segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dissolvência- Capitulo IX (Pontos de Interrogação)




Capitulo IX

Pontos de Interrogação


O embalar de uma melodia triste e nostálgica  bela no compasso tremendo e majestoso do rodopiar de uma pequena bailarina dançante no ensaio de uma toda obra talentosamente inspirada, reluzia diante dos olhos que cintilavam em comoção, talvez exagerada, gigantemente exacerbada com o vislumbre da contrariedade patente na bela bailarina cativa nos limites da caixa de madeira que a impedia de brilhar em constelação magnânima universal.
Sempre sentira uma atracção por aquelas caixas de sibilo mágico, embora parte do seu ser, se entristecesse deveras com o reverso e sua clausura, ou pensando e repensado vezes sem conta, talvez porque Jade se revisse e identificasse tremendamente com a formosura e a tristeza da frágil boneca.
Sentiu vontade de chorar mas os olhos apenas espelhavam um mar de água em cristal sustida no brio do sorriso que se lhe desenhou nos lábios carnudos.
Olhou para cima, para a grande cúpula que iluminava a grandiosidade do salão onde se encontrava e fechou os olhos sensibilizados com o raiar que julgara ser do amanhecer.
- Porque me mostraste isto? - perguntou com suavidade permanecendo de olhos fechados indiferente ao seu redor, crente apenas na acalento que a acariciava. Saindo das sombras , de um corredor posto de lado do alcance da luz, o homem ainda sem nome, de aura intrigante e misteriosa aproximou se em silencio fechando a caixa e cessando o conforto da canção que abria todo o coração da mulher diante de si.
Esta abriu os olhos surpresa com o seu gesto, que identificou de imediato como rude.
A luz natural permita-lhe por fim ver o rosto de feições mistas, entre uma clara dureza de linhas e uma pacificidade de energia transbordante que não conseguia identificar, tanto mais decifrar, mas sentia-o e por isso, nos seus costumes e medos, não sentisse até ali qualquer sombra de temor, apenas uma crescente desconcertante avidez por respostas.
- Porque estás a fazer isto? Porque estou aqui? Porque não respondes?? - atirou-lhe no impulso da impaciência que começava a latejar lhe a mente.
- Os porquês...sempre os porquês... - limitou-se a responder-lhe passando pelo seu corpo indignado abrindo de rompante as cortinas pesadas que cobriam a a invasão supra da Luz natural.
Abriu-as num gesto abrupto recolhendo em volta do espaço centenas de partículas de pó visíveis entre o inesperado impacto e a luz que num feixe as projectou.
Jade abriu todo o semblante carregado, atónita com a imagem exterior  que agora conseguia ver  e sobretudo imaginativamente sorver.
Era todo um belo e verdejante jardim repleto de adornos florais e cores vistosas, crescentes em vida e numero, tal como uma imensa presença de arvoredos intermináveis  ou assim de dentro lhe pareceu, rematados por uma grandiosa fonte, no preciso centro, que vertia nos seus repuxos uma agua clara, que no ímpeto do desejo apenas pensava em beber dela.
O estranho Homem observou a sua reacção impassível não revelando de todo o que poderia através do semblante.
- Por favor... Responde-me a alguma coisa - pediu ela com fervor, tentando manter a calma.- Que sitio é este?
- Um sitio de processo... - respondeu lhe apenas vaga mas intensamente, permitindo uma fricção entre ambos os olhares que se entrelaçavam numa disputa invisível. Jade suspirou sentindo se totalmente impotente diante da parca comunicação. Porque nem ali numa situação tão inóspita e surreal não conseguia que a ouvissem? Que se fizesse ouvir numa linguagem simples e clara que amainasse todo o curso do rio de angustia ascendente pelo corpo. Ele era um total desconhecido e mesmo assim não se dissipavam as barreiras pesadas e intransponíveis do monólogo eterno a que se remetia entre ela e ela mesma apenas e só. Sempre.
Perdeu se durante mais algumas segundos diante da beleza natural emoldurada no exterior que a convidava tentadoramente a entrar nos seus esplêndidos recantos.
- Um processo de confusão é claro, como tudo na minha vida seria de esperar... -retirou por fim olhando-o com dureza. - Eu não sei o que se passa mas sei que preciso de respostas e se tu não mas vais dar eu vou-me embora e procurarei por mim mesma! - Afastou se nervosa mas decididamente procurando em volta na grandiosidade do espaço por um sinal de uma porta de saída  Começou rapidamente a desesperar ao constatar que estava rodeada de paredes e corredores imensos, desconectos de qualquer saída exterior. O abalo dessa possibilidade ser real fê-la ofegar em pedaços de ansiedade que já lhe eram bastante familiarizadas.
- Não há porta, Jade.... - confirmou os seus assombros aproximando-se do seu ser desfragmentado tenuemente  com aparência indiferente ao seu pânico efervescente.
- Como assim não há porta? Isto e uma casa tem que ter uma porta! - olhou-o em ressentimento incandescente sentindo o mesmo medo de horas atrás a ressurgir no corpo permeável ao seu assalto.
Ele pousou-lhe as largas mãos nos ombros retraídos apertando-os com suavidade enquanto esta se entregava de imediato ao gesto inesperado debulhando-se em lágrimas.
Estou morta...Morri e continuo presa? - indagou com a voz rouca alterada pelo pranto. Ele moveu o rosto em resposta observando-a como uma interrogação diante do espelho frágil que por ela vertia.
- Tu não estas morta Jade. Tudo fará sentindo na altura certa. Alias essa é uma das grandes aprendizagens que te compete fazer...
Ela abrandou ligeiramente o ritmo do choro deixando a expressão confusa responder no lugar de palavras.
- Tu entregaste ao medo e ao controlo, tens de estar sobre o controle de tudo para te sentires segura, daí a necessidade irascível de ver todas as tuas duvidas respondidas com clareza e precisão, quando tu própria não és clara ou de algum modo segura! Queres extrair dos outros e do mundo o que te falta!E o que te falta...está aqui...
- Aqui? - Replicou em clara descrença continuando a libertar lágrimas embora mais desfasada mente  respirou fundo enquanto tudo o que ele lhe dissera lhe ecoava no interior em amplificação.
- Sim aqui... - anuiu deixando de a amparar - Aqui terás algo que não te permitiste ter até então..
- E isso será?
Por breves segundos ele hesitou e dentro desses mesmos breves estilhaços de tempo Jade jurou ver pela primeira vez um brilho de emoção a visitar-lhe os olhos gélidamente azuis.
- Silêncio...terás Silêncio.




Sarah Moustafa

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Frenesim



O Homem entra sem Saber
Que nesse todo templo Teu
Se irá Perder
Na posse desejada
Incontestada ao teu Ser
Descontextualizada do Querer 
Apenas querendo Viver
Ardentemente Morrer
No conhecimento e o seu infindo Saber
Ceder á sua tentação 
É Veneno
 Morte Lúgubre ao Coração
Mas como Cessar
A atroz pungência do Excitar
Despertado a um simples Caminhar?

Sarah Moustafa 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Solstícios





Em Suplícios
Em lamurias e Desperdícios
Perdemos a viragem do Tempo
Da beleza em volta de Solstícios
Que nos extremos se Divorciam
Complacentes na diferença Sorriam
E tudo Entendiam
Na diferenciação que os Separam
Acontece o inusitado e se Reparam
No mutuamente se Amparam
Na Roda e seus Ciclos Cantantes
Lastimasse esses que ficam Distantes
Pudera que soubessem que são para todo o sempre Amantes!

Sarah Moustafa


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Lua



Seguro a Lua
A que faz os desígnios
De ser para alguém Tua
A que dia e Noite
Na emoção Crua
Me despe aos Olhos
Me deixa Nua
A que me brilha em Prata
Nos seus pálidos Dias me Desata
Das amarras Escondidas
Nas suas duplas faces Guarnecidas
Seguro a Lua
Nos versos e adjacentes Reversos
Por ser minha Lua
E eu...Ser Sua!

Sarah Moustafa

Vitima






Pele de Renda
Costurada em linhas
De tesouro e Emenda
Perfaz a delicada
Matéria Soterrada
Em fosso Abafada
No perjúrio do rosto voltar
Em lágrimas suprimidas se Abraçar
Tentar se Distanciar
E no pesar se Afundar
Cobrir-se de Liríos
Amenizar-se em Suspiros
Desfazer-se acre e Cítrica
Em agudez e Crítica
Em papel resoluto de Vitima...

Sarah Moustafa

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Sentença




A noite fria
Gélida em mim jazia
Sem brilho, Vazia
Num vácuo atroz me perdia
E pensara antes de cessar
O que seria isto de amar
Pois se fora causa de doença
Era também a única pertença
Do corpo sem Cor
Do brio quebrado 
Em estilhaços de Dor
A pesada consciência
De saber que se colacara 
Diante da sua propria Sentença!

Sarah Moustafa

domingo, 23 de dezembro de 2012

Pedaço





As estrelas tentam brilhar
Tentam o todo iluminar
Aproximam-se em cânticos devagar
Embora trémulos a ressoar
No infimo segundo deixam-se perdurar
Um pedaço que abraça fundo
Sinonimo claro de ter em mim  todo o mundo!
A certeza unica que acalenta
Na tristeza e na tormenta
A beleza e sua réstia
Que unicamente este vazio alimenta!

Sarah Moustafa

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Queria...






Queria que te Lembrasses
De todos os tempos em que Amaste
Naqueles em que Tu mesmo Acreditaste
Nas palavras doces Formadas
Em beijos Encerradas
No tempo Divinal
Das horas que passam em Espiral
Que aliviam um pouco das trevas e seu Mal
Queria que Lesses
E nos versos talvez Entendesses
O poder vil de toda a Frustração
Que que corrói em Ácido
A vida de toda a Emoção!
Queria que Sentisses
Que assim por um Segundo
Te Permitisses
Fluir livre no que de bom Ficou
A memória da Paixão
Que nos Incendiou
Que nos corpos juntos nos Acalentou
De tanto que do Paraíso nos Destronou
Mas se até esse nos Perdoou
Porque não Lavarmo-nos 
De tudo o que nos Arruinou?

Sarah Moustafa

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Uma Mensagem Especial!





Como uma fita de luxo Dourada
Envolvo todos aqueles pelos quais sou Amada
Glorifico e Agradeço em Luz Emocionada!
Mas neste abraço envolvo Também
Todos aqueles que um dia Partiram
Que me arrasaram e não o Sentiram,
Para esses em Especial
Agradeço o desapreço Desleal
Pois no cunho dessa Bênção
Fizeram muito mais do que Pensam
De serem tantas fontes de Inspiração
Que cabem na infinidade desta Imaginação
Nos escritos a maldade e Bondade
São deleites de Criatividade
Indiferentes a rótulos de Moralidade
Reforçados pelas lágrimas da Saudade
Essa palavra unica onde cabe Tanto
O riso e ondas de Pranto
É palavra grande de cariz Especial
E é com ela que termino 
Em votos de um Feliz Natal!

Sarah Moustafa


Depois da Noite




Depois da Noite
Depois de sons e gestos em Afoite
Restam pedaços desse Breu
Imensos dentro do próprio Céu
Num corpo em forma de Ilhéu
Entregue á coberta do seu Véu
Depois da Noite
Entra a dor em Açoite
Insuportável e Desfeita
Corrupta e Imperfeita
Na busca do Ideal
Suprema Idílica, Irreal
Assim Abonar-se de Opulência
Reclinar-se Débil na Indulgência
Corrói os desígnios da Consciência
Depois da Noite
Raia tímido o Lusco-Fusco
Sucumbe-se á púrpura Luz
Em Letargia 
Ao fim do Crepúsculo

Sarah Moustafa

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

As pérolas




Escrevo-te em pérolas
Aquelas que na caixa mágica guardei
Que para sempre selei
Pois a ti unicamente as doei
As brilhantes singelas
Eram triunfo da bela
Do amor que apela
E que para sempre 
Aos olhos impele
Verter as águas 
Da saudade
 E suas mágoas
Ah...
Se tivesse sido diferente
No teu pulso inerte
Teria posto esse pedaço de nós 
Como num derradeiro abraço
Teria posto essas pérolas
Que nem verdadeiras joias são
Mas partiriam puras do coração
Este que continua a lembrar-te 
Eterno em comoção
Nos escritos que te dedico 
Sempre em ovação!

Sarah Moustafa

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sentimento




Agradecimento pleno
Aquele pequeno momento
 Gratificante com todo o sentimento
Em que que o olhar se prendeu
No vislumbre do firmamento
E petrificou em profundo deslumbramento
Com a certeza enfim da duvida em permanência
De permitir libertar as amarras em dissolvência
Nos lábios onde encontram clemencia
A absolvição de toda a intrínseca demência
De escrever com essa vontade em ardor
Com chama alta em louvor
Que dissemina em luz 
Toda a frágil dor
Que outra definição a isto tudo por
Senão aquela que sussurra em temor
Receosa mas confiante
De que é assim é 
O que chamamos de Amor ?!

Sarah Moustafa



Exclusividade







Este coração é feito 
Do fausto de mil Rubis
Escarlate, brilhante
 Mesmo nos testes mais Vis
É pulsante bomba maliciosa
É único talhado de pedras preciosas
Sobrevivente aos tombos
Perfaz desses assombros
A luz radiante da Sublimidade
Tomara que tantos 
Possuissem tal qualidade
A nobreza da particularidade
Que remata em novos pontos
A definição de exclusividade!

Sarah Moustafa

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Reverso






Vaticínio deste tormento 
Resplenda no único possível alento
Do nervosismo que veste este ser
Que assim será 
Ao derradeiro suspiro do padecer
Tomara ter a hora certa
Do compasso em espera
Que esta doida carne aperta
Se fosse em escrita literária palavra
Que outra melhor bela e rara houvera
 Senão esta de alada Quimera?
Ter em mim a placidez de um lago Quisera
 Desejei ardente que lavasse de mim os malefícios que trouxera
Como se pudesse renascer numa toda diferente Era
Que tola fui, Se fosse diferente desejaria o exacto adverso
Então o que sou eu? Senão a eterna prata em reverso?

Sarah Moustafa

Vendaval








Este pulsar Activo
Ferve em lume Aparente
Em mentira de suposto Passivo
Estas feições Serenas
De temperamento Amenas
São campo minado de belas Açucenas
Onde me deito só em perplexas Convulsões
Do furacão que me arrasa Vil
Em vendaval de intempestivas Emoções

Sarah Moustafa

sábado, 15 de dezembro de 2012

Dama




Fugidia 
Volta á sombra de mil Sóis
Que te aguardam ansiosos
A cada dia
Por um pouco mais 
Esses tremendos
Que costuram em condoimento
O coração que lhes deixaste
Em tecidos de remendo
Desesperados em contendo
Pelo Regresso da sua Dama
A que se esgueirou silenciosa
De sua Cama
No alvorecer que despontou
Ténue em Chama
Que os abandonou em estertor
Os Tresnoitados
A que chamou seu amor!

Sarah Moustafa

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Estamos Todos Bem!





Hoje, por motivos que desconheço, mas que no fundo até agradeço, surge-me a inquieta vontade de reflectir em letras os escritos desta vontade.
A vontade de dizer em altos voos de bradar aos céus que estamos todos bem!
 Esta poderá ser considerada a dissertação da loucura, e isso far-me-ia brilhar em diamantes de júbilo, pois tal adjectivação insere-se exactamente no fio condutor dos escritos a que me remeto.
Esta sociedade onde me materializo em carne concreta revela no condão do seu capitalismo a putrefacção da candura com que somos abençoados pelas constelações universais, que ainda divinos algures nos recônditos da profundidade da alma, está presa essa mesma tal de divindade, encarcerada, reclusa nos corpos podres da consciência suprimida.
Consciência creio que alude a uma diferenciação de designação por todo o mundo, independente da nação onde se germinou, pois se no fundo somos tão diferentes, somos tão iguais.
Atenção, ainda que podres ou cândidos a flutuar na mesma podridão, estamos todos bem!
Poderão interrogar-se de que falo, nesta dualidade de sentidos díspares, mas não será essa mesma a questão? Dualidade em que nos dividimos na casa, no trabalho, na consciência  na demência  na tremenda inocência da perdição que rodopia em peão, nos círculos de uma tremenda insatisfação que brota do facto de não chegarmos lá...a resposta tão procurada e ansiada do que estamos aqui a fazer? Qual o propósito?
Quando deveríamos encimar, firmar em raízes profundas e disseminar essa floresta, por toda a parte, de pararmos por um segundo e antes interrogar, O que posso eu fazer? Para ti, para nós, para todos mas sobretudo para mim...para o Eu sossegar em fim na Unidade desmembrada pelas sociedades criadas em prol única da matéria e não da sinergia entre o todo que nos compõe?
Mas atenção estamos todos bem!
Sei o quão difícil pode ser chegar até esta conclusão, mas sei também  quão fácil pode ser, se apenas, por um momento, nos permitirmos á distanciação do corpo a que nos agarramos ferreamente, por indução óbvia da monstruosidade dos apelos ao medo, do sobrenatural mistificado, mas que tão naturalmente possuímos!
E ainda bem, porque, estando cá patenteado, ainda que submerso por tanto lixo, e resíduos do mesmo, é a prova cintilante da divindade religiosa que apregoamos, Somos Nós! Nós, Eu, Tu, Você....
 Por isso ainda que tão descendentes, Digo que estamos Todos Bem!
Estamos Todos Bem na malignidade circundante, porque esse raio de luz, por mais que se tente, por mais que se tenha de morrer e renascer na fonte da criação, em círculos de reencarnação e aprendizagem , está lá, infinitamente lá.... Jamais poderá por consórcios desta Humanidade descrente, mas aprobativa da crença, ser extinto.
Se restam dúvidas, olhem para qualquer objecto de afeição, indiferente a definições de bondade ou maldade, obsessão  paixão ou amor, olhem para esse objecto que nos faz vibrar em ondas magnéticas nos revolve no seu poder de entre todos os meios e faculdades darmos o todo que temos ali, bem fundo em nós.
Reparem no seu sorriso comovido para si e o com seu gesto, mas sobretudo reparem como o vosso próprio instinto reage!
Isto do objecto de afeição insere-se a qualquer área de vida, não me refiro exclusivamente a pessoas em carne, pode ser um ideal, um pedaço de natureza, uma outra coisa qualquer que tão intensamente nos faz transpor do corpo e suas restrições para algo, uma fonte de energia que nos move além do que julgamos possível!
Estas não são meras palavras, são letras escritas em prol de realidade de factos por quem as escreve.
Uma prerrogativa para quem está mal e anseia melhorar, em que digo e subscrevo, não faz mal que estejas mal, identifico, e digo... que estamos todos bem!



Sarah Moustafa

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

De quantos amores somos feitos?




De quantos amores somos feitos?
Conservamos os desfeitos e os refeitos
Em retalhos d'um pulsar activo
Ainda que pelos ponteiros 
Se demarque em semântica de Passivo
Afirmação eterna em canal Interrogativo
De quantos amores somos feitos?
Quantos flagelam nossos peitos
Em pontadas malignas
Invasivas para dentro do nosso Leito
Incita as brumas em deleite
A entrar vis no corpo em desajeite
Com as emoções em desalinho
De diferentes destinos
Rasuradas do inóculo
Perpétuo Pergaminho
Do Desassossego Deste Caminho
Que Entra sempre no Preâmbulo
Das formas de coração entrelaçado
Em cordas de Triângulo...

De quantos amores somos feitos?

Sarah Moustafa



Sereia Ida








Ó ilustre epopeia
Conta-me esse segredo
Esse que jaz brilhante 
Junto da misteriosa Sereia
Conta-me o seu enredo
De cunho ressalta o emocionante
O lirismo d'uma canção de amor
Que revolve todo o oceano
Em brados de água em temor
Por medo de perder a diva
A espuma branca que glorifica a vida
Desse todo grandioso Mar
Ó esbelta Sereia
Cativa ficaste
Nas ondas da tua própria Teia
Diz-me o teu segredo 
Faz-me ouvir em ecos o Ledo
Esse que se sobrepõe a qualquer Sombra em Medo
Diz-me Sereia
Escondeste-te num grão de Areia?
Esfinge angustiante este Mistério
Ruínas do meu Império
Quimera Destroçada
Nunca puderas Tu
Ser livremente Amada!

Sarah Moustafa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Olhos de Cristal







Esses olhos são de cristal
Entre o fumo e o bendito sal
Depuram toda a reminiscência do trivial
Reformulam a escória em divinal
Assemelhando-se ao Impossível

Enterras as mãos ás raízes torpes do Horrível
Não temas! Vê como é aprazível
Esse deleite nas sublimes mutáveis formas
São a pequena secreta formula
Plena, crente na visão singela
Que fazem de ti, a única tremenda Bela!

São esses olhos de cristal
Que transformam as trevas
Em degraus de pedestal
Que se curvam, servas
Em jubilo aval
Plenas de força mental
Fazem pensar que na 
ressurreição
Reside a verdadeira única perfeição
A de ser sublime na matéria em decomposição
Sem negar a luz que brilha alta
Nos anelos lindos da Transformação!


Sarah Moustafa

Abandonada



Os olhos frouxos
Eram espelho da morte lenta
Essa mesmo que mata aos poucos
Eram exemplo perfeito
Da fonte que secou
Em dores convulsas
Inspirada por todos os que amou
Por todos aqueles a que se doou
Aqueles que ao fim do solstício da Primavera
Partiram para outra excitante Era
Debandaram na crueldade da Fera
E deixaram-na ali perdida
Pelo tempo ressequida
Nas magoas viscerais desenvolvida
Em forma de estátua dissipada
Nostálgica e Abandonada
Quando Tudo o que quisera
Fora para sempre ser Amada!


Sarah Moustafa

Sagitário




Há em ti Sagitário
Uma aura de Temerário
Que incendeia o rastilho
Da musa em Ideal
Da verdade que Insatisfaz
E que assim te Apraz
Pois cavalgar Livre na Utopia
É muito mais que Diminuta Filosofia
É Profundidade e Filantropia
Em Procurar neste Imenso Mundo
As Raízes do Saber Profundo
E o que é isto
Senão Mestria
Nas formas de Centauro
Reside o Liberto Amparo
Diz me é ou não
Veemente  Transparente
Sabedoria?


Sarah Moustafa

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Criação




Quando escrevo com primor
Sinto que sei o que sei o que é o amor
Pois deito no papel
As letras de acre fel
E faço-as de doce mel
Em ternura ao talento
Que do sopro do intempestivo vento
Fez de mim assim
Abençoada em redor do tumulto em motim
Condenada á tremenda ansiedade
De descobrir a pequena particularidade
Que me transporta da suposta perfeição
Aos aquedutos da Incorrecção
Que me eleva da sombra
A uma pequena pomba
Perdida e Achada
Nos meandros da fadada
Elevada Criação!

Sarah Moustafa

Alvoraçada





Se me confundo
Encontro também
Na propria confusão
De não saber que emoção
Será a adequada opção
Se sinto que na explosão de sentir
Entro no vácuo de me afundar
E assim permitir
Que tormento
Que desassossego
Que me apraz
Será esta a minha única
Resoluta Paz?


Sarah Moustafa

Cisne



 


Há um certo encanto
Aos olhos revoltos
Sempre em eterno espanto
Pela passagem ao lago manso
E ver um cisne a deslizar
Pelo manto das águas calmas
Perfeito a flutuar
Repleto de viço e resplendor
O Sol que se espelha
Que se amplifica e alimenta
Do seu próprio ardor
E o cisne passa em magica passagem
Que apraz serena a miragem
Da maravilhosa, preciosa imagem
De querer na natural cândida ingenuidade
Explodir em mil rebentos de felicidade!


Sarah Moustafa

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Caminhante




A entoação cresce gritante
Desespera, retesa
A carne sangrante
Da tristeza do decesso infame
No perjúrio da mente insane
Que aspira em segredo
Perscrutar o caminho do medo
Em passo de leigo caminhante
Que resvala o insinuante
Crente na descrença do relevante
De porte altivo, semblante convidativo
Desvela o sorriso impresso
A linha bela do sucesso
Delineada á altura da maestria do mágico Universo!




Sinto Tanto...




Sinto tanto..
E por freio neste pranto
É tarefa do impossível
Pois sem a tragédia do encanto
O corpo repudiaria o sensível
E perder essa armadura acetinada
Trabalhada ao detalhe refinada
Deixaria a carente alma transtornada
Abalada nos recantos do seu próprio forte
Encontraria vazia e inerte a certa morte
Querendo da fonte beber
 E naquele veneno deixar-se perecer
Ao ultimo suspiro deliciada
Pela certeza fragilizada
Que  daquela forma, estando a morrer
Estaria antes demais a rejuvenescer!

Sarah Moustafa


Partículas de Emoção






Fragmentada em mil pedaços
Tombas ténue no meu regaço
Aninhas-te no ventre 
Adaptas-te calma num abraço
Guardo-te, Embrulho-te
Em níveas plumas
 Formo-te em laço
Cintilante abres um enorme sorriso
Estagno...
Juro que vi o relance do pleno, verdadeiro Paraíso!




Sarah Moustafa


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Dialogo





- Dirias que és quem?
- Diria que sou ninguém... Absolutamente ninguém.
- Isso é óptimo!
- Como podes dizer que é óptimo? É péssimo! Horrivelmente péssimo!
- Corrige, é fantástico. É bom porque se consideras que não tens identidade, podes ser tu a construí-la aos poucos, como uma flor que desabrocha pétala a pétala o seu esplendor...
- És demente...
- De facto sou, mas sou. Posso me adjectivar com as palavras certas á personalidade que construí, Aceito as ou rejeito as conforme aquilo que considero correcto. E tu adjectivas-te de que forma?

( Silêncio)

- Exacto...Definirias como, então, essa tal de demência?



Sarah Moustafa

Num Abraço



Num abraço mudo revolvo o pensamento, crente que nesse envolver, embrulho, depuro as esferas do sofrer, que atende á plena sabedoria do afinco de conhecer todas as notas do carecer, preciosas ao vestir a carne, que impulsa e repulsa as maravilhas do ser.
Num abraço mudo falo a linguagem do sentir em água, o explodir da sensibilidade, crescente na cristalina vertente nascente, que corre inocente, intensamente para o curso fulgente da fluidez em que ao nos fixarmos permaneceremos de vez.
Num abraço mudo embalamos a canção que sopra em subtil comoção, a melodia da tentação de ceder aos caminhos da imortal devoção, imortalizada na concreta mão que escreve unicamente ás letras do coração.

Sarah Moustafa

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Deixemos Ir





Na tela do constelado céu
Pondera-se absorto no firme gelado breu
 O apaziguar da revolta deste mar 
Que inunda toda a superfície
Deixando quem se salvou a expectar
Nas sombras da prata ao luar
O que dali em diante esperar
Pois tamanho é o desgosto
De perdermos o que queremos agarrar
Indiferentes ao imposto
Que esta hora ou outra
 Iremos pagar
Que dificuldade é esta 
Trovejante na noite funesta
Em simples, ternamente
Nos permitirmos aceitar ?
Que do naufrago resta apenas o necessário
Deixemos partir nas ondas coniventes
Toda a bagagem em apelo secundário
Façamos delas as chamas quentes
As companheiras das noites flamantes
Para sempre perpetuadas
Se assim permitirmos
Nos nossos eternos diamantes

Sarah Moustafa

Bastidor





As linhas do corpo trancado
encarcerado no rigor ensinado
mostram nas partículas da dissimulação
as linhas ténues da paixão
refulgidas na majestade
que tenta ténue
vibrante de sensualidade
indiferente á magnificência
que deixa cativos na sua imponência
transbordante de força e fraqueza
que enquadram a precisa fidedigna beleza
que encanta ao observador
a realidade em esplendor
da autenticidade em furor
da bela que vive com a sua dor
que dança com o sofrimento
e ainda assim em pleno tormento
é intensa no arrebatamento
de quem vê no bastidor
a passagem do amor
e se silencia no suspiro
do que a alma aspira
em crescente, latente
Fervor.


Sarah Moustafa

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Venda



Cerra os olhos, afoga-te na profundidade, em ondas calmas cujos espólios embalam a pacificidade dos nervos em tumulto, toldados de medo, insuspeitos que no mergulho da obscuridade a serena verdade, revela os novelos enrolados em primor, da dúbia sensação de plena satisfação criada e trabalhada nos talentos da maciça aveludada ilusão.
Se os olhos se fecharem, se se deixarem cobrir pelo tecido da venda cuidada, a meditação no mergulho da escuridão, iluminará para além do que os olhos destapados, alguma vez poderiam observar, sufocados com a parca luz, absorverão o que dali adiante virá, para sempre, soberano assim será.
Questiona se é por teres os olhos libertos que realmente vês com todas as propriedades ou se janela d'alma instiga a absorvibilidade invadindo a verdade com a cegueira momentânea da real cárcere no instante que entendas a tua real maldade e retornes a superfície com ela de mão dada com a individual bondade.



Sarah Moustafa

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Importunidade




Veneração da idolatração espelhada no fulgor da imagem replicada na ansiedade da alusão que a passagem utópica engrandece na tremenda inconveniência das tortas, ludibriadas, escabrosidades patentes na inequívoca tentadora idealização.
O deslumbre revolve nas linhas da matéria pela aprazia que um simples desfilar, nos meandros dos caminhos quotidianos, impensados, irreflectidos do poderio que uma simples tremenda passagem instiga na avidez da degustação crescente, latente da alma em descompasso com a rebelião do coração.
Devaneio da efemeridade incapaz de conter o assalto da fascinação, usufruído nas imagens da imaginação, febril no alvoroço incinerado da calda  da exaltação, fervilhante na energia veemente que grita no alarido da excitação pelo consumar da imprópria, mortificante situação.

Sarah Moustafa

A Fuga





Corro para além da linha a que os meus olhos pousam, restritos, no vislumbre que circunscreve insensivelmente, as dádivas do deslumbre para onde apresso o corpo limitado, á vedação do intransponível momento em que o pé pise firme o chão do encantamento coberto pelo sonho da soberba aspiração.
O vento expele o poder na direcção do liberto desejo, a que persigo incessante, teimosa na obstinação do ideal, que ninguém no expoente do ultraje, me retira, me impede de direccionar veloz no trilho pelo despertar  abraçado, sussurrado pelos cânticos divinos ao ouvido atento, expectante de resolução.
Não fujo, fluo por fim, no caminho ,pelas borboletas sarapintadas mostrado, nos recônditos mistérios da natureza procurados, cujo universo demanda, advoga por uma única condição, a de me libertar dos escrutínios da imposição.
Por isso, corro, corro sem parar, o vento ampara a fatiga, levita o corpo em aceleração crente no decurso da fadada, certa, essencial continuação.



Sarah Moustafa

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Consagração





Reverencio o ser que aclama a tristeza, que camada a camada de consternação, retira das pétalas do desespero o viço do aprendizado , aceitando a tormenta , transformando-a no apaziguar, no alento do desalinho das emoções turbias, vagas nas sombras por onde pairam, ferranhas nas garras que rompem, sulcam, sangram o sangue da autenticidade.
A sentença da deterioração, ainda que revestida de temor, nada mais respeitante é, que senão a desconstrução do terreno que expecta nas delongas horas passadas, a demolição do imprestável para assim renascer das terras abençoadas, a verdade levantada, desterrada dos alicerces que sempre firmaram a fundação fiel aos propósitos do coração.
Consagro a tristeza não pelo negativismo pensado, embrulhado nas lágrimas das lastimas seguradas, mas a lúgubre, ténue percepção de que a tristeza, nos tristes caminhos, despoleta o surgir de um sentir intensamente arraigado, contemplativo nas profundezas do mar das emoções, que se de outra forma surgisse, jamais aceitaríamos, que na corrente que louva a importância sacra de nos deixarmos ir, para o que quer que seja, engrandecer a benesse de nos permitir.

Sarah Moustafa