sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Perdido - II





Força-te a entrar no mundo do desconhecido. O mundo dos mistérios universais .
Navega na plenitude desse mar, que só se revolta com a mínima participação do seu usufruto.
Desbrava as correntes, ouve a sua canção e sente a melodia, que dissimula a grande mensagem.
A neblina pairará na tentativa de ocultar o eco, que viaja na imensidão do planeta, em busca do Receptor.
Sê esse receptor, ousa viajar alem da ditadura dos medos, quebra as inseguranças e parte ,sem hesitação, nos trilhos da Jornada Transcendente.
Põe o coração a bombear que nem um louco, brilha magnanimamente, lapida o diamante, que embruteceu perdido no limbo das vicissitudes.
Cultiva o Oásis no lugar do árido Deserto, permite-te a degustação da água cristalina que corre , plena de vida, na fonte divina.
Observa os céus com a curiosidade inocente da criança , que em tempos idos, foste.
Sente os grãos de terra na pele, conecta-te com os elementos fundadores.
O fogo despontará nesse momento, o calor dentro de ti, a chama alta da paixão de acreditar.
Recebe a mensagem.
Acredita.
Transforma os mistérios na língua que queres ouvir.

Sarah Moustafa

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Baile de Máscaras - I






Na dissonância da melodia partes em busca do baile, um baile que se ajuste a tua medida, um baile repleto de tons dourados e gargalhadas burlescas, onde te atreves a ser quem mais almejas ser, uma imensidão de personas livres e despreocupadas com as consequências dos seus actos tresloucados, pois por apenas uma noite, atrevem se a personificar o auge da luxuria.
Os adereços luxuosos cobrem-te a silhueta e de imediato a leviandade toma conta do corpo , que sem opção, se vê entregue á imponderação de quem o possui.
No toque final, a mascara veneziana enlaça o rosto, numa comunhão quase literal á tez aveludada.
Fitas-te ao espelho e o reflexo engrandece-te o ego, no entanto, a tristeza paira no semblante a que forças a modificação.
Nas profundezas do teu ser gritas por redenção, a menina que outrora abandonaste, insurge-se contra  a mulher despótica que te transformas-te.
As memorias longínquas da inocência que te banhava, pesa-te no coração, mas sabes que o negrume, por mais que te forces a encobrir em boas acções e composturas socialmente correctas, ascenderá para colectar uma divida eternizada no buraco negro do teu coração.
O negrume ascenderá esta noite, sussurrará o seu dialecto encaminhando-te no trilho da tentação.
A sua marca divina está nessa mascara perfeitamente esculpida ás belas feições.
A Inocência desespera, O Maquiavélico aplaude.
Esta noite partes em busca de ti, partes em busca do néctar da essência divina.
Partes em busca das notas que carecem na melodia.


Sarah Moustafa

Le Silence (Memoirs)



Esta Libra não gostava de falar. Simplesmente era apreciadora da arte de ouvir e de analisar tudo em seu redor.
Apreciava a regularidade da constância do pensamento que o silencio provocava.
Na sua fineza delicada, escutava atenciosamente o eco das vozes, onde numa teia de historias difusas, conseguia encontrar sempre o fio condutor da questão.
Discretamente perscrutava o nosso interior em busca dos sinais da complexidade da personalização.
O seu prazer era este, a personalidade variável e em constante mutação de todos em seu redor.
No que a voz falhava a mente exprimia num brilhante ensaio digno de estudo e tertúlias, por entre os mais iluminados pensadores.
A virtude do silencio era esta, a capacidade de perceber o outro em toda a sua extensão.
Tudo se interligava magistralmente a um significado maior, bastava ter atenção aos detalhes, aqueles pequenos gestos diários, aqueles padrões que se repetem constantemente e que nunca verdadeiramente paramos para pensar na sua razão, esta Libra pensava e amava o que pensava tão veemente que se perdia ,a ela mesma, na construção do seu trabalho.
Dissolvia-se nos enredos apaixonantes e intriguistas procurando aperfeiçoar e aprofundar um trabalho que cujo expediente nunca terminava.
Esta clarificação apenas foi possível pelo mergulho na placidez do silencio, ainda que mote de alguns problemas relacionais das esferas decadentes do mundo social, ela não se arrependeu nunca de assim ter optado, mesmo sendo a solidão uma consequência inevitável.

"La décadance, toujours la décadance... La Vie est une perpétuelle décadance depuis le début"
(Pierre Drieu La Rochelle)


Sarah Moustafa

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A pétala




No expoente da magnitude a pétala cai.
Desmembra-se do seu todo, abandona as irmãs e prossegue ondeante no percurso, que o impulso do destino sentenciou como sua demanda.
A pétala esvoaça apavorada pois a sua delicadeza não entra em conformidade com a aspereza daquela  acção, como iria saber o que fazer sozinha?
Se quando brotou do núcleo, a sua mãe ordenou uma eternidade juntas e as cuidou de tal forma, como iria ela sobreviver?
Na sua queda, o decesso acompanhou-a em toda a extensão do pensamento.
Sabia que era demasiado frágil para conseguir suportar as mazelas que o embate lhe iria causar e como tal forçou-se a aceitar o seu fado.
Pesou-lhe a ideia de não ter clarificado junto das irmãs o quanto as amava, de não ter abraçado a mãe uma ultima vez.
Recordou a imagem das cristalinas gotas que a abençoavam todas as manhãs e sorriu concentrando-se na frescura da lembrança, queria agarrar-se a essa imagem e a essa sensação para que a ultima coisa que visse, lhe trouxesse um conforto á inevitabilidade cruel a que fora sujeita.
A pétala embateu por fim numa rochosa encosta junto ao mar e os salpicos frescos e salinos baptizaram-na no seu retorno á origem.
A pétala cessou a sua função e aceitou, ainda que aterrorizada, que aquela era a sua hora e por isso ,apenas posso imaginar um imenso feliz retorno, para onde quer que seja que ela tenha ido...
A pétala caiu. Era ainda bela e cheia de vida, vigorosa na sua frescura, encantava os seus súbitos todas as manhas quando mostrava o seu magnifico brilho, o seu orvalho resplandecente.
A pétala caiu e a rosa chora a sua partida.
A rosa chora dia e noite, triste e melancólica assistindo inerte e vazia á queda das suas preciosidades e talvez por isso, seja a Rosa a ultima a partir..

Sarah Moustafa



sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dependurado



Há um tempo na vida de cada um de nós que é preciso parar.
Parar para respirar um pouco, parar para nos apercebermos dos motivos que nos levam a falhar e errar constantemente, no mesmo exacto tipo de situações.
Momentos em que o perscrutar do nosso interior nos parece insuportável, pois a cada vislumbre uma efervescência de cortes e feridas por sarar, mal remendadas com o tempo, vêm á tona.
E por cada uma dessas mazelas, corrompemos com severidade a pureza da alma, com que fomos abençoados na primeira golfada de ar que libertamos, num grito de glorificação á vida.
O ser humano em toda a sua plenitude é surpreendentemente  fascinante e analisando apenas o mecanismo fantástico com que a sua fisiologia trabalha, a minúcia, o detalhe de cada acto de ligação a um sistema complexo, como o nosso corpo, é motivo suficiente para chegar a tal conclusão.
No entanto, o verdadeiro fascínio da humanização em si, é a capacidade de apreciar o sofrimento a longo prazo, a incapacidade de se libertar das amarras do passado, das ligações infrutíferas, dos malefícios evidentes, mas tão inesperadamente confortáveis.
A roda gira sempre para o mesmo sentido, uma e outra vez, sem que o seu eixo possa encontrar uma forma de quebrar o ciclo vicioso.
A tentativa de leva-la para o sentido inverso, para que possa ver e sentir de outra forma, para que possa explorar outros tantos caminhos, outras tantas lições de vida, é missão falhada.
O equilíbrio desvanece rapidamente sendo substituído por um vácuo de positividade e uma amalgama de conflitos interiores, que originam os mais graves problemas, entre eles, o Bloqueio.
Ficamos pendurados pelo pé na corda presa á Árvore da Vida, e observamos expectantes um Mundo que nos parece tão inatingível, quando na verdade está a um passo de distancia.
Se observarmos bem o nó da corda está suficientemente largo , sempre esteve, para nos libertarmos e apenas permanecemos lá, de cabeça para baixo, de visão distorcida da bela paisagem circundante, por opção propria.
Por medo do desconhecido...


Sarah Moustafa

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dizem que é um coração partido..






Dizem por aí que a dor que carregas é a de um coração partido... mas então porque te doí tudo?
Cada centímetro de matéria que te compõe dói.
Apenas o acto de respirar absorve uma tormenta indescritível, incomparável a qualquer outra dor alguma vez sentida.
Erram com o que dizem porque quando  o verdadeiro reservatório de poder, o coração,  é atingido a extensão dos danos vai muito mais alem do órgão em si.
As consequências desta doença são a verdadeira fonte de preocupação.
A bala que penetra fundo, que se aloja e instala e que nenhum cirurgião se atreve a tirar, pois se assim ousar, a maquina certamente cessará as suas funções.
Então vives com a maldita ou melhores existes com ela, viver pertence ao passado.
Sobrevives mas dão-te como nula, extinta, numa linguagem moderna dirão depressiva, a semântica das palavras tornam-se irrelevantes, tal como tudo o resto.
A comida é insípida.
O odor bafiento.
O olhar enevoado.
Os prazeres da humanidade revogados.
O que te resta senão os estilhaços de memorias, que por mais que tentes dispor na ordem correcta, tal puzzle de lembranças, nunca retoma á sua forma original?
Estes estilhaços aprofundam os cortes, aprofundam a dor da infecção inerente.
Num corpo,aparentemente são, realizas as mais básicas tarefas, e aos mais distraídos quase que passa por apenas um dia mau, uma tristeza passageira, um desgosto temporário.
E quando o temporário caminha largamente em direcção ao eterno?
E quando todos os dias se fixam no mau?
E quando nada muda?
Atenção ao que dizem...um coração partido não acolhe nunca simplicidade, tal como o seu tratamento.
E ,não é só, nunca um coração partido...

Sarah Moustafa





segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Easy Talking- Falar é tão fácil...





Falar é tão fácil....
Criticar é tão tentador ...
Mas a verdade reside naquilo que negamos ser.
A tarefa de cortar um vinculo com alguém é atroz, porque sem fundamento, pensamos que a nossa missão vai ser bem sucedida.
Basta ignorar, Basta não pensar, Basta não sentir, Basta não lembrar...
Basta ,por mais uma vez, nos ludibriarmos em pensar que a nossa vida está bem melhor assim, numa sucessão de acontecimentos que não compreendemos, que não queremos aceitar e que nem sequer tão pouco nos damos ao trabalho de tentar compreender. Numa compreensão sincera de um possível entendimento.
Porque magoados, tão facilmente reprimimos o que de tão bom nos foi dado e limitamos-nos a pensar no mal.
Actuamos no julgamento de forçosamente ignorarmos o que nos rodeia.
Suprimir memorias, esquecer as dádivas.
Fechar a mente.
Soletrar as mais embaraçosas palavras.
Tornamos-nos exactamente naquilo que outrora ,recusamos alguma vez, pensar ser.
Mas as palavras , embrulhadas em pretensão, são tão mais fáceis de proferir do que encarar a realidade.
Mas a dignidade dos outros é tão fácil colocar em cheque quando somos nós que seguramos a caneta.
A simplificação máxima de um problema constrangedor, que não fica nada bem na tela perfeita que emolduramos, nas projecções e expectativas que criamos perante os outros.
Então, por nada mais queremos saber, porque dá tanto trabalho tentar entender aqueles que nos amam, aqueles que por nós movem mundos e fundos só para colocar um sorriso nos rostos que os iluminam, abandonamos o ser que ousou ultrapassar a linha da conveniência.
A linda do bem aceite.
Abrimos o fosso dos ressentimentos, das amarguras e das decepções.
Dos rancores infindáveis.
E quase lá ao longe permanece a imagem da silhueta que de braços abertos nos continua aguardar, ansiosa por um regresso á origem.
Se falar não fosse tão fácil, se hesitássemos em julgar e nos puséssemos em qualquer lugar menos no pedestal imposto, quem sabe poderíamos almejar por alguma felicidade.
Por alguma paz... por alguma réstia de amizade.
Se apenas não fosse tão facil....

Sarah Moustafa


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Solidão




No conjunto do todo a permanência do á parte estabelece-se.
A dificuldade de integração é uma constante, a espiral do vácuo que se aprofunda dia após dia, um facto.
A solidão, companheira fiel, exige uma percepção do mundo muito diferente.
Não permite a conexão, a confiança para estabelecer aquela ligação que tão desesperadamente procuramos ter com os outros.
A solidão quer-te só para ti.
Egoísta faz de tudo para assim ser.
Permite um vislumbre diferente, força a duplicação dos esforços para te conheceres, empurra-te para o extremo do precipício, mas nunca te deixa saltar.
A sua força reside na obrigação a que te submete.
Sozinho consegues ouvir. Sozinho consegues sentir. Sozinho consegues crescer.
O preço da solidão é alto mas a sua recompensa também.
Depois do exílio, talvez, deixes de te sentir sozinho numa sala repleta de gente.
Quando magoados, fechamos as copas, e sabemos lá como recuperar de tamanha dor.
A solidão é o remédio amargo, o tratamento que ninguém deseja, que tanto tememos e que tanto necessitamos.
Sem sentir o seu toque jamais voltaríamos a ter um solo fértil, permitindo o reflorescer de algo que enclausuramos.
Solidão é o gélido Inverno, mas sem o frio cortante jamais sentiríamos a confortante e amena Primavera.

Sarah Moustafa


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Família







Família é tudo aquilo que quisermos que seja.
Família é uma imposição ao suporte básico de vida, sem ela o que seria de nós?
Família ultrapassa a barreira da Genética.
Família não é opção, não é escolha...é aceitação da dádiva que nos foi dada.
O amor no seio daqueles que te acolhem e que te abrigam nos momentos em que as índoles ultrapassam a linha da aceitação.
Família é o conjunto de seres que te limpam as lágrimas, que te impelem a continuar a lutar e a viver num mundo corrupto, num mundo onde a injustiça abraça o sistema onde nos encontramos inseridos.
São eles que nos fazem levantar todas as manhãs, são eles que nos dão a verdadeira força, é deles que a fonte de energia revigora e ilumina tudo em seu redor.
Mesmo nos tempos mais tenebrosos a família não arreda pé. Mesmo que por momentânea vontade , tal pareça possível, tirem dai a ideia!
Família, de sangue ou não, é um vinculo ETERNO!
 Podemos fugir, podemos tentar esquecer, podemos até odiá-la até ao fundo da sua origem, mas nunca nos podemos libertar de uma ligação ,feita pela varinha de condão ,cujo verdadeiro poder reside na AMIZADE.
A família estabelece um contracto imperceptível que jamais pode ser contestado.

"OHANA MEANS FAMILY.
FAMILY MEANS NOBODY GETS LEFT BEHIND OR FORGOTTEN"

Sarah Moustafa

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A Luz e as Sombras





Aquela metade que escondes intriga-me.
Intriga-me a sua beleza, o seu mistério e a sua aura de importância.
Rainha das Sombras, Aproxima-te!
Deixa-me ver o rosto que encobres e que tão sucessivamente emerge aos efeitos que a sua reverência exerce, num poder fenomenalmente importante á execução de um objectivo, a Plenitude.
Quando só mostramos a luz e reprimimos o negrume da alma, deixamos que nos conheçam pela metade.
Deixamos o vislumbre da radiação maravilhosa, da benevolência e da compaixão que sobre pressão, trabalham ao máximo vapor, para parecer real e único.
Mas no fundo sabemos que mais cedo ou mais tarde essa vil Imperatriz surgirá na reclamação ao trono que num ultraje lhe foi retirado.
Ela retornará fria e cortante numa vingança ao apelo da Luz, que deixou o seu brilho fusco, ao ela mesma cair na armadilha que as sombras cautelosamente criaram.
A sombra da mentira e da manipulação.
A sombra do julgamento.
A sombra do abandono.
Na verdade ambas são irmãs que nas lutas pelo poder e a razão , sucumbiram á rivalidade mortífera da divisão daquilo que só faz sentido Unificado.
"Aquela pessoa é boa pessoa", sendo essa pessoa abençoada pela Luz.
"Aquela pessoa é horrível!", sendo a pessoa abençoada pela Sombra.
O problema é que nenhuma está correcta. Estamos todos desfragmentados. Todos.
O vazio, aquele vazio e insatisfação que nos corrompe, sem sabermos bem o porquê, foi originado nesta duas irmãs, que ao se separarem, destruíram a sua mais sublime essência.
Agora...cabe-nos o árduo trabalho. O trabalho de reconhecermos a importância que ambas têm na construção daquilo que chamamos de personalidade.
Integra-las na energia de uma só.
Vamos ajuda-las a retornarem á família, que desesperada as procuram no vácuo da eternidade.
A Luz só faz sentido quando abraça as Sombras.
As Sombras só fazem sentido quando abrigam a sua Luz.


Sarah Moustafa



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Na Terra dos Zombies







Não precisamos de filmes ou series de televisão para nos depararmos com a realidade triste de uma sociedade podre, e como tal, aqui residem os originais zombies que tão infielmente são retratados nas historias que desde sempre visualizamos, com que nos aterrorizamos ou encantamos.
A Aparência pode ser normal, nada de rastejos, nada de sangue ou carne humana, ou pelo menos que seja visível ao olho nu, porque estes zombies rasgam-nos a carne na mesma , só que por dentro.
As vísceras revoltam-se numa imensa e lenta carnificina de que somos alvo diariamente e na qual continuamos engrenhados, presos numa teia de corrupção da qual não conseguimos fugir.
Talvez por de tão semelhante com a realidade em que vivemos ,estas historias supostamente fictícias, nos excitem e nos compelem a criar mais produtos do mesmo.
Os zombies andam á solta há muito tempo, alimentam-se de nós todos os dias, numa morte lenta e certa que nos aguarda na sentença que nos é dada desde que nascemos neste mundo incrivelmente belo e incrivelmente decomposto.
A putrefacção criada pelo próprio Homem que destrói tudo em que toca, cego pelas frivolidades a que se entregou, e pelo qual se transformou na criatura assinalada como mortífera mas tão bem dissimulada que poucos vêem na sua natureza real.
Os ataques massivos acontecem todos os dias, as consequências a quem não se corrompe também.
Eles estão a solta, prontos atacar, prontos a infectar-nos com o vírus letal. Prontos a criar a um exercito da espécie modificada.
O exercito que já existe. O exercito que nos rodeia e que não vemos.
Nesta maldição a luz chega ténue, fragilizada pelo mal que reúne forças por todos aqueles que cedem e escolhem viver como mortos-vivos, aqueles que desistem, aqueles que abandonam, aqueles que julgam, aqueles que se alimentam da energia dos outros, aqueles que perderam fé no amor e na beleza que nos rodeia.
 Aqueles que dormem ao nosso lado. Aqueles com que brindamos. Aqueles que cuidaram de nós.
Vivemos na Terra dos Zombies, aqueles que por desistirem de viver ficaram condenados ao limbo entre a vida e a morte.
Não estão vivos nem mortos,as aberrações, são as criaturas que temíamos a noite, no escuro antes de adormecer e que afinal...estavam precisamente no quarto ao lado.

Sarah Moustafa



sábado, 1 de setembro de 2012

Happy Birthday



Despertar para as mensagens diárias que nos são dadas não é tarefa difícil, complicado é seguir o trilho encriptado, que palavras descrevem, flutuando entre silabas e parágrafos, convidando-nos a entrar numa realidade completamente diferente daquela com que nos confortamos.
Da certeza e do concreto que tão valiosos se apresentam num momento e tão estéreis e vazios noutros.
Mas para entrar nesta nova realidade, nesta nova visão do mundo, nesta nova forma de viver havia um pequeno grande passo a ser dado. O corte.
O corte magoa. O corte é profundo e por isso mesmo difícil de se realizar, difícil de concretizar.
Uma ferida que dificilmente cicatrizará, e se assim o fizer, nunca será num cobro definitivo.
A mais pequena lembrança será suficiente para o sangue voltar a jorrar, e a dor emergir e apertar cada osso que possivelmente um ser humano pode ter.
Ter coragem para agarrar na tesoura, ter força para enfrentar o adjacente á decisão tomada, o estar nua numa multidão de olhos que te julgam e sentenciam, tudo isto engloba o passo decisivo.
Quando este passo é dado o retorno jamais poderá ser feito.
Do alto da torre a queda é tão aterradora como libertadora, é um misto de sensações profundamente contraditórias e violentas a um corpo e a uma alma fragilizadas ao ponto de ruptura.
Ainda assim , nas sobras da convicção, a queda acontece.
E enquanto caio tudo me é dito, tudo me é segredado, como se nas portas da morte a iluminação finalmente fosse revelada.
O embate no chão foi doloroso, dificilmente pensaria na hipótese de uma reconstrução quando tudo a minha volta eram cinzas deixadas pelo incêndio que o meu edifício devastou.
Mas então porque estava viva? Como era possível ter sobrevivido a uma queda daquelas? Como?
Foi então que no ofegar da dor eu olhei para a torre e vi que esta não estava totalmente desmoronada, apenas partes tinham caído, as partes mais frágeis, as partes cuja solidez faltava.
O abanão da verdade.
O abanão do desapego.
O abanão de uma saudade,que a partir dali, seria eterna.
O despertar veio e deixou as suas marcas, e ainda que me tenha feito passar pela desfragmentação total e
aflitiva concedeu-me a sua luz, que mais não é do que senão mesmo, a minha.
Retirou as clausuras de uma luz que se impedia de brilhar.
Por isso, Feliz aniversário. Parabéns,  Por estares aqui sempre a cintilar nas alturas em que o negrume é tudo o que vejo. O teu brilho ofusca na consciência da humildade.
Parabéns, feliz aniversário.
Happy Birthday, S.


Sarah Moustafa