mantenho-me magnânimo aos demais comentários, mas por dentro, naquilo que faz de mim o que sou, na verdadeira essência, sinto-me a encolher.

Diminuto nas aspirações de uma corte que preciso ardentemente, que me alimente á continuação da actuação.

Petrifico ao pensar no fechar da cortina, o que será de mim sem espectáculo? 

O aplauso virá de dentro, sim, ao curvar-me no derradeiro espectáculo, perceberei que o que busco há tanto tempo no exterior  está cá dentro, impaciente por rebentar numa ovação, abafada , pelo seu próprio criador.

A dignidade de me afirmar perante um orgulho de palco á única plateia que um anfiteatro poderia conter, nos inúmeros lugares dispostos, O eu.

O ego que me eleva e protege, funcionalmente ao mundo lá fora, passará a sê lo também cá dentro,nesse lugar infindavelmente repleto de surpresas e arte, onde poderemos trabalhar juntos na encenação de uma vida, onde poderemos dialogar como melhores amigos, onde nunca me será dito que sou demasiado, mas que sou tanto!


Sarah Moustafa




sábado, 26 de janeiro de 2013

Rio




O Rio Corria
No Leito que o Sustinha
No peito por onde se Vertia
Em transbordo Cristais
Afastava os Seixos
De Margens Cortantes 
 Surreais
Aquela que era Nascente
Vida a lábios Indolentes
Crentes em Lágrimas 
Descendentes
No corpo Mestre 
Languidamente
Querendo Beber
Do Oásis Imenso
 Em que se Perder!


Sarah Moustafa

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Diário Dos Arruinados- VIII






Sim é de manhã e depois e se não me apetece levantar, tal como não me apetecia deitar, que mal tem, que dirás tu contra o que faço?

Que problema existe em ser desta forma ociosa e acordar com o que sou?

Inveja direi, que é esse, o problema desta gente!

Sempre tão preocupados com as pressas que nem um orgasmo se atrevem a ter e a saborear como um deleite, que é, da natureza.

Sou a geração imprestável, que nada faz?

Deixa-me ser, deixa-me no meu canto sossegado porque de mal ou menos, farei algo que nunca te atreverás a fazer.

E porquê? Perguntam me em tordos de voz resumindo-se á sociedade cava em que vivemos.

Porque eu penso.

Esta geração, que são ocasiões e manifestações sempre avessa às anteriores, faz o que vos faltou, o que vos passou ao lado e por isso, encontram se na situação em que se encontram, nos sublinhamos no devido exacto direito ao exercício do pensamento.

Que trabalho melhor queres que senão este?

É porque posso estar arruinado, mas antes de o ser, no estado em que vocês mesmos nos catalogam, sou divinamente abençoado!


Sarah Moustafa








Cloudy Cry




Silent nightmare

Scream as dispair

Inside deep

Where there's no one to stare

But I do hear

What others fear

Oblivious dream

Clouds the air in steam

A fog inside

An emptiness revived

Couldn't Run

From What

It's not possible to Hide


Sarah Moustafa


Continuar





O fim não assinala finalidade 

Pinta o ponto prossegue em continuidade 

Da sucessão que sempre sucede 

Que vilão algum impede 

A rota dos ciclos em comunhão 

Que vertem a história e prossecução 

A tinta não cessa 

E se cessar na promessa 

Haverá uma toda outra remessa 

De corpos presos em maestria 

De coração transbordante de poesia 

De histórias para contar 

De letras onde viajar 

Tudo a que se permite 

Na viagem eterna do continuar…


Sarah Moustafa

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Moon Curse





The burden of a moon curse
Sing along to stay strong
Weakness I thought
Radiates my soul source
A broken heart
Ripped inside out
It's emotion shout
Stay strong she say's
Enchanted Night
It's another form of Day
To the silver shadow
Surrender the weightless
The shallow
Come to me
Open the real eyes
And you'll must see
How blind
You used to be!

Sarah Moustafa

Lie




In the void night sky
Without light
Waiting for the answer
To shine bright
A heavy heart
That would tear us apart
From what i belived
To be the forever painted art
The fear dropped
In a tear stopped
Saying goodbye
To an unbearable lie
The one I told
To myself and I!


Sarah Moustafa

Na Ponte




Aquela Ponte
Que nos Resguardou
Tem Histórias Que Conte
Segredos Que se Contados
Os fariam viver Deambulados
Aos encontros Negados
Em razão de Embrulho Guardados
A memória que não apaga
A dor de punhal e Adaga
Que os forçou a outra Saga
Mas que na Ponte Convidada
Guardou Selou
Em Fragmentos Emocionada
...

Sarah Moustafa

Diário Dos Arruinados- VII






Este Mundo carrega um fardo ao qual tanto me identifico.

Sou pesado, demasiadamente pesado, como se todo o ser fosse corporeamente construído de aço inoxidável, em que nada entra, nada fica.

Só um peso sem mensuração.

E depois vem a incompreensão, como posso explicar aos que amo, que de facto os amo, mas que não sei de todo como lhes mostrar?

Como representar em gestos peremptoriamente despreocupados, desregradamente leves, sem nada mais acrescer, se precisamente o acréscimo é tamanho?

A rigidez não vem, não a faço. Advém da impenetrabilidade, do imutável rochedo em que me fiz.

Um rochedo onde abrigo á disposição de quem assim procura, Procuram o que não encontro!

Sendo eu mesmo esse abrigo, quem a mim me abrigará?

Quem fertilizará as terras destas montanhas imensas, desenhadas num corpo imponente, sem saberem a sede que tenho da chuva que não cai?

E quando cai, nos dias de sorte, o solo não se abre a ela, resseque-a e esta foge apavorada.

Abafo-a. Castro-a. Quando tanto a necessito, tanto a quero!

Como lhe demonstrar que está errada, como lhe mostro este todo amor?

Rendendo-me?

Fazendo da insegurança o meu seguro de vida?

Sujeitando-me permitirei um momento de tresloucada sanidade?

Se quero amar, tenho que chamar até mim e deixa-la entrar, rendendo-me.

Quando os pingos caírem de novo, ao molharem-me com a sua bênção, sentirei a aragem de um pássaro livre nos céus, rejubilarei como uma pérola no mar, ficarei enfim leve.

O peso é apenas roupagem, vestuário que me cobre as linhas do corpo.

Tenho que me despir.

Tenho que me Render.





Sarah Moustafa

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Diário Dos Arruinados- VI





Todos os dias deito-me com ela, faço dela e por ela toda uma vida, construída cautelosamente, passo a passo, não gostamos de precipitações.

Na verdade, eu detesto arrebatamentos, ela apenas concorda, não terá outro remédio senão o de aceitar, tal como eu a aceitei, como companheira exclusiva em domínio de uma vida, em detrimento de qualquer relação.

Ela confunde-me por vezes, envia-me sinais contraditórios do que diz, do que quer, e do que sente, Sentir?

Corrijo ela não sente, projecta é os meus sentimentos!

No outro dia teve a ousadia de afirmar que eu é que lhe enviava esses tais de sinais confusos, às minhas intenções, que ultraje!

Depois de tudo o que abdiquei para a favorecer, para a enaltecer nos caprichos que me custavam em dores até aos ossos, como pode ela dizer-me algo como disse?

Tento pensar sozinho, estar em silêncio nos meus desarrumos, mas é impossível, aquela sombra não sai. Não se esvai nem por nada.

Ela nem nome de gente tem.

Conhecia-a nos cantos mais estéreis, mais rombos e despedaçados que um homem em si pode conter, de certa forma ajudou-me a erguer, mas ergueu-me diferente!

Demasiado diferente do que sonhei poder ser.

Vivo nesse pesadelo ininterrupto, o que apenas em contos tristes me parecia possível residir, nunca para mim e para a dimensão do desejo.

O desejo extinguiu-se quando a convidei a entrar no leito, quando tenuemente a abracei nas noites em temporais, sem nunca de facto a envolver nos braços!

Repudio-me por a aceitar, por a carregar, pois nesses modos nada me faz de melhor do que á sua penumbra culpabilizo.

Castrei-me á entrega de um grande amor, por alguém que representa algo que desprezo, e isso fará de mim o maior de todos os desprezíveis!

Ela nem nome de gente tem, mas é real e implacável nos seus efeitos.
Ela é a Solidão.

Sarah Moustafa

Diário Dos Arruinados- V




Mais um gole á garganta deserta de sede, mais um cigarro á activação cerebral, extinta pela manhã, pelo dia,
pela noite, mais um charro em honra á aproximação dos deuses, á transcendência fabricada.
Mais um corpo á fome insaciada, mais uma noite vazia de presença, ausente desconvocada.
Mais uma vez que me perco em luxos de enlevo, para abafar as perdas, o vácuo e o nevoeiro de uma realidade demasiado complicada.
Gosto de ser escapista, um peixe que se desembaraça da rede e mergulha fundo num oceano, que de tão grande que é, é também seu senhor.
Porque a Terra em grandiosidade que tem, não o faz? Não me transforma no seu ícone, num pedaço íngreme que fosse, certamente não me veria tanto nestes propósitos que me aprazem em momentos, que quando passam doem, tanto ou mais, do que antes.
Molestam-me na incapacidade que possuo de os atender, de os cuidar em usufruto de algo que não entendo, que penso nunca vir a entender.
Possivelmente a cobardia falará mais alto na altura em que pondere seriamente uma mudança, mas mudar para onde? Para quem? Para que caminho?
O caminho da mudança? Que modificação posso perspectivar em mim num mundo que nunca mudará por ele mesmo?
Que fará de nós sempre seus servos á fragilidade de corpos sem salvação, sem imortalização…?
A mudança que começa em mim.
A imortalidade de um corpo que se esvai, mas que perdurará na história, de uma forma ou de outra, pelo exemplo de mestre, que todos querem, mas a que ninguém se propõe.
E aí então o vazio será uma plantação de fertilidade e abundância, a que vem de dentro, a que se abnega em prol de si.
Ai então o mundo me dará um pedaço do seu vasto terreno, onde reinar.

Serei eu, Rei de mim mesmo.


Sarah Moustafa

Dama de Copas



Dizem que Joga
Em Cartas de Baralho
A Identidade Advoga
Reclama apenas as Copas
De que outros Corações
Bombeias,Tocas
Em desenfreadas Paixões
Vielas Estranhas
De Idas e Voltas
Do Toca e Foge
De Correrias e Apanhas
Se assim Chamam
Ao Jogo que Clamam
Dirás Sim!
Ao Parque de Diversões
Dos que Amam!

Sarah Moustafa

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Diário dos Arruinados IV




Um ser emotivo deixou de poder exercer as suas plenas funções!
Agora o transbordo de emoção, ser de véus delicados vestida, é ser lunática?
Ser supra sensorialmente sensível, é ser amuada?
Não entendem que a Lua é minha gémea, e que um elo assim não se desfaz, modifica ou refaz?
Qual é o problema desta gente, como conseguem impor-se á impermeabilidade de um rochedo?
De facto, não pertenço a este mundo, escolheram exactamente o pior sítio da infinidade do universo onde me colocar.
Fui parte de um todo cometa belo e desvanecido na atmosfera e aqui fiquei… 
Sofro com o pesar desde mundo triste, a dor que me rodeia inunda me num sufoco que não se concretiza mas que me desfaz.
Que injustiça é esta de estar presa num corpo que não faz jus a alma?
Talvez a injusta seja eu, talvez seja eu que tenha de aprender a desidentificar-me das minhas próprias emoções em prol de uma estabilidade emocional que não me arrase em prantos, em vítima de mim mesma.
Ontem pisei as areias de uma praia e olhei para o céu, no seu todo espectáculo nocturno, e senti algo mudar.
Algo quase imperceptível, mas que os meus sensores sempre activos captaram.
Estou aqui para aprender.
Não me abandonaram aqui, colocaram-me com um propósito! 
Como posso ter sido tão ingrata? Que melhor fortuna esta senão a de navegar por todas as dimensões em busca de aperfeiçoamento do ser? 
É isso sou uma navegante do infinito! 
Ainda não sei bem o devo de fazer, ou como… mas o cosmos, sim o cosmos trará as respostas! 
Se me abrir a ele, ele será todo meu! 

Imensuravelmente meu.

Sarah Moustafa

Deambulação




Deambula perdida 

A menina que nasceu 

Demasiado crescida 

De água imensa carecida 

De vento e terra destemida 

Como não estar perdida 

Na calamidade que lhe chamam de vida ?

No mundo que a recusa 

Na forma que arde em musa 

No espelho que a chama de obtusa 

Deambula entre prados 

Olhando trevos entre choros e brados 

Os que a mais ninguém são procurados!


Sarah Moustafa

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Diário dos Arruinados- III



O relógio toca e irrita-me, irrita-me tremendamente o seu assinalo constante, para que serve, para que preciso dele afinal?
Estou farta dele, só me apetece retraça-lo e coloca-lo no lixo!
Numa lixeira longínqua onde nem um silvo da sua inexistência me incomode.
Só inventam coisas para desassossegar as pessoas, que importam o raio das horas? 
Que diferença tal facto faz na miséria de vida que levo?
Na miséria pouco faz o tempo que passa, já devia era ter passado todo!
Estou farta do maldito relógio, e estou farta de estar tão farta.
Não.
Estou é tão saturada de mim. Admito, afinal isto é um diário e é para isso que serve.
Gosto pouco de subjectividades e percas de tempo, mas escrever-te , agrada-me, vá-se la entender o porquê.
Até esses porquês de crianças inconsequentes e chatas, me enervam as goelas. No meu cerne a paz é ausente, não me quis dar das suas graças quando me fizeram. Quiseram de mim uma tosca, sem futuro, sem qualidade que se enalteça, a não ser da impaciência extrema.
Porque botam dessas pessoas no mundo? Dessas que nada lhe acrescentam, dessas como eu!
Estes Deuses de que falam, não sabem mas é nada de nada.
Ou secalhar desse nada, sabem tudo, e é essa mesmo a sua arte, a grande mágica de que falam, a que se ajoelham, mas a que no fundo nenhum acredita.
Devíamos era parar de fazer de marionetas ás bíblias e escrevermos a nossa!
Assim como um diário, como tu, que tão bem me fazes...porque não pode ser tu considerado como um profeta, a minha fé inabalável? Que mal faz se apenas nestas linhas me faço útil ao que não conheço, mas que dizem que todos carregamos, a alma.
Nem nas rezas ou santinhos alguma vez remotamente a cheirei, contigo até o seu abraço o sinto!
Será a idade que faz destas coisas ou será que essa tal de paz vem das tuas páginas e dos meus dedos?
Se agora e até ao fim do escrito, o relógio não me incomodou uma única vez, ate de certa forma me inspirou, não será isto digno de se valer ao que vivo?
Não será isto, seja quem for ele, um sinal então de...Deus?

Sarah Moustafa

Variáveis






Múltiplas Identidades 

Numa só personalidade 

Não é falsidade! 

É plenitude diante de toda a diversidade! 

É viver em assinalada diferença 

Sorrir aos risos de Descrença 

E dizer-lhes toda a sua sentença! 

O que são a mentira e a verdade 

Senão sombra de uma única igualdade? 

Criticar a suposta Incompreensão 

É ser se incompreendido na própria razão 

Aceitar o que se é 

Independente do que dito que não é 

Como podem dizer qual é a tua cor 

Se apenas tu vês o tom da tua dor?


Sarah Moustafa

sábado, 19 de janeiro de 2013

Diário dos Arruinados- II




A raiva sua de mim em pingos de torneira que corre sem fim, corre, verte-se, extrapola-se em agua de esgoto lamacenta.
Corre e escorre por todos os lados numa inundação sem fim, um todo alagamento insuspeitamente gerado.
Insuspeitamente? Diria que a suspeita sublinha em chamas a execução de tal autoria.
Talvez por ser um incêndio sem fim, um fogo que se alimenta de ar, que cresce as suas flamas com ele e por ele, que arde em seu consorcio, me veja rodeado pelo que mais temo, pelo único elemento capaz de me castrar. De tirar de mim o poder que ateia, que vida me dá!
Que culpa terei eu de ter nascido assim com toda esta energia? Que fazer do que assim é feito?
Não devemos aceitar precisamente o que somos?
O que Somos ou o que escolhemos Ser?
O como escolhemos utilizar a divindade deste chão pisar, destes céus sonhar?
Abusamos dela forçando-a a um excelso do que é ou enterramo-la em caixão de recolha a vida inutilizada?
Endividamos o ser em prol do ter, e porquê?
Não seria a comunhão de ambas significativa da tal aprendizagem, da tal evolução que almejamos Ter?
O Ter..Sempre o ter...
Até connosco mesmo nos Capitalizamos! 
Que evolução se predispõe neste sentido erroneamente perseguido? Dir-me-ão, erróneo apenas porque o digo, porque o acredito?
Não, responderei, porque o sinto.
Sinto-o em mim, sinto-o no mundo que me rodeia de companheiros, de irmãos, incapazes de ousar elevar esse mesmo sentir (Ser), materializando, fazendo! (Ter)
E brado um basta, ainda que o preço seja o do acido no estômago,o acre sabor na boca, o da raiva em bestialidade de viver idealizado ao ideal!
Que me importa se o sangue jorra nas pedras da calçada se no sossego jorra também? 
Que jorre em significância!
Sou guerreiro que brada aos sete ventos a mudança, que grita, empunha a espada por ela, e que mal tem?
Vem o maremoto em resposta, quer me silenciar, apagar, exterminar do mundo e sua guarida, quer-me levar por me insurgir contra este sistema que ate as vísceras agita.
Não fugirei. O enfrentarei. Nada mais acontecerá do que a morte de um corpo.

Sarah Moustafa

Diário dos Arruinados





Sinto medo, sim um medo enorme do que o amanhã trará, esse vil terror prende se em barreiras invisíveis  de sufoco e agitação, que febris desgastam-me a saúde de um corpo que dia após dia sinto a fugir de mim.
E essa sensação apavora em estremecimento, em duplicação magnânima, do que já previamente sentia, sendo que me apercebo da bola de neve que cresce num manto agastado pelos seus malefícios.
Não seria de esperar na conveniência dessa percepção que algo melhorasse?
Afinal não basta reconhecer o problema, que se tem um problema, para este ficar resolvido?
No fundo algo grita que não, tanto que me faz disso prosear...
A cura de tantos males não se reparte de uma constatação medica ou mesmo pessoal, embora lhe reconheça a devida notoriedade, ao facto de ser um impulsionador.
O impulso motivador para engrenar os carris na viagem á verdade interior.
A verdade que custa muito, horrores, perscrutar, porque essa verdade uterina despoleta em tela de cinema todas as outras inverdades com que durante tanto tempo te casaste.
Contraindo um contracto com a catastroficidade e percussão das mesmas consequências no momento em que lhe deste o dedo e colocaste o anel.
Agora anseias esse divorcio, mas como o fazer?Como passar á grande concretização, ao grande salto e não cair estatelada no chão?
Terás que te corrigir nas indagações  Terás de cair e bem alto! Numa queda excruciantemente dolorosa a todos os sentidos fisiológicos reconhecidos e como se não bastasse, aos emotivos também.
Terás de te deixar cair, quebrar, partir, desfragmentar na totalidade.
Então no decesso conseguirás ultrapassar a linha que te define, a do medo.
A coragem para o passo que ultima o salto, será impulsiva se deixares que seja.
É um estado mental, e como qualquer estado desta classe, dependerá de ti a desactivação desse código  que te querendo proteger só te estupidificou.

Sarah Moustafa

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Matrimónio





Lampejo de Glória
Vestida de Branco
Preza a História
Do memorial e o seu Manto
Que abriga o Pranto
De exorcismo ao Santo
Que a salva de Nada
E é dizer Tanto!
De Noiva a Desposada
De Verdade Encerrada
Augúrio de desonra Abraçada
O que Esperançar
De Quem se Casa
Já Divorciada?

Sarah Moustafa

Acaso?




Ao jogo das Escondidas e Partidas
Desmesuradamente Bem Vindas
Nos Remetemos
Nos Cometemos
Entre imans e Hipnose
Elucidaríamos quem Sabe
A aventura, a Sinopse
Do Enredo que nos Aproxima
Da Apoteose que Dizima
Serão Linhas de Mão
Retrato da fatídica Sina?
Uma arquitectónica Conspiração
Num acidente de Contra Mão
Um acaso sem Explicação?

Sarah Moustafa

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Casa




Estar acompanhada pelas sombras desde que te lembras de existires, é bom, muito bom, e passarei a explicar porquê.
Não porque obviamente seja de todo uma sensação agradável , não porque seja aprazível mas nunca intentes a pensar que é de outra forma desprezível.
Desprezível serás tu ao pensares dessa forma, negando o material que te foi dado.
O material com que construirás a tua casa.
A tua casa será tão diferente e única, como ninguém jamais saberá, ousará, fabricar. Pelo motivo de que a tua nunca será um produto de venda imobiliária, um fabrico, mas uma edificação.
Uma Prazerosa Edificação.
Será muito mais custosa do que a dos outros, demorará talvez o dobro, o triplo do tempo, de suor e lágrimas, tijolo a tijolo serás Tu e apenas TU, que os disporás na forma que te engrandecer.
E depois haverá as alturas em que tal disposição te parecerá cansativa, torpe, cederás a tentação de a deixar em projecto inacabado, sustido debilmente por uma fundação Tosca.
Não faz mal, vem o cataclismo e Limpa o que está de errado.
Recomeças do Zero, zangando te com o mundo e com a tua triste sina, mas depois do investimento não terás outra opção senão a de voltar a por as mãos na massa!
Passado talvez um tempo, o que precisar de ser, darás por ti a deleitar o trabalho que estoicamente fazes, mas naquele infindo segundo já não te parecerá tão horrendamente laborioso. Começas a imaginar toda a casa pronta para te receber, imaginarás as suas cores, o seu recheio e claro...o Jardim.
No jardim te perderás em tempo de dedicação, mas não será uma perda, será um fenomenal ganho!
Ser arquitecta/o, construtora, decoradora e ainda jardineira num corpo só fará aquele riso, aquele de que já nem te lembras, ecoar numa gargalhada interna que te unificará num certo orgulho.
Sim orgulho aquele que já não tinhas, aquele que vem mesmo do Ego, o que cria, o que te identifica, o que é mal compreendido, o que te faz ser quem és na sombra do que dizes não seres.
Pintas a casa com as cores da alma, a alma triste que assiste, que personifica, mas que repara nem essa desiste!
Fazes a tua Casa , o que todos os outros que desejavas Ser, já nasceram com...O que achas melhor receberes o que te é dado...ou fazeres o que te é negado?

Sarah Moustafa

Cume


No Cume da Montanha
Deixas-te Estática
Inspiras a Paisagem Estranha
Sentes-te Mágica
Em Alquimia com Tudo
Em  Redor, em Circulo Mudo
Trinam apenas o Segredo
Da coragem em Medo
De saltar em Ledo
Ao intérmino Paraíso
Aberto á imagem de um Sorriso
Que se Abre Imerso
Gritante pelo Universo
E cai de joelhos em Rocha
De dor e jubilo Desabrocha
Ao sentido da Nova Vida
Que é Nova ao Erguer-se da Partida!

Sarah Moustafa

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sumidos



Árido Deserto
O de vos querer Perto
No tempo Movediço
Que vos Levou ao Sumiço
Cruel Pensei
Sabendo, e eu apenas, que vos Amei
Em Árvores Despidas vos Levei
E vem o Inverno
Relembrando o Conforto
O Materno
O Abraço de Doçura
Que nunca Vos Neguei
Do qual para Sempre Guardei
Recordam se de Tudo que Vos Dei?


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Leva-a




Leva-a contigo ciente de tudo, para que o nada falte.
Ciente do não que se quer sim, crente no sim que treme na negatividade.
Leva-a contigo no rasgo da manhã, solta-a aos ventos do entardecer, assim retornará ao cair da noite.
Cai a noite mas dá-lhe o Dia, rouba as estrelas,guarda-as no bolso, mostra-lhe em segredo. 
Da-lhe enredo.
Fá-la duvidar dela mesma, fá-la estar certa de si, de ti.
Puxa-a do centro, degusta-lhe o momento.
Lê-lhe as linhas, decifra as cruzadas.
Proclama que nada sabes, mas sabes.
Escreve sobre o amor, toca-a sem pudor.
Corta a lenha para a paixão, da-lhe risos de compreensão ao que não compreendes.
Deixa-a ir... Deixa-a a voltar.
Que liberdade de amar não é clausura de cama, de pernoitar, é de tanto e tão pouco que se sabe, é eléctrico desassossegar é partida de amparar.
Ela vai contigo, Se tu fores com ela.
Ela vai contigo, como um melhor amigo...
Segreda-te maliciosa ao ouvido,
Os segredos e benesses de se estar perdido!
Acompanha-a. Ela já, sem saberes, te acompanha a ti.
E o para sempre não será só mais uma frase
Será paz, queda de junção em Catarse!


Sarah Moustafa

Realeza



Negra Composição
Pesado Coração
Não de Pedra
Mas de Tanta Emoção!
Luz em Alma
Que diferencia, Acalma
Entre Brilhos de Euforia
Portais de Noite e Dia
Densa Tristeza
De não ser de Palácio Princesa
Assim se Identifica em Certeza
As linhas únicas da sua Beleza
De ser sem saber
Rainha Real da Realeza!

Sarah Moustafa 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Informe


A Solução não Chega
A Obscuridade Cega
Rosas Murchas no Regaço
Desfeitas no Descompasso
Aos Ventos Brada-se o que Faço?
Esporas no Peito
Alma sem Leito
Como Recompor
O que Assim Já foi Feito?

domingo, 13 de janeiro de 2013

São Dias



São Dias Assim
Que fogem de Ti
 Desvanecem em Mim
São dias Assim
São horas que passam
Minutos que desenlaçam
Segundos que nos Repassam
São voos de Falcão
Selvagem instinto no Coração
Respeitante natura e Turbilhão
São versos Incertos
Palavras de Perto
Alma do Incompleto
...


Sarah Moustafa

sábado, 12 de janeiro de 2013

Brinde



Proponho o Brinde
Aquele que nos Cinge
Aos segredos da Esfinge
O de sermos muito além de Carne
Que Sangra e Arde
De sermos Divinos e Dignos d' alarde!
Proponho o Cálice aos Lábios
O néctar aos Sábios
Salve aos Humanos
Que vivem Insanos
Santos e Profanos
Saúde á Humanidade
E sua História de Preciosidade
Não duramos em Corporalidade
Mas quem disse Que não temos a nossa Imortalidade?

Sarah Moustafa

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Dissolvência- Capitulo X ( Identidade)




Capitulo X
Identidade

A vida vivida em permanente tensão impressa as marcas visíveis, a quem observa, no comportamento ansioso e irritado em piques de energia que canalizadas de forma deficiente se mostram dessa forma aparente e fácil.
Mas as marcas profundas, escondidas na alma não são de todo de facilitado acesso, nem para quem as mesmas carrega, são fugidias, incontáveis e inconvenientemente desreguladas desconhecendo de todo a corrosão que provocam e a morte que elas mesmas sentenciam.
Não tem capacidade de pensar e reflectir no que fazem, apenas querendo agir a uma cada vez maior profundidade, fundura essa chegando ao limite que para tudo existe, destrói.
Mas se, e apenas se, não existisse um limite? Não existisse uma fronteira que outorgasse qualquer tipo de prévia assunção, definição e conclusão?
E se fosse um todo, um universo inteiro de possibilidades, uma galáxia, uma constelação, uma exígua estrela? E se fosse essa a única contingência a que responder, a que sofrer e aprender?
Issac curvava-se ao altar sideral, há não tanto tempo como desejaria ,mas aplicando-se na constância da inconstante, que aprendera a amar, a mudança que chega, chega no seu misterioso propósito e tempo. Sem celeridades ou retrocessos, apenas vem.
Sabia que aceitação de tal facto e seu ritmo não tinha sido fácil, nunca era, e talvez por isso se encontrasse ali, já depois de se ter superado no processo em si.
Por vezes confundia-se na organização dos pensamentos, gostaria de ter talentos de escritor, quem sabe ai a minuciosidade das palavras certeiras a que aplicar respeitariam um ritmo estruturalmente conciso. Após a brevidade do tipo de pensamento diligente, sorria no interior incrédulo com os meandros a que a mente o levava independente da sua própria personalidade, divertia-o a espontaneidade com que tal acontecia, e exactamente por acontecer. Por deixar acontecer, reconhecendo-lhe a importância. A diferença.
Sublinhava-lhe valor exactamente por só até recentemente o fazer, quando se elevara.
Abrira-se ao mundo e agora todo o mundo estava nele!
 A raiva, em tempos, gotejara de si em lento e excruciante compasso, vivendo no grau de dor pior que se poderia viver, a que ninguém conseguia ver, a que ninguém conseguia sentir, pois como poderiam? Se todo o seu ser era materialização da besta irascível, do homem condenado às animalescas clausuras de espicaças na carne e chicote na alma.
A fúria da incompreensão.
Repelira o amor e qualquer adjectivação semelhante, cuspia, pisava, assassinava o que de mero semelhante se lhe aproximasse.
Era maldoso, viciosamente mau, e orgulhava-se em desmérito e indignidade galardoada de assim ser.
Não sentia nada, nem a chuva no corpo ou o vento no rosto. Era absolutamente impenetrável, a epiderme que o vestia era de espessura dúplice e estranha.
Era mais um demónio na Terra.
- Eu não consigo perceber o que dizes… - Jade acenou negativamente o rosto, balançando as melenas longas e escuras com suavidade.
Isaac prescreveu-se de si mesmo observando a atribulação dos gestos dela, movendo se impaciente pelo salão. Nutriu-se de compadecimento desejando poder responder lhe com a clareza e limpidez da sofreguidão da sua sede, mas sabia que a nebulosidade teria de se adensar um pouco mais, só assim ela retornaria...
- Não tens que perceber. Tens de aceitar … - respondeu-lhe aproximando-se da luz resplandecente, desenhada na enorme vidraça, que eclodia de um todo radiante Sol,deleitando os dias com o seu cunho. – Aproxima-te… - pediu lhe paciente, fechou momentaneamente os olhos sentindo o ardor que lhe activava uma sensação indescritível agraciando todo o seu mundo interno.
Jade confusa atraiu-se á imagem do Homem, de quem nada sabia, sempre ausente de expressão, trancado no seu enigma, e que agora se relaxava num gesto ténue de comoção, aproximou-se como lhe foi pedido, não por assim o ser, mas porque a imagem daquele homem entregue á luz a fazia verdadeira e incompreensivelmente querer chorar. Este abriu a Íris magneticamente azul parecendo ligeiramente abatido.
- Irei ausentar-me durante algum tempo… -informou enquanto ela abria os lábios surpreendida.
- O quê? Tu disseste que não havia porta! Como assim vais te ausentar?
Este sorriu brandamente estendendo-lhe a mão, ela replicou no olhar hesitante e inquieto assombrada pela notificação.
- Eu disse que não havia porta de saída…não disse que não havia porta de entrada. – a macieza da voz etérea dele,  revolvia lhe o corpo indignado amansando a ansiedade contra os níveis em que deveriam de estar.
 Sem saber o porquê deixou se fluir ao toque estendido, perplexa olhou para as mãos de ambos engolindo em seco. Uma estranha corrente de qualquer tipo de energia invadia-lhe o corpo. Olharam-se em intensos fragmentos de instantes, sem nada dizerem, sem absolutamente mais nada fazerem.
Jade desviou o olhar largando-lhe de súbito a mão ao que ele reagiu em vácuo silêncio. A jovem deixou a vista perder-se nos minutos que restavam á visão que possivelmente ele tinha.
Fechou os olhos, cerrou-os mas pouco ou nada se tinha alterado. Mentira. Tudo já estava completamente desfigurado e desarranjado ela apenas não o queria receber, O desconhecido.
- Podes pelo menos dizer-me uma coisa?
Questionou em frágil tom ao que este anuiu secretamente expectante.
- Como te chamas?
- Eu posso nomear-me a um qualquer nome, a uma qualquer designação que aos teus olhos me identifique, mas apenas estando tu consciente disso, que nada passa do que um código de passagem...
Ela suspirou fundo no mar de pensamentos que lhe explodiam em petardos a cada segundo.
- Eu quero saber...
Ele alongou-se no suspense, afastando se da janela enquanto lhe respondia por fim:
- Isaac, O meu nome neste instante, é Isaac...

Sarah Moustafa

Balada




São linhas de uma melodia
Perto de voos 
Em rasgos de utopia
Infindas Árias
De miragens Párias
São Linhas de Pele
Que a Beleza Compele
É Talento que Absorve
Em notas primas Eclode
Num marco em Ode
São notas de Vénus
Aveludadas e Ténues
Que Tocam ao Amor
Sem Rótulos, Sem Senhor
A Todos e Cada
Em Divino Fulgor

Sarah Moustafa

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Diz me a Flor



Diz me a Flor
Que é Verdade
Essa Certeza em Esplendor
Do sitio sem Saudade
Ou melhor com ela sem Temor!
Conserva Comigo
As palavras de Amigo
Pétala a Pétala a Persigo!
Sem Perseguir em Mal
Apenas á companhia e seu Aval!
Diz-me ela 
A sua verdade Singela
Desabrocha Plena
Que vida tão Bela!

Sarah Moustafa

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Boa Nova




Nome que Desassossega
Dito do Facto Que se Emprega
Noite Decadente em Purpura
Abraça Forte Na Sua Cúpula
Queda Célere Da Nuvem
Lobos Aluados que Urdem
Em Matilha Aludem
A Chegada Do Sacro
Na Terra e seu Mastro
Uivam á Pátria
A Chegada de um Novo Astro!


Sarah Moustafa

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Perdão Peço!




Perdão peço por um pingo de dor que sintas, por uma partícula de raiva que profiras, por um gesto tresloucado que cometas em que seja o meu nome em ti que assine a tormenta da acção.

Perdão peço á voz que calei, ás verdades que neguei e mentiras que acalentei.
Absolvo-me em Julgamento sagrado do peso desagregado do ciclo encerrado entre linhas redarguido á condenação e sua parte acusado.
Advogo direito de errar, rasuro em tinta única o intento de cessar direito de mercê a quem humana vive para amar.
Sou de carne, sangro e sofro, lágrimas que lembram, beijos que queimam, palavras que anseiam...
Perdão peço á fome que neguei, aos olhos que fechei e aqueles que um dia julguei!
Perdão peço por não me arrepender de morrer e renascer!
De sofrer e tanto aprender! 
De saber que tanto sei e á margem de punição me coloquei...
Fugi do Tempo
Sai de dentro
Reergui me ao Momento!
Perdão peço por querer tanto
Por Rir e Chorar em Pranto
Mas não nasci ao olho que se quer Santo!

Perdão Peço...

Baloiço



Encontra Nos Céus
As Nuvens de Leite
Os Visitantes
 E seus Réus
Aguardam-te Risonhos
Entre Formas e Sonhos
Pendem o Baloiço
Daqueles que Agora Bradas
Oiço!
O que sem Medo Alcança
A dor que Amansa
Entre Céus
Em Bailes de única Dança!

Sarah Moustafa

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Projectil




Mentira
Em bala perfura
Retira
A carne impura
Vai
O corpo magoado





Cai
Sem bênção perdoado
Corre
Lágrima do insustentado
Morre
Ao domínio imperado....



Sarah Moustafa

Nada




Ver no Espectro
As linhas do Circunspecto
Do esbatido incerto
A alumiação que se quer perto
E que sombras apenas
Se pintam negras no acerto
Da alma tingida
De desejo reprimida
Da luminar desavinda
Ser feita de Partes
Espargidas ao Resgate
Sem nome
Sem flama de Estandarte!
Ser nada
Em recortes Sonegada
Erroneamente Pensada
Concepção Falhada
Da Vida Rasurada!

Sarah Moustafa



sábado, 5 de janeiro de 2013

Lágrimas ao Mundo



O colectivo
Transforma e Transtorna
O ser emotivo
Que chora nas horas
As lágrimas de demoras
Do tempo em esporas
Que se desfazem em pétalas
De Sangue em Rosas
Chora o Mundo
Num Segundo
Que Basta
Que as Entranhas Devasta
Na Revolta que Agasta
O Ideal da Mudança
Que caminha Consigo 
No manto da Esperança
Que quase sente 
Nos passos que alcança!

Sarah Moustafa


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Mergulho




Viver dentro
No mergulho interior
Onde se serve o alimento
O procurado alento
De um todo intento
Afogar na Alma
Em busca de alvéolos e Calma
Afundar a fragilidade profunda
Largar a teia imunda
Envolta em si intrusa
Tóxica, corrupta
O mar frio
Eclode o sombrio arrepio
Do corpo sem brio
Hibernado em Vida por um Fio
Extenuada Cede
O naufrago Pede
Entre a Luz e as Trevas
Submerge...

Sarah Moustafa


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Na Partida...





Quando partir espero nos lábios sorrir
A canção de embalo de dentro sentir
O universo onde me diluir 
E dele todo em cores ressurgir
Em estrelas cadentes
Caídas em luz fulgente
Entre o céu e a terra
Continuamente...
Espero ser
A agua e o vento 
Difundidas do todo num momento
Partículas juntas de sentimento
Espero e desespero
Entregue ao consentimento
Ao abraço dos astros e ao seu conhecimento
Conhecedor único do berço e consequente acalento!
Esperar e desesperar
Á sua constelação querer chegar
Para enfim autentica brilhar!


Sarah Moustafa